Em entrevista ao Exame Infra, o superintendente de Infraestrutura do BNDES, Felipe Borim, alertou que a falta de engenheiros pode se tornar um gargalo para a execução dos projetos de infraestrutura no Brasil, em um momento de expansão dos investimentos. "Talvez agora o desafio seja escalar. Estamos precisando de projetos e falta engenheiro para executá-los", afirmou. Segundo ele, maior planejamento de longo prazo sobre as obras previstas ajuda empresas de engenharia e concessionárias a se organizarem para atender à demanda.
Borim afirmou que o BNDES deve encerrar o ciclo iniciado em 2023 com mais de R$ 300 bilhões em aprovações de financiamento para infraestrutura, e que cerca de 80% desses recursos são concedidos sem subsídio. Para o superintendente, o setor avançou na estruturação de projetos, mas precisa preparar a cadeia de fornecedores para um volume maior de obras.
Como exemplo de adaptação à escassez de capacidade, ele citou as concessionárias rodoviárias, que passaram a contratar empresas locais de engenharia em vez de concentrar os serviços nos grandes grupos. "Estão, inclusive, incentivando e financiando os grupos locais para se consolidarem, para ficarem mais parrudos e fazer frente aos projetos", disse Borim, que também citou a expectativa de novos leilões de rodovias nos próximos meses.
No setor ferroviário, segundo Borim, há oito projetos estruturados, incluindo Ferrogrão, Fico e Fiol, que somam cerca de R$ 160 bilhões em investimentos previstos. A Ferrogrão, com investimento estimado em cerca de R$ 30 bilhões e construção que pode levar até dez anos, ilustra o desafio: ferrovias exigem grandes aportes antes de gerar receita. O governo desenvolve um modelo de aporte público que combina recursos de outorgas de outras concessões com financiamento privado, hoje em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e o BNDES ampliou para até 40 anos o prazo de financiamento de projetos ferroviários.
A entrevista foi concedida ao Exame Infra, coprodução entre a Exame e a Suporte, e deu origem também ao Episódio 41 do podcast, no qual o CEO da Suporte, Maurício Malanconi, atua como cohost.
Veja também: o teto de financiamento de trens, vagões e locomotivas, anunciado na mesma entrevista, e a atuação da Suporte em Ferrovias e em Rodovias e Concessões, com sondagens e ensaios geotécnicos que sustentam a fase de projeto e execução das obras.
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https://exame.com/brasil/infraestrutura/falta-de-engenheiros-pode-travar-projetos-de-infraestrutura-no-brasil-diz-superintendente-do-bndes/