Em artigo publicado no portal InfraRoi, Maurício Malanconi, fundador e CEO da Suporte, argumenta que o Brasil já sabe anunciar, financiar e contratar novas obras, mas ainda precisa amadurecer a forma como administra a infraestrutura que construiu. Para ele, a inauguração de uma rodovia, ponte ou ferrovia não encerra as responsabilidades da engenharia: é o início do período mais longo e exigente do empreendimento, em que a estrutura precisa provar, por décadas, que segue segura e funcional.
Malanconi cita dados da ANTT de agosto de 2026: a carteira de concessões rodoviárias federais soma R$ 306 bilhões em investimentos previstos e R$ 219 bilhões em operação, manutenção e serviços aos usuários, em 36 contratos e cerca de 18,1 mil km de rodovias. A pergunta que antecede a decisão de investir, segundo ele, é se os ativos são conhecidos o bastante para definir onde, quando e como aplicar esses recursos.
O CEO defende que pavimentos, taludes, contenções e pontes não se deterioram de forma uniforme, e que a ausência de sinais visíveis não prova bom desempenho. Por isso, as estratégias de monitoramento e manutenção devem ser proporcionais à criticidade de cada ativo, ao histórico de desempenho e às consequências de uma perda de funcionalidade, e não definidas só pela gravidade aparente do defeito. Ele lembra a Instrução Normativa nº 2/2026 do DNIT, que atualiza o programa PROARTE de manutenção e reabilitação de obras de arte especiais e estruturas de contenção, como sinal de avanço nessa direção.
O ponto central do artigo é a gestão da informação: investigações geotécnicas, ensaios laboratoriais, projetos, registros de execução, inspeções e intervenções são investimentos em conhecimento, mas perdem valor quando ficam dispersos em relatórios e planilhas que não se comunicam. Malanconi defende identificação consistente dos ativos, padronização dos registros, rastreabilidade e um histórico técnico que comece na fase de implantação e acompanhe o ativo durante toda a operação, evitando reinvestigar estruturas já estudadas.
Segundo o autor, dados estruturados não substituem o julgamento técnico, mas tornam as decisões mais fundamentadas e rastreáveis, inclusive no momento de intervir: adiar pode gerar custos maiores depois, e antecipar indiscriminadamente também desperdiça recursos. Ele conclui que a infraestrutura não deve ser medida só pela extensão de novas obras e que a qualidade do investimento é confirmada a cada ano de operação.
Veja também: outros artigos de Maurício Malanconi na Imprensa: contratos de 30 anos podem congelar soluções de engenharia? e por que o conhecimento do pré-projeto precisa chegar até a execução da obra.
Leia o artigo completo no InfraRoi:
https://infraroi.com.br/construir-e-apenas-o-comeco-o-custo-de-nao-conhecer-a-infraestrutura-que-ja-temos/