Em entrevista à Exame, o superintendente de Infraestrutura do BNDES, Felipe Borim, afirmou que o banco dobrou, de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão por ano, o limite de financiamento por grupo econômico para fabricar e comprar trens, vagões e locomotivas. Segundo Borim, a mudança foi aprovada cerca de 15 dias antes da entrevista, e a expectativa é de "financiamentos relevantes ainda neste ano" com esse recurso, com o objetivo de atrair mais investimento ao setor ferroviário.
De acordo com a matéria, o material rodante entrou nas linhas do Fundo Clima no início de 2026. A medida cobre tanto a produção de equipamentos quanto a compra por empresas ferroviárias, com foco na indústria nacional e na descarbonização do transporte.
O superintendente também fez um balanço do ciclo de financiamento: o BNDES deve encerrá-lo, iniciado em 2023, com mais de R$ 300 bilhões aprovados para infraestrutura, e cerca de 80% desses recursos são concedidos sem subsídios. Parte relevante das aprovações usa debêntures, que permitem dividir as operações com investidores e bancos e possibilitam ao BNDES vender títulos no mercado secundário para reciclar seu balanço.
Segundo estimativa de Borim, a participação do banco no financiamento de projetos de infraestrutura caiu de cerca de 90%, em 2010 e 2011, para cerca de 30% hoje, enquanto o mercado de capitais responde por cerca de 60%. Como exemplo de estrutura de longo prazo, a matéria cita o bloco SP-MS-PA-MG, que inclui o aeroporto de Congonhas: uma operação de R$ 5,7 bilhões estruturada com debêntures e o Santander, na qual de 60% a 70% dos recursos ainda poderão ser alavancados entre 2030 e 2032.
O superintendente também foi entrevistado no Exame Infra Podcast, coprodução entre a Exame e a Suporte, e a conversa deu origem ao Episódio 41 do programa. No podcast, o CEO da Suporte, Maurício Malanconi, atua como cohost ao lado do repórter André Martins, da Exame.
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https://exame.com/brasil/infraestrutura/bndes-dobra-teto-de-financiamento-para-infraestrutura-ferroviaria/