A metodologia MCT (Miniatura, Compactado, Tropical) classifica solos finos tropicais a partir de corpos de prova de dimensões reduzidas. Desenvolvida por Nogami e Villibor em 1981, ela gera dois coeficientes, c’ (argilosidade) e e’ (laterização), que posicionam o solo em um dos 7 grupos da carta MCT: 3 de comportamento laterítico e 4 de comportamento não laterítico. Este guia reúne o essencial e aponta, ao final, os textos detalhados da Suporte sobre cada ensaio.
Atualizado em 02/11/2026 · Elaborado pela equipe técnica da Suporte Sondagens e Investigações.
Por que existe a classificação MCT
Os órgãos rodoviários empregaram por décadas a classificação HRB, de origem em clima temperado, que costumava gerar resultados pouco representativos do desempenho estrutural dos solos tropicais finos. A metodologia MCT determina propriedades mais próximas do comportamento real desses solos quando compactados e expostos à variação de umidade. O DER/SP e a Prefeitura de São Paulo já exigem a classificação como critério de projeto.
Solos lateríticos e não lateríticos
Solos lateríticos são, em geral, maduros e estáveis nas condições tropicais, pouco ou nada expansíveis e com comportamento favorável a aplicações rodoviárias. Solos não lateríticos tendem a apresentar características menos favoráveis à pavimentação, principalmente quanto à expansão e à permeabilidade. Os grupos são LA, LA’ e LG’ (lateríticos) e NA, NA’, NS’ e NG’ (não lateríticos).
Os dois ensaios do núcleo da classificação
Sem estes dois ensaios não há classificação. A amostra é destorroada e usa-se a fração que passa na peneira nº 10 (2 mm).
- Compactação Mini-MCV: preparam-se no mínimo 5 porções de solo com teores de umidade variados, sempre com a mesma massa úmida (200 g). Cada porção é compactada em cilindro de 50 mm de diâmetro, com energias crescentes e padronizadas, e a altura do corpo de prova é medida após cada série de golpes. O Mini-MCV é calculado por 10 · log₁₀(BN), em que BN é o número de golpes correspondente a uma variação de altura de 2,0 mm. As curvas de compactação para 6, 8, 12 e 16 golpes fornecem o coeficiente c’ e o coeficiente d’.
Pesagem do corpo de prova no molde miniatura.
Compactação do solo no molde miniatura de 50 mm de diâmetro. - Perda de massa por imersão (PI): extrai-se uma porção de 10 mm do corpo de prova, posicionada horizontalmente e imersa parcialmente em água por no mínimo 20 horas. O material desprendido é recolhido e seco, e a perda é a razão entre a massa seca desprendida e a massa seca da porção original. Com o valor de Pi e o coeficiente d’ calcula-se o coeficiente e’. O par c’ e e’ é lançado no ábaco, que indica o grupo do solo.
Perda de massa por imersão: o material que se desprende cai na cápsula.
Ensaios associados
Não alteram o resultado da classificação, mas fornecem dados para avaliar o solo como base ou reforço de subleito:
- Mini-CBR: capacidade de suporte de solos compactados no mesmo equipamento miniatura, com resultados correlacionados ao CBR tradicional.
- Expansão: medida durante o Mini-CBR, com imersão reduzida para 20 horas.
- Contração: variação do comprimento axial do corpo de prova ao secar ao ar, para antecipar o risco de trincas de secagem.
- Infiltração: velocidade e quantidade de água que penetra nas camadas durante chuvas.
- Permeabilidade: volume de água percolado ao longo do tempo, expresso como coeficiente de permeabilidade.
Método das pastilhas (MCT.P)
É um procedimento expedito para identificar solos tropicais e o comportamento laterítico, complementar à classificação MCT. Veja o ensaio de classificação MCT por pastilhas.
Normas de referência
| Norma | O que cobre |
|---|---|
| DNIT 259/2023-CLA | classificação de solos finos tropicais para finalidades rodoviárias, com corpos de prova compactados em equipamento miniatura. |
| DNIT 258/2023-ME | compactação em equipamento miniatura e perda de massa por imersão. |
| DNIT 228/2023-ME | ensaio de compactação em equipamento miniatura. |
| DNIT 254/2023-ME | Mini-CBR e expansão. |
| DNIT 444/2023-CLA | classificação de solos tropicais de granulação grossa. |
As normas DNIT de 2023 substituíram as antigas DNER-CLA 259, DNER-ME 256/94 e DNER-ME 258/94, ainda citadas em textos mais antigos.
Onde fazer a classificação MCT
A Suporte executa a classificação MCT completa, do núcleo (Mini-MCV e perda de massa por imersão) aos ensaios associados, com equipamentos de compactação miniatura calibrados e controle rigoroso da umidade de cada porção. Conheça o serviço de Classificação MCT.
Sobre a Suporte
A Suporte Sondagens e Investigações (Suporte Solos) é uma empresa brasileira de sondagens geotécnicas, ensaios de laboratório, geologia e geotecnia, atuante desde 2011 em obras de infraestrutura (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, metrô, saneamento e energia) em todo o Brasil. Tem sede em São Pedro/SP, escritório em São Paulo/SP e um banco de dados geotécnico próprio. Conheça a Suporte e os números da empresa.
Outros guias da Suporte
- Ensaio CBR (ISC): guia completo
- Ensaio CPTu (piezocone): guia completo
- Tipos de sondagem de solo: guia completo
Aprofunde-se: textos da Suporte sobre o MCT
- A classificação de solos tropicais
- Fluxograma dos grupos de ensaios
- Ensaio de compactação Mini-MCV
- Perda de massa por imersão (PI)
- Ensaio de capacidade Mini-CBR
- Ensaio de expansão
- Ensaio de contração
- Ensaio de infiltração
- Ensaio de permeabilidade
- Ensaio MCT: detalhes do ensaio
Fontes: DNIT 259/2023-CLA, DNIT 258/2023-ME, DNIT 228/2023-ME, DNIT 254/2023-ME, Nogami e Villibor (1981) e procedimento do laboratório da Suporte.