O Exame Infra recebe Felipe Borim, superintendente de Infraestrutura do BNDES, para explicar como o banco mudou a forma de financiar a infraestrutura brasileira. Desde 2023, foram mais de R$ 300 bilhões em aprovações para o setor, cerca de 80% sem subsídio, com uso crescente de debêntures incentivadas e de project finance non-recourse. A conversa é conduzida pelo repórter André Martins, da Exame, e por Maurício Malanconi, CEO da Suporte.
Sobre as rodovias, Borim destaca o salto no financiamento: de uma média de cerca de R$ 3 bilhões por ano para patamares de R$ 22 bilhões a R$ 25 bilhões anuais, o que atribui ao amadurecimento regulatório e à retomada de projetos que estavam problemáticos. Ele afirma que há ainda cerca de 50 rodovias em estruturação.
Nas ferrovias, o superintendente diz que há de sete a oito grandes corredores já estruturados, entre eles a Ferrogrão, que somam cerca de R$ 160 bilhões em investimentos. Segundo ele, um novo modelo em análise no TCU busca viabilizar esses projetos, e o banco ampliou para 40 anos o prazo dos financiamentos ferroviários. Borim lembra que, no mundo, dificilmente o setor privado constrói sozinho uma grande ferrovia, e cita o Fundo Clima como fonte de recursos para trens e vagões.
Para sustentar os investimentos com juros altos, o BNDES passou a fechar o financiamento do projeto inteiro desde o início e a prever janelas de realavancagem. O primeiro exemplo foi o bloco de aeroportos de Congonhas, com R$ 5,7 bilhões e debêntures estruturadas com o Santander, em que de 60% a 70% dos recursos poderão ser realavancados entre 2030 e 2032. Hoje, segundo ele, o BNDES participa com cerca de 30% do financiamento da infraestrutura e o mercado de capitais com cerca de 60%, mas os fundos de previdência, principais financiadores do setor no mundo, ainda não chegaram.
O episódio passa ainda por saneamento e universalização, pela meta de investir 4% do PIB em infraestrutura e por mobilidade urbana: segundo Borim, o BNDES começou a financiar ônibus elétricos em 2023 e se tornou o maior financiador do tipo na América Latina.
Entre os gargalos, ele aponta a falta de engenheiros para elaborar projetos em grande escala, ao mesmo tempo em que já existe uma prateleira de projetos. Também comenta o caso da BR-163 em Mato Grosso, concessão estressada que originou o TCU Consenso, e encerra com a visão do banco para a infraestrutura daqui a dez anos.
Neste episódio:
- 01:22 – Investimento recorde e R$ 300 bi do BNDES em infraestrutura
- 04:25 – Fim do subsídio e debêntures incentivadas
- 06:12 – Project finance non-recourse
- 11:37 – Juros altos e a estratégia de realavancagem
- 14:51 – Rodovias: de R$ 3 bi para R$ 25 bi por ano
- 19:46 – Ferrovias, Ferrogrão e o novo modelo com outorgas
- 24:30 – Fundo Clima para trens e vagões
- 25:49 – Saneamento e universalização
- 30:07 – Meta de 4% do PIB e fundos de previdência
- 38:11 – Mobilidade urbana e ônibus elétrico
- 41:43 – Falta de engenheiros e gargalos de execução
- 44:14 – BR-163 e a repactuação de contratos
- 48:03 – O BNDES e a infraestrutura daqui a 10 anos
Veja também: BNDES dobra para R$ 1 bilhão o teto de financiamento de trens, vagões e locomotivas, diz superintendente à Exame.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio do episódio. Pode conter pequenas imprecisões.
Olá, seja bem-vindo a mais um Exame Infra, seu programa que discute o presente e o futuro da infraestrutura brasileira. Eu sou André Martins, repórter de Brasil e economia aqui na Exame e ao meu lado, Maurício Malanconi, CEO da Suporte. Tudo bem, Maurício? Olá, André. Eu sou Maurício Malanconi, fundador da Suporte. É sempre um prazer estar aqui contigo André. E recebemos hoje Felipe Borim, superintendente do BNDES, para falar um pouco do momento do banco e do papel dele, principalmente no financiamento da infraestrutura brasileira. O importante destacar que o nosso programa tá sendo gravado na sexta-feira, antes do segundo turno das eleições presidenciais, exatamente para colocar a nossa audiência no espaçotempo. Felipe, agradeço a sua participação e vamos conversar sobre infraestrutura. Olá, André. Agradeço o convite, um prazer participar aqui com vocês. Estamos à disposição. Um prazer falar sobre esses assuntos. E Felipe, eh a gente já teve a oportunidade eh de conversar com a Luciana Costa no nosso eh programa também em outras oportunidades aqui na Exam. Ela também já esteve em outros momentos e eu queria que você falasse sobre o papel do BNDES nesse momento para o financiamento da infraestrutura, né? A gente sabe que a diretoria da qual você faz parte olha muito
para essa questão do financiamento. Eh, o que que vocês estão mais olhando? Eh, quais montantes você já foi financiado até esse momento, né, até outubro de 2026, pegando esse ciclo agora de 4 anos? Muito legal, André. A gente tá num momento fantástico no BNDES em relação à infraestrutura. Acho que no país, né, como um todo, os investimentos estão batendo recorde ano, ano após ano. Aí o ano passado, 2025, fechou em 280 bilhões investimentos em infraestrutura, né? Esse ano as estimativas são que passa de 300 bilhões. Então, eh, são números records, muita coisa acontecendo em todos os setores, né? E um pipeline de projetos muito grande, diversos leilões, muitos players novos entrando, muita demanda para pra indústria de construção pesada, né? Então, acho que é um momento fantástico. E o BNDES acho que tem um papel relevante nesse nesse momento, né? Porque o banco sempre foi o principal financiador de infraestrutura no país, né? Foi inclusive criado o primeiro projeto aprovado pelo BNDES. Foi um projeto de ferrovia, né? Foi a central do Brasil. Então é um negócio que tá na origem do BNDES. E nesses últimos anos o mercado vem evoluindo muito, o BNDES vem evoluindo muito, a maneira como financia a infraestrutura também. e
vem mantendo o papel relevante para apoiar os grandes projetos, mas vem fazendo isso de novas maneiras e junto com o mercado, né? Então, o banco desde 2023, ah, dá para dizer que a gente vai fechar esse ciclo agora com mais de 300 bilhões em aprovações paraa infraestrutura, que é um valor muito relevante, né? 300 bilhões de financiamento e 80% aproximadamente desses recursos são sem subsídio nenhum. Então isso é muito interessante porque até o final de 2022 ainda existia um subsídio remanescente da TJLP, né, da mudança que era um alfa redutor. Então houve a mudança de TJLP para TLP em 2017 e foi criado um alfar redutor que foi convergindo pra taxa de mercado e começou a ser taxa de mercado em 2023. Agora o BNES tem alguns funds muito específicos subsidiados como fundo clima ou alguns fans de para inovação, mas o grosso é sem subsídio. Então o banco vem batendo records aí de financiamento, vai chegar nesses 300 bilhões com praticamente 80%, um pouco mais, sem subsídio pra infraestrutura, né? Então o BNDES vem participando de uma maneira muito ativa e muito sólida no financiamento da infraestrutura. Ô, Felipe, você comentou que o banco teve algumas mudanças nos últimos anos, né? Quais são os
principais pontos estruturantes que você entende que trouxeram o BNDES ao estado atual? E aí, eu acho que só antes de você responder essa do Maurício, eh, uma coisa tá ligada à outra, mas até o por que que essa mudança, esse ponto que você trouxe, eh, do subsídio ou não, ele é tão relevante? Ótima pergunta, And. E ajuda a amarrar com o que o Maurício colocou. Exatamente. Justamente quando o quando você opera com subsídio, de certa maneira, você tem uma é mais fácil operar, né? Então você consegue você pode ficar meio que na sua e falar: "Ó, minhas condições para operar são essas. Você vem aqui, se quiser o recurso, você vem, a empresa vem, pega o recurso, tem que seguir uma as regras ali que você coloca, né? Você tá numa posição mais confortável, né? com o fim do subsídio, meio que mata essa zona de conforto. E o que a gente buscou fazer desde 2023 foi justamente manter a relevância do banco através de novas maneiras de financiar. A gente foi obrigado a a meio que trazer a inovação para as estruturas de financiamento. E aí o que mudou de fato, né? Eu acho que dá para falar algumas coisas que foram mudanças estruturantes
na maneira que o BNDES opera paraa infraestrutura. Então, primeiro, a gente começou a usar muito mercado de capitais, então a maior parte das aprovações para infraestrutura são com debentores, de debêntures incentivadas. E isso é muito importante porque além de ser um instrumento que permite que BNDES recicle o balanço, né, que a gente pode vender as as debêntures do mercado secundário, ajudar a criar mercado, também ajuda a trazer o mercado junto pros projetos. Então, até dando uma resposta à aquela crítica que tinha antigamente que o BN10 fazia o crowding out, né, ocupava o espaço do mercado, agora com essa atuação via debentores, o banco consegue trazer o mercado. Então, a gente faz operações muito relevantes, muito grandes e traz o mercado junto, os bancos, até os investidores de pessoa física, todo. Então, a gente consegue com esse instrumento de debentor eh trazer o mercado e e cofinanciar os projetos, né? Fazer o crowding in. E além disso, as estruturas de financiamento evoluíram muito nos últimos anos. Então, o, e aí falando especificamente Project Finance, né, que é o que é o coração aí do financiamento da infraestrutura, sempre se demandou do BNDES que avançasse no project finance no Recourse, etc., né? E atualmente a gente avançou
muito de a gente fez esse essas contas em entre 2023 e 2025. O banco tinha aprovado aproximadamente 90 bilhões em project finance com debêntures. Nesses 3 anos. 45% foram non recourse. Então é é um é super significativo, né? Porque você nunca vai conseguir fazer 100% no Recorse, né? Que é um não recourse, aliás, acho que vale a pena explicar o que é o não recorse, né? O project finance não recorse é quando você financia o projeto e pega como garantia o projeto. Você não exige garantias externas. Então como se fazia, como era o mais comum antigamente? você financiava o projeto, mas pedi uma fiança bancária, por exemplo, ou uma garantia corporativa da empresa. Então, no Recorse, você financia o projeto e só pega as garantias de projeto. Isso é muito importante pra infraestrutura no mundo, porque permite que as empresas se alavanquem para fazer os grandes projetos, os grandes investimentos, né? Então, então voltando, como a garantia é o projeto, você não consegue financiar todos os projetos assim, você consegue financiar os projetos que estão muito redondos, muito sólidos e que a empresa também, o concessionária que tá fazendo o projeto, conseguiu mitigar adequadamente todos os riscos. O contrato é sólido, a agência reguladora é
sólida. Então a gente praticamente não fazia no Records. De 3 anos para cá, a gente tá fazendo aí 45%, 50% non recourses. Acho que isso é muito relevante em termos de como avançou o BNDES e também como avançou eh o setor de infraestrutura como um todo, né? A governança das empresas de infraestrutura, os contratos, as agências reguladoras. Acho que é todo um ambiente de investimento que melhorou, né, que avançou muito nos últimos anos. E quando a gente olha para esse ambiente, né, a gente tá com muitos projetos eh na rua e agora nesse momento de eleição, a gente não não tá tendo leilão, mas existe uma expectativa que a partir de novembro eles voltem, eh rodovias, eh ferrovia, saneamento, enfim, muitos leilões previstos aí pros próximos meses. É, você vê que a gente talvez já passou de um momento que a gente consiga estruturar bons projetos, mas a gente ainda, apesar do avanço que você colocou, né, do próprio papel do BNDES, aí eu acho que eu quero uma visão mais ampla sua. Eh, você acha que o Brasil ele tá dando condições para as empresas que vencem, que bidam os leilões de conseguir contratar esse investimento, esse financiamento? Sim, eu acho que em meio
praticamente todas as frentes relacionadas ambiente de negócio paraa infraestrutura, acho que o país avançou muito. Então, acho que os contratos avançaram muito. Acho que a gente agora tem, né, pode afirmar que infraestrutura é uma agenda de estado, né, vem vem crescendo o número de leilões, os leilões estão acontecendo, né? Você teve agora o o governo do presidente Lula que tá se encerrando, foi o governo que mais fez concessões, né? Mais fez leilões de concessão. Teve uma matéria da Folha, se eu não me engano, no início do ano. Uhum. Que é muito interessante porque é um governo de esquerda, mas que tá fazendo, né, que chega fazendo, trazendo investimento privado paraa infraestrutura, né? Acho que isso é uma amra de como de fato a infraestrutura é uma agenda de estado. E e além disso, no financiamento, né, que é a minha minha praia aqui, mudou muito de uma maneira muito positiva na última década, nos últimos 15, 20 anos, talvez, porque se você fosse financiar um projeto em 2010, 2011, praticamente só tinha o BNDES para financiar. Então, o que acontecia? Como que o como que se financiava? você chamava um banco privado ou dois mais o BNDES e aí fazia fechava o financiamento com com
isso, né? Vamos supor um banco privado e o BNDES. Só que o banco privado, o recurso que ele passava pro projeto era do BNDES, ele só tomava o risco de crédito, então você só tava compartilhando o risco, mas a origem do funding era inteira do BNS. Então nessa época 80, 90% do financiamento para infraestrutura dependia do BNDES. E agora isso mudou, né? Até pelos números que eu falei, fechando esse ciclo aqui com 300 bilhões de financiamento paraa infraestrutura no BNDES, o investimento vai fechar em 1 trilhão, mais ou menos, um pouco mais, 1 trilhão1. Isso mostra um pouco o que a gente estima que o BNDES tá financiando, que é coisa de 30% do dos investimentos em infraestrutura, né? E por quê? Porque agora você tem mercado de capitais entrando também, né? Então você tem uma outra origem de recurso pra infraestrutura. Então, justamente isso. O investidor vem, ele ele tem a opção do BNDES, muitas vezes ele conta com o BNDES, mas ele tem o mercado também. Então, alguns projetos ele consegue 100% no mercado, não precisa do BNDES. E alguns projetos quando é mais arriscado, quando precisa prazo mais longo, ele pega o BNDES, pega um pedaço de BND ou um pedaço de
mercado. Então, acho que evoluiu muito e é um ambiente muito positivo para para investimentos e paraa atração de investidores, né? Acho que é por isso também que os leilões estão sendo bem sucedidos, estão atraindo interessados, né? Ô, Felipe, eh, depois de um período aí tão prolongado, né, de juros altos, o que que você tem sentido do mercado? Há um risco eh das concessionárias com contratos ativos segurar um pouco os investimentos ou não? Porque realmente a gente vem vivendo, né, picos de leilões com juros altos, né, mas existe de fato do mercado uma expectativa desses juros cair. Você sente eh a preocupação às vezes se essa curva eh prolongada do juro se manter de ter uma retração de investimento em infraestrutura? Essa é uma preocupação relevante, né, pra infraestrutura, porque você fazer projeto de 20, 30 anos com juros nesse nível é muito desafiador, né? Uhum. Eu acho que esse esse problema dá para dividir ele em duas em dois dois grupos. Os projetos que estão começando agora, que são leiloados com essa taxa, a taxa meio que já tá incorporada, né? Então eles meio que seguem. O que o que é mais problemático são as concessões anteriores, né, que foram feitas com uma taxa de
juros menor, com uma expectativa de retorno um pouco menor. Aí o cara vai se financiar e eles tem que lidar com uma taxa muito mais alta, né? E aí realmente é um desafio. E aí eu acho que o BNDES tem tido um papel relevante nesse mercado, porque no ano passado o banco desenvolveu justamente quando as taxas começaram a se estabilizar nesse patamar mais elevado, a gente começou a ter essa preocupação, conversando com as empresas, conversando com as associações, né, das empresas de infraestrutura e a gente desenvolveu uns mecanismos de financiamento que justamente permitem enfrentar esse problema dos juros alto e que estão meio que nesse pacote de de inovações que o BNDES vem fazendo no inovação. né, no financiamento infraestrutura. Então são diversos instrumentos, mas basicamente todos têm mais ou menos a mesma lógica, que é você fecha o funding do projeto inteiro agora e você permite janelas pra empresa se realavancar. Então vou dar um exemplo. O primeiro projeto que a gente fez foi o o de Congonhas aqui, né? O bloco dos nosos aeroportos da ENA. Foi um financiamento super inovador, um projeto de 5.7 bilhões. A gente fechou o fund no projeto inteiro, fez uma emissão de debêntures junto com o Santander.
O Santander ficou com 1/3 da emissão e nesse nesse projeto, 60 a 70% do recurso, a ENA vai ter a possibilidade de realavancar entre 2030 e 2032. Ou seja, você tirou o risco de funding porque ele fechou o funding do projeto como um todo. Então ele faz o projeto, ele vai fazer o projeto, mas você justamente tira um pouco essa esse esse risco do da taxa de juros e do desincentivo dele investir agora, né? Você cria um incentivo para ele investir e aí depois ele se realavancar e conseguir pegar esse, né, voltar um pouco pra taxa de retorno anterior a aumento de juros, né? Então tem vários instrumentos nesse nesse sentido e aí a gente já fez vários projetos depois desse, né? E e tem sido muito importante para as empresas fecharem o funding e seguirem os investimentos com segurança nesse cenário de juros altos, né? E Felipe, olhando agora para setores, né? Queria começar por rodovias, que eu acho que é um dos setores mais maduros quando a gente olha eh infraestrutura hoje no Brasil. Eh, a Luciana até comentou na participação que ela fez com a gente na Bienal das Rodovias sobre como a média de financiamento saltou de três para próximo de
27 B, né? Eh, o que que aconteceu nesse processo, né, pra gente conseguir é mais projeto ou é realmente o BNDES trazendo soluções diferentes? Eh, e o que o Sim, a gente sabe que a gente, como eu já falei, a gente tá num num período ali de eleições, né? a gente não sabe como será e a partir de 27, mas o que já tem previsto hoje para o próximo ano eh de conversas para financiamento olhando pro setor de rodovias. É, tem acho que tem bastante coisa, né? Acho que esse é um setor que tá na crista da onda, né? O E aí acho que isso tudo se constrói várias mãos, né? O BNDES tem o seu papel, certamente. Foi um salto, como você falou, né, André? saltou de aproximadamente uma média de 3 bilhões por ano aí para 25. Foi 25 em 20 em 2024. ano passado acho que foi 22 bilhões. Esse ano a gente quer bater essa essa espera bater esse número ainda. E eu acho que juntaram vários movimentos e aí vários movimentos que convergiram para viabilizar esse movimento, né, esse esse esse esse resultado. Então, primeiro, teve um amadurecimento regulatório muito importante. Então você tinha um estoque de projetos, vamos dizer,
com problemas ali, né, projetos problemáticos que estavam sem, né, sem investimento, com tarifa de pedágio baixa demais, que não viabilizava investimento, reequilíbrios há anos em discussão com a NTT. Isso foi sendo resolvido e aí terceu consenso tem um papel muito relevante para essa solução. Então, com isso você tirou uma incerteza regulatória. Você teve um avanço muito grande nas estruturações, na matriz de riscos. Então, quando você reviu a matriz de riscos e deixou os riscos mais bem compartilhados, principalmente o risco de demanda, né, em rodovias que que nunca foram pedageadas, que você tem uma incerteza maior, tem um compartilhamento relevante, então você teve uma melhoria da estruturação e e um foco muito grande na estruturação de projetos, né? Então, acho que a gente pode dizer que tem bons projetos, né? Podemos dizer que temos bons projetos para rodovias, que é algo que talvez há 10, 15 anos atrás não tivéssemos, né? Então você juntou um melhor ambiente regulatório, bons projetos, um ótimo trabalho aí do Ministério dos Transportes, da NTT, que dá essa segurança regulatória e na e nessa parte dos contratos. E na parte do financiamento você tem um ambiente que você tem o mercado de capitais e o BNDES fez o seu papel colocando
ali eh se colocando à disposição para financiar os leilões, né? Então, a gente até publicou algumas cartas justamente para dar essa segurança pros investidores que teria financiamento. Se ele não conseguir no mercado, o BNDES tá à disposição para financiar. A gente colocou ali as condições gerais, né? E então acho que foi foi se criando um ciclo virtuoso, né? Os projetos começaram a sair, no início tinha muita incerteza sobre players entrarem. Então aí foi muito importante o BNDES colocar essa questão do financiamento e tal. os players começaram a entrar, daí começaram a sair os primeiros financiamentos grandes com estruturas sofisticadas de project finance. E aí eu acho que teve um grande divisor de águas que foi financiamento da Rio São Paulo, da Dutra, que foi um financiamento de 10.7 7 bilhões que o BND fez é a maior emissão de debêntures da história no Brasil e que eu acho que ali virou uma chave no setor de que dá para seguir, teremos financiamento, a gente vai conseguir mercado de capitais, a gente vai conseguir boas estruturas de project finance e vai conseguir financiar. E aí acho que meio que começou uma uma onda, né? E e com isso acho que o ciclo virtuoso continua, né? Tem
um tem um estoque de projetos para serem leiloados. Acho que independente do resultado, eh, você tem um estoque de projetos que vai interessar para qualquer governo colocar eles na rua, porque é investimento pra população, né? Então, se eu não me engano, foram anunciados aí, esse ano ainda tem mais quatro de rodovias, né, com leilão marcado, acho que tem 11 pro ano que vem possíveis. Então esse ciclo, imagino que ele continue, né? É, o Ministério dos Transportes falou que dependente da de uma eventual reeleição ou vitória do adversário, né, eles já vão deixar mapeados mais de 50 projetos pros próximos 4 anos. Isso é uma onda de investimentos mesmo, né? E fazendo esse paralelo, né? Então o setor rodoviário já tá consolidado, né? Já tem um modelo, maturidade do setor é é é claro, né? Todo mundo consegue observar que até pelos players, né? Quantidade de players no setor e já existe aí uma algum um grande pipeline também pensando no setor ferroviário, não rodoviário. E aí eu queria ver contigo, Felipe, assim se você pode explicar aqui pros nossos ouvintes, né? Eh, qual que é a diferença, né, e o que que vocês já estruturaram para que essa onda também venha, né, a ocorrer no
setor ferroviário? Esse é um grande desafio, né, o setor ferroviário. E ferroviar é um negócio que que mexe com a gente, né, porque tem aquela coisa de usar o trem como transporte, né, mexe um pouco com as memórias assim, né? Um negócio muito bacana. E o, mas é um setor que tem, que o desafio é muito grande, porque o CAPEX é muito intensivo, né? Capex muito intensivo e os projetos, quando você vai fazer uma ferrovia nova, você fica ali alguns anos com investimento muito pesado, sem gerar nenhuma receita, né? Então o desafio é muito grande. O que que tem acontecido no o setor ferroviário tá investindo bastante, então os investimentos anuais praticamente dobraram aí nos últimos anos. Então estão rodando aí na casa de 15 bilhões por ano, mas você vê são cifras menores, né, do que em rodovias, por exemplo, e precisa de muito mais, né, em ferrovia, principalmente precisa de ferrovias novas, né? E o que que tem avançado? Existe um pipeline de projetos estruturados, né? Sete ou oito projetos que são grandes corredores como a Ferrogrão, a FICO, a FIOL, né? São grandes projetos que tão estruturados e você tem o desafio de fechar a parte econômico-financeira desses projetos. E por quê?
Justamente por causa desse dessa necessidade de capex nos primeiros anos, né? Então, se você vai olhar no mundo, não existe muito o privado fazendo uma ferrovia sozinho, né? Uma grande ferrovia sozinho. Sempre você tem o público entrando, né? As ferrovias são feitas ou com investimento público, algum tipo de subsídio muito grande, ou com aporte público. Justamente por imagina que você é um investidor privado e vai investir na ferrogrão. Ferrogrão, estimativa ali é de uns 10 anos para construção. Capex na casa de 30 B. Imagina você colocar 30 bi, ficar 10 anos sem sem ter nenhuma receita, né? Um negócio que exige um, né? Não tem como parar de pé, né? Então você precisa que o governo apoie de alguma maneira. Então acho que o que avançou muito, que a gente tá muito próximo de encontrar uma solução, né? você tem uma carteira de projetos estruturados e vem sendo desenvolvido pelo governo um modelo para viabilizar esse aporte público que é muito desafiador num situação do Brasil de restrição fiscal. Então, o que que o governo tem feito? Isso tá em análise pelo TCU. Deve ser deve ser chancelado, esperamos aí em algum momento, nos próximos semanas ou meses. O você vai fazer um projeto novo,
vamos dizer ferrogram. Aí você tem um outro projeto de uma outra ferrovia que tá pagando uma outorga. Você separa um pedaço dessa outorga e deixa depositado em contas reservas para pagar a ferrogrão. Então vamos supor, você tem um capex de 30 bilhões, vamos supor que você consegue segregar aí 20 bilhões ao longo dos anos dessas outras outorgas para compor o capex da Ferrogrão. Aí com isso você consegue chegar no meio termo e viabilizar. você traz o funding do governo, junta com o funding privado e consegue fazer um projeto desse tamanho parar de pé, né? Acho que a gente tá numa reta final de fechar esse modelo e conseguir eh encontrar uma solução, né, uma inovação aí que pode viabilizar o o setor ferroviário, né, novas ferrovias, né, novos corredores. E tem uma estimativa de o quanto essa essa solução pode destravar, né? necessita esses oito projetos que já estão até em expectativa de de ir para leilão. Eh, mas o quanto pode se destravar se a gente conseguir avançar nessa questão de de como parar o projeto de pé, né, como pagar a conta no fim do dia? É, os os valores são imensos, né? Esses sete oito projetos são da casa de 160 bilhões,
então é muito capex, né? E o BNDES tem uma participação relevante aí também, né? Então, a gente anunciou recentemente uma ampliação do prazo para 40 anos pros financiamentos para ferrovias especificamente para tentar ajudar a fechar essa essa conta, né? E daí acho que tendo um modelo, tendo o financiamento, né, e tendo essa segurança de que esse modelo funciona, de que vai ter recursos, acho que tem, assim, são várias possibilidades, né? Acho que acho que é um momento interessante pro setor ferroviário aí de início de de onda, né? E aí você citou essa questão do prazo, que outros mecanismos que você pode falar pra gente que estão sendo estudados nessa solução? A gente tem buscado encontrar diversos mecanismos do setor ferroviário. André, legal você ter perguntado, porque a gente tá, esse ano teve uma novidade que foi muito bem-vinda pro setor ferroviário, que foi o o enquadramento no fundo clima de material rodante, né, de vagão e de de trens, né, da fabricação de trens, aquisição de trens pelas pelas empresas de transporte ferroviário. Isso tá valendo desde o início do ano, foi festejado pelo setor, era uma coisa que estava sendo demandada, né? E é bom tanto pras empresas que transportam e aí é bom
pro meio ambiente porque ferrovia você descarboniza, né? Você tira caminhão das rodovias e é bom pra indústria nacional também que fabrica esses esses trens, né? Et agora o BNDES acabou de aprovar um aumento do limite para esses financiamentos. tinha um limite de 500 milhões por por grupo econômico, por ano. E frente à demanda que a gente tá vendo das empresas e a gente aumentou para 1 bilhão, acabou de ser aprovado isso faz cerca de 15 dias e vai viabilizar, a gente espera fazer aí financiamentos relevantes ainda esse ano com esse recurso e e com isso ajudar, né, a trazer mais investimento pro setor, né? E aí, material rodante, só para explicar para gente, para quem tá nos assistindo, é vagão, né? O trem, vagão, trem, locomotiva, tudo isso. E Felipe indo para outro setor agora, né, o saneamento, né? Nós temos temos aí o marco legal do saneamento, que sempre foi um desafio, né, pro Brasil. Aí a questão eh da universalização, o quanto o banco em termos de números contribuiu para essa busca da universalização e quais desafios você entende que ainda exista para que o Brasil realmente conquiste a universalização? A universalização é um assunto que é muito caro pra gente lá no
BNDES, porque o banco teve uma participação muito próxima desde o início, né? Então, começou pela estruturação dos projetos. Os primeiros projetos antes mesmo do marco começaram no BNDES, né, o Rio de Janeiro e Alagoas, que foram os dois primeiros, começaram, se eu não me engano, estruturação em 2017 as concessões. E e aí do de lá para cá, o BNDES participou de praticamente todos os grandes projetos, né, os projetos relados pelo BNS, se eu não me engano, chega 80, 90 bilhões de capex já leiloado, né, de estruturação de projeto. E daí do lado do financiamento, o BNDES também entrou justamente financiando e compondo com o mercado o financiamento para esses projetos. Então a gente tá em carne aí com com o setor. Sim. E tem funcionado bastante, né? Os o investimento em saneamento aumentou muito, saiu da casa de 15 bilhões para 44 bilhões no ano passado. Esse ano deve aumentar, deve chegar em 50 bilhões, coisas assim. E com isso vai avançando na agenda, né, que que o Brasil tava muito para trás, né? Então, acho que a gente tá mais ou menos no meio do caminho aí dessa dessa universalização. E agora tem um desafio muito grande de como fazer esse segunda essa segunda
metade, né, que são projetos mais difíceis, você chega em áreas rurais e vai precisar de novos novos novos jeitos de pensar os projetos para viabilizar, né? Acho que vai ser um desafio grande e que o o BNDES tá à disposição para participar e tá tá ajudando a pensar como como enfrentar, né? E Felipe, a gente citou aqui três setores, né, que o BNDES tem participação relevante. Eh, eu sei que é uma pergunta talvez um pouco difícil de responder porque é uma questão que não tá no seu controle, mas dentro do ambiente que você vê, tanto de outras, a gente teve, a gente sempre recebe aqui, eh, lideranças do setor de infraestrutura, eles valorizam o papel do BNDES, você vem que dependente dos resultados que a gente tenha nas urnas, a forma o momento da infraestrutura, ele vai manter eh eh todas essas questões que o BNDES tá trabalhando, né, você você até citou Isso, né, que a gente vê com papel mais de estado e menos de governo. Você talvez só espera ou você acha que a gente deve ter algo, isso eh disso pros próximos anos do BNS, continuar com esse papel, dependendo de quem esteja na cadeira? Sim, eu torço muito e espero,
né, e realmente espero que isso aconteça, porque o os investimentos em infraestrutura vão continuar. Acho que isso virou uma agenda de estado mesmo. Não sei que tem alguma imprevisto muito grande, né? Mas esperamos que continuem tendo projetos. E o BNDES tem um papel relevante e que tá sendo feito de uma maneira que respondeu as críticas do mercado um pouco, né? e tá atuando junto com o mercado. Então, encontrou-se um papel ali pro BNDES que é apoiar os grandes projetos e fazer isso junto com o mercado, trazendo o mercado, tendo uma atuação anticíclica. Então, esse ano, por exemplo, agora o mercado de capitais fechou um pouco desde o metade do primeiro semestre, então tá, o BNDES tá sendo muito demandado. Então, o BNDES tem um papel agora que acho que tá mais eh, como que a gente pode dizer, tá mais unânime entre todas as frentes, assim, né? ideológicas, digamos, acho que tem uma aceitação do papel do MND infraestrutura que que tem que continuar e que é importante pro desenvolvimento. Então, eu espero e confio que continuará tendo um papel bastante relevante na infraestrutura. Ô, Felipe, a gente sempre fala do número mágico aqui de investimento em infraestrutura, 4% do PIB, né? a gente vê
um crescimento significativo de investimento, né, com esses modelos, principalmente esses investimentos privados, eh, mas um decréscimo do investimento público aí pelas restrições fiscais. Na sua visão, eh, o que que a gente precisa estimular dentro do país em termos de políticas públicas para que a gente consiga chegar nesse patamar de 4%, né? Nosso país carece de infraestrutura e a gente melhorou muito o investimento privado. E como maximizar para que a gente chegue nesses 4%? A gente tá no caminho, né? Eu diria. Acho que a gente tá acho, acho mesmo que a gente tá no caminho, o país tá amadurecendo muito nos setores, né? O que eu acho que falta pra gente avançar mais, a questão do do financiamento não tá totalmente resolvida, né? Então, como eu falei, acho que avançou muito. Hoje você tem o BNDES participando com 30%, o mercado com 60%, mas a gente não conseguiu ainda chegar no investidor institucional, né, nos fundos de previdência, que são os principais financiadores no mundo, né, de de infraestrutura. Então, acho que esse passo é muito importante e a gente tá trabalhando para isso no BNDES. Então, até interessante mencionar, a gente tá anunciando essa semana a primeira debentor de infraestrutura, né, da lei 14801 para
rodovias. É a segunda do país. A primeira foi a gente que estruturou também pra ferrovia, foi justamente pra ferrovia da Shotline de Odourado. E agora, essa semana a gente tá anunciando a primeira debentor de infraestrutura pra rodovia. E a debent de infraestrutura foi criada com o objetivo de atrair o investidor de fundo de previdência, né? Como ainda tá engateando o mercado, isso ainda não tá acontecendo, mas isso esperamos que isso comece a acontecer, os juros caindo, isso deve começar a acontecer. Então eu acho que ter um ambiente, terminar essa evolução do mercado de capitais e do financiamento infraestrutura é muito importante. Acho que o avanço nos nos na regulação é muito importante também. Então já avançou muito, mas ainda falta muita coisa, né? Falta completar esse modelo ferroviário para ter uma solução para construir novas ferrovias. falta avançar no saneamento, né, na regulação estadual ali ou municipal, ter isso mais bem amarrado. E mas acho que a gente já enfrentou vários vários problemas que pareciam insolúveis, né? Então, por exemplo, 15 anos atrás você olhava para projeto, você não tinha projetos, né? Você tinha um problema no Brasil de não ter projetos. Era meio que toda hora sair no jornal, o Brasil não tem projeto,
tal. Isso de certa maneira enfrentamos, né? Atualmente você consegue fazer bons projetos no Brasil. Talvez agora o desafio seja fazer em grande escala, né? Tá precisando de muito projeto e falta engenheiro para fazer projeto, falta, né? Mas a gente já tem uma prateleira de projetos. Então tem o pipeline de rodovias, você tem uma ideia que vai ter aí mais 50 rodovias que estão em estruturação, né, como o André colocou. Então essa questão dos projetos estamos enfrentando. Mas é isso. Acho que a gente tá tem um copo meio cheio aí de vários avanços e tem grandes desafios ainda para para dobrar o investimento quase ainda, né, que é necessário. É, inclusive teve o lançamento recente do Plano Nacional de Logística, né, que faz esse grande mapeamento desses projetos. Eu queria destacar um ponto que você trouxe, né, do dos dos fundos de previdência no mundo, eles serem o grandes financiadores eh de infraestrutura. Eu queria que você me explicasse muito porque que esse modelo não é executado no Brasil, talvez como é fora do do país. Eh, vocês trouxeram, você falou que trouxe o BNS trouxe essa solução para tentar atrair esse fundo. Mas o que falta além disso, né, que outros mecanismos eh o setor
como todo tem que fazer para atrair esse esses fundos de de previdência para ajudar no financiamento de infraestrutura? Essa acho que é uma das principais perguntas aí que tem que a gente pensa muito e conversa muito com os atores até com os com as associações do fundo de previdência, né? Acho que tem um pouco história da história econômica do país também, né? Se você pegar da década de 90, você tinha um overnight ali, taxas de juros muito altas, né, de 30%, 40% depois do plano real, o investimento e poupança privada e a toda para títulos públicos, né, ou para principalmente para overnight. Depois que foi amadurecendo, a taxa de juros foi caindo, a inflação também você continua tendo muito esse investimento, mas aí começaram aparecer outras classes de ativo que, né, que começou a se alocar, tipo ações, etc. Mas a taxa de juros ficou sempre num patamar elevado no Brasil. Então, muito boa parte da poupança ainda vai para título do governo e principalmente pros fundos de previdência é muito confortável você investir em título do governo porque você tem uma meta atuarial ali que normalmente o juros de longo prazo do governo cobre essa meta. Então, pro gestor do fundo é muito confortável
investir ali e tá resolvido, né? Então, acho que nesse nesse ambiente e e essa é a importância da debentor incentivada, né, que que acho que tem uma discussão de tirar o incentivo e tal. mas que não tá se olhando muito para esse lado. A poupança privada sempre foi para título do governo ou pro overnight, né, para fundo de DI, para LFT, né? Quando é bent incentivada, foi a primeira vez que você conseguiu canalizar poupança privada para investimento de longo prazo. É o único, é o único caso praticamente ações também, né? Mas assim, para renda fixa longo prazo, para investimento, acho que debent incentivado é o único caso no Brasil. E isso tá acontecendo, né? E aí você conseguiu trazer a pessoa física. Demorou para trazer, né? A lei foi criada em 2012 e isso cresceu mesmo a partir de 2022, 2023. O mercado de demos incentivadas paraa previdência, eu acho que é isso, é um é um é um movimento parecido. Você tem que começar a criar outras classes de ativo que sejam atrativas para eles e tem que começar a fazer sentido para pros fundos também. Então, começando a se desenvolver a DB de infraestrutura, que qual que é a lógica, né? Só para
explicar também que acho que são coisas muito técnicas, muito específicas, né? A Debent incentivada, você zera o imposto de renda pro para quem comprou o título. Então, para para nós, por exemplo, pessoa física, vale muito a pena comprar uma dement incentivada porque você paga imposto de renda zero. E aí que criou o mercado, né, que você alocou a poupança privada, aí vai, faz sentido pra gente comprar, né? Então vem o BTG, o XP, oferecem pra gente debentura incentivada, a gente compra. É um é um bom investimento. A, só que pros fundos de previdência isso não funciona porque eles não pagam imposto de renda nos títulos, então o incentivo não funciona. Aí a debentor de infraestrutura colocou um incentivo na empresa que emite. Então na prática, você emite com uma taxa mais alta. Então, uma debentor incentivada que é 7% mais o IPCA, se você for fazer debent de infraestrutura, ela vai virar, sei lá, 10% mais IPCA. E aí começa a fazer sentido pro fundo de previdência comprar. Essa é esse é o conceito, né? Aí eu acho que tem duas coisas que não aconteceram ainda. Primeiro, você tem um mercado de títulos. Então, a acho que você tem duas, talvez, acho que tem três
emissões, tem duas do BNDES, tem uma que o BNDES não participou de demitor de infraestrutura. Então, tá muito engatinhando ainda o mercado. Então, esse mercado vai acontecer. A gente tem mais uma meia dúza de emissões para sair esse ano aí de debentor de debement de infraestrutura e aí você começa a ter o mercado e pelo outro lado você precisa que faça sentido pros fundos e aí para isso precisa começar a cair a taxa de juros longa, né? Perfeito. Quando isso acontecer, acho que aí você fecha as duas pontas e começa a trazer esses caras pro investimento, né? Ótimo, Felipe. Eh, trazendo para um outro desafio de infraestrutura, né? O desafio de infraestrutura urbana, né? Você citou quando foi falar de ferrovias, o transporte de passageiros em linhas ferroviárias, né? O quanto o banco hoje tem contribuído para esses investimentos de mobilidade urbana, né? Trens, metrôs, quais projetos você pode citar pra gente eh para resolver a vida eh da população que mora nesses grandes centros? Ô, isso é muito legal, viu? Vou falar, vou falar de ônibus elétrico aqui, porque daí falo do, do restante, porque ônibus elétrico é uma agenda que a gente tem muito orgulho lá, que é muito recente no BNDES, é
uma tecnologia nova, né? Uhum. Mas o banco não financiava ônibus elétrico, começou em 2023 e nesse período virou o maior financiador da América Latina de ônibus elétrico. Muito bacana, né? Que é uma coisa pra população é muito bom, pro meio ambiente é muito bom, né? pra indústria nacional é muito bom, é muito bom para todo mundo, né? Então, saando em São Paulo, a gente financiou 2000, a gente financiou 1300 ônibus aqui em São Paulo, né? Tem um monte de ônibus elétrico aqui em São Paulo e vários outros municípios. inclusive fez um projeto de project finance no Recorse para ônibus elétrico em São José dos Campos para eletrificação de 100% da frota, que foi junto as duas coisas e e a gente tem uma preocupação grande de buscar incentivar os projetos de mobilidade. Então, no financiamento a gente fez vários financiamentos muito relevantes nos últimos anos. Então, para além dos ônibus elétricos, a gente financiou o TIC aqui em São Paulo, né, o trem intercidades que chega vai até Campinas. finançou a linha dois do metrô, diversos financiamentos aí eh de mobilidade mesmo, mas principalmente acho que a grande contribuição agora mais recente é o estudo nacional de mobilidade, que acho que vocês já conversaram aqui
com com o Nelson Barbosa, né, o diretor lá do BNDES, e que traz uma carteira aí de 168 projetos de mobilidade estruturantes, né, em 21 regiões metropolitanas. E é muito interessante de onde veio esse estudo, né, que veio de um seguinte diagnóstico. Em 2020, 2021, o BNDES começou a tentar estruturar projetos de mobilidade e quando ia conversar com as regiões metropolitanas não tinha projeto, o cara não sabia qual que era o projeto que precisava fazer, então teve que dar um passo atrás e aí o banco decidiu fazer esse estudo nacional para mapear nessas regiões quais são os projetos estruturantes. Então, acho que é um momento bem interessante de também esse, eu imagino que seja um um uma próximo uma próxima onda de investimento aí em mobilidade, porque aí é média e alta capacidade, né? Aí não é ônibus, né? É trem. Uhum. Trem urbano, né? Metrô e BRT, né? Então acho que é um início de ciclo aí, possivelmente. Tomara. É, sem puxar muito minha sardinha, né? que foi inclusive o a história de uma das empresas que tá investindo na imobilidade, que é a Motiva, junto também com esse estudo, foi a história da da edição que eu assinei a capa, falando muito sobre
a necessidade que o Brasil tem de se investir em mobilidade urbana, né? Porque a gente olha aqui em São Paulo, né, onde fica a redação da Exame, a gente tem linhas de metrô relevantes, né, de trem, mas ainda há quem do que São Paulo precisa. Quando a gente vai para outras capitais, tem capitais que nem o o pouco que São Paulo tem consegue replicar. Então, é uma coisa bem eh bem importante mesmo. Um ponto que eu queria trazer também de uma fala sua sobre eh hoje o desafios, né, também olhando pra execução, eh, que não tem muito a ver com o o BNDES, mas também eu queria entender como vocês observam, porque a gente vê que a gente tá num pico de capex, você citou aí a falta de engenheiro, né? Enfim, então a gente já todo programa a gente ouve dos eh diretores das empresas que é uma dificuldade, eles estão tendo que formar dentro de casa. Como que você vê que o BNDES senta na mesa? Às vezes não para dar uma solução, mas para ouvir e também direcionar para entender como como se pode eh eh suprir esses buracos, né, esses gargalos que vão existir no meio do caminho, porque é muito
investimento. Saneamento é um ótimo exemplo, né? Sabesp que tá investindo como nunca investiu. A gente sabe que, por exemplo, em Minas, Copasa também terá que fazer muito investimento. Então, os fornecedores na no limite são os mesmos, né? Então, como que o setor você acha que vai se organizar ou é algo que talvez os governos, tanto estaduais quanto federal e aí com atores parceiros como o próprio BNDES vai conseguir ajudar a resolver essa questão? Isso conversa muito com o planejamento, eu acho, né, que até você mencionou do PNL, né, de ter uma ter uma esse pipeline de projetos. É um problema difícil de endereçar, né, de formação de uma hora para outra. Quando você tá num ciclo que tá crescendo muito, é difícil você formar a tempo. E eu acho que você ter essa visibilidade que atualmente a gente tem no Brasil, né, de projetos pros próximos anos, ajuda muito todo toda todo o setor a se a se organizar. Então, desde as empresas de engenharia a começarem a se organizar, as empresas das concessionárias a buscarem soluções, né? Então, conversando com as concessionárias rodoviárias, por exemplo, que pegam extensões grandes espalhadas pelo país, né, elas vêm procurando, por exemplo, contratar empresas locais, que é algo
que não se fazia antes, né? antes contratavam grandes grupos de engenharia e agora estão contratando grupos locais e estão inclusive incentivando os grupos locais, né, financiando os grupos locais para se se consolidarem, né, para terem ficarem mais parrudos para fazer frente aos projetos. E aí com essa visão de longo prazo, eu acho que a gente consegue dar o tempo, que não tem muito tempo, mas permitir que se organizem, as empresas se organizem para correr atrás, que é realmente um desafio. Num ciclo de crescimento, é um desafio muito grande, né? Ô, Felipe, eh, você citou um pouco quando falou do setor rodoviário, da maturidade do setor nas repactuações, nos contratos estressados, né, na solução. Eh, o banco participou ativamente eh de uma dessas contratos que não estavam performando, que era o o contrato da 163 do Mato Grosso, né, do Mato Grosso. Eh, como foi construída essa estrutura de capitais para conseguir e o aporte que estava precisando e pro estado do Mato Grosso destravar essa rodovia tão importante? Essa rodovia é muito bacana porque foi o primeiro caso da do TCU Consenso. Na verdade, mais do que isso, ele foi o caso que meio que originou o TCU Consenso, né? E justamente era uma concessão
estressada que tava totalmente parada, né? E que era da OTP. né? E teve todos os problemas, a OTP ficou sem condições de tocar o projeto. É um corredor muito importante, passa 20% do dos grãos do país passam nessa rodovia e ela não tinha nenhuma, era era uma rodovia da morte, não tinha condição de traficabilidade nenhuma. Então você teve uma iniciativa ali do estado do Mato Grosso, né, de de tentar comprar a concessão e acabou conseguindo, né, agora é um sucesso. e se deparou ali o BNDES, eh, naquele momento não tinha financiamento na concessão, então a gente participou mais ajudando como um consultor quase, né, participando das discussões para ajudar a pensar as soluções e tal, mas foi muito no nesse espaço de projetos estressados, que você tinha ali uns 15 projetos que estavam nessas condições, condições parecidas. E ele representa uma mudança um pouco de chave, uma virada de chave na compreensão da institucionalidade brasileira, né? Que é a seguinte, um contrato de concessão de 30 anos, você não pode imaginar que aquele contrato que você assinou no início vai ter que ficar sempre igual, com as mesmas obrigações, com o mesmo, né? Esse contrato ele precisa de um grau de flexibilidade para ele se
adaptando às condições da realidade mesmo ao longo desses 30 anos, né? Isso é assim no mundo inteiro. Você não não pode imaginar que se vai ser estanque, né, um contrato de concessão de longuíssimo prazo. E esse e era essa esse era o entendimento antes da desse desse projeto, né, que os contratos eram estanques. E aí virava um problema, reequilíbrio, as agências tinham questão de apagão de canetas, né, de muita insegurança em relação a a mexer no contrato, né, fazer essas coisas. E aí com esse projeto, isso meio que essa página meio que foi virada. Se entendeu que você tem que olhar aquele contrato, entender o que aconteceu e adaptar aquele contrato pra realidade, que foi isso, né? Nesse caso foi o o estado do Mato Grosso, uma empresa estatal comprou a concessão, montou uma empresa ali pública para tocar essa concessão. O e o contrato foi repactuado com novas metas, com revisão do do pedágio, associando aumentos de pedágio à entrega dos investimentos e redesenho das obrigações, modernização das obrigações do contrato, tudo isso. Então, foi super positivo, né? E agora tá, o BNS depois financiou no Recorse, inclusive também 5 bilhões. A obra tá todo vapor, deve concluir a duplicação inteira da rodovia, 850
dos projetos acontecerem, né? E e os setores que estão dando certo continuar, né? Rodovias, etc. E o BNDES, eh, eu gostaria de ver cada vez mais sólido no sentido um pouco do que já vem fazendo. Então, entrando nos projetos mais difíceis, nos projetos mais desafiadores, trazendo o mercado, conseguindo trazer os fundos de pensão, meio que completando, né? Acho que dá pra gente pensar que a gente tá meio que numa revolução no setor de infraestrutura. tá mudando muito, o investimento crescendo muito, financiamento mudando muito. Eu acho que daqui 5 anos, se a gente conseguir completar essa mudança, vai ter sido um sucesso total, né? Você tem um mercado desenvolvido com BNDES atuando nos projetos que precisam do BNDES e com esse investimento espalhado pelos setores, fechando o gap aí de investimento, né, que é da casa chegando a 4, 5% ao ano. Ótimo. Queria agradecer o Maurício por mais uma entrevista conduzida. Maurício, obrigado. Eu que agradeço, André, agradecer o Felipe pela ótima conversa. É, se agradecer, Felipe. As portas da Exame estão sempre abertas para próximas conversas, Felipe. Obrigado. Foi um prazer. E agradecer você que nos acompanhou até aqui. Curta, compartilhe esse vídeo, siga Exame nas redes sociais e também acesse o nosso site para acompanhar todas as notícias sobre o setor de infraestrutura, sobre os leilões e também sobre as novidades. Aguardo você no próximo programa. Até lá. เฮ
dos projetos acontecerem, né? E e os setores que estão dando certo continuar, né? Rodovias, etc. E o BNDES, eh, eu gostaria de ver cada vez mais sólido no sentido um pouco do que já vem fazendo. Então, entrando nos projetos mais difíceis, nos projetos mais desafiadores, trazendo o mercado, conseguindo trazer os fundos de pensão, meio que completando, né? Acho que dá pra gente pensar que a gente tá meio que numa revolução no setor de infraestrutura. tá mudando muito, o investimento crescendo muito, financiamento mudando muito. Eu acho que daqui 5 anos, se a gente conseguir completar essa mudança, vai ter sido um sucesso total, né? Você tem um mercado desenvolvido com BNDES atuando nos projetos que precisam do BNDES e com esse investimento espalhado pelos setores, fechando o gap aí de investimento, né, que é da casa chegando a 4, 5% ao ano. Ótimo. Queria agradecer o Maurício por mais uma entrevista conduzida. Maurício, obrigado. Eu que agradeço, André, agradecer o Felipe pela ótima conversa. É, se agradecer, Felipe. As portas da Exame estão sempre abertas para próximas conversas, Felipe. Obrigado. Foi um prazer. E agradecer você que nos acompanhou até aqui. Curta, compartilhe esse vídeo, siga Exame nas redes sociais e também acesse o nosso site