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[Música] Olá, eu sou André Martins, repórter de Brasil e economia da Exame. E esse é o Exame Infra, seu podcast que discute o presente e o futuro da infraestrutura brasileira. Ao meu lado está Maurício Malanconi, presidente fundador da Suporte. Tudo bem, Maurício? Graças a Deus, André. Tudo bem. É um prazer estar aqui novamente. E no programa de hoje recebemos Venilton Tardini, que é economista, mestre pela USP e presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base, ABDB. Tudo bem, presidente? Muito obrigado por ter aceitado o convite da Exame para discutir a infraestrutura brasileira. Olha, muito obrigado pelo convite. Bom dia a vocês aí. Eh, para nós é uma satisfação estar aqui e poder eh transmitir um pouco daquilo que dentro da entidade nós discutimos com mais de 100 associados e que são a grande estrutura viva que movimenta os investimentos da fritura. Então, André Maurício, é um prazer estar aqui com vocês e acredito que podemos fazer uma boa conversa para transmitir aqueles que vão nos assistir, nos ouvir, eh terem dados e informações importantes para que conheçam com mais
profundidade a importância e o desdobramentos aqui do da atividade do setor. Ótimo. Eu queria começar, a gente tá num ciclo eh de crescimento, de investimento em infraestrutura. E eu queria que o senhor falasse um pouquinho da estrutura da ABDIB e como ela é importante dentro desse cenário que a gente tá ainda quem do que precisaria para realmente se tornar um país desenvolvido, mas a gente tá num crescimento de investimento em infraestrutura. Então queria que o senhor detalhasse um pouquinho do do da estrutura que vocês têm hoje, quantidade de associados e o papel que vocês exercem nessa discussão. Perfeito, André. A ABDB é uma entidade que está completando esse ano, completou 70 anos. Ela iniciou em mais de 55, basicamente eram fabricantes de equipamentos sob encomenda que atendiam as indústrias de base. Então ela inclusive tinha o seu nome, era a Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Indústrias de Base. E ao longo dos anos, com o crescimento desse segmento e por outro lado, depois da crise da dívida e da nossa situação inflacionária, nós começamos a a trabalhar para a o aumento da participação privada na indústria e base e na infraestrutura. Então, a partir de meados dos anos 90, começou todo um processo de criação de agências reguladoras. Eh, nós tivemos a
regulamentação do artigo 175 da do Constituição em que você regulamentava a participação e a concessão de serviços para iniciativa privada. E ali nós começamos um movimento natural, aonde foi nos alinharmos com aqueles que seriam investidores, mas que na época ainda eram os grandes construtores, né? Então a a Abdib começou efetivamente a participar diretamente da infraestrutura nesse período, né? em 96, 97, ela trocou seu nome paraa Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base. E aí entraram as grandes construtoras, entraram as mais as os escritórios de advocacia que estudavam parte de regulação da questão de contratos agora que não era só garantia pública para investimento também que seria feito eh eh por algum ente oficial de crédito também público. Aí fica fácil a garantia, mas quando quem tá investindo tem que prestar garantia ao privado e quem tá dando dinheiro é o público, a relação contratual, o contrato de concessão, o processo que vai eh culminar com o privado entrando, que é você preparar o modelo edital de licitação e assim por diante. Então, hoje o escritório de focacia desempenha um papel importante na BIGB, eh, como também as empresas de consultorias
grandes estão lá. Eh, no ciclo recente, principalmente depois da Lava-Jato, houve no Brasil uma aceleração da saída inicial das construtoras dos grandes projetos e a entrada dos fundos de investimento que hoje são importantes, que fazem parte da BIDB também esses fundos e participo do nosso conselho e junto com eles também eh no período mais recente entraram asseguradoras e resseguradoras E isso completa toda a estrutura de geração de valor da infraestrutura. Para vocês terem ideia, são nossos sócios o BNDS, nosso sócio a Caixa Econômica Federal, os grandes instituições que tratam de questões dessa natureza, né? Falei dos bancos oficiais e bancos privados. E isso permite a Abdib, ela não tratar da infraestrutura para ter uma lógica de beneficiar a X, Y, Z. A lógica é de apoiar aqueles projetos que têm importância sistêmica para a redução de custo e aumento da competitividade. E nós nesses segmentos, a gente tem discutido com todos esses players e isso possibilita uma cultura importante para efeito da gente ter apremurado não só as questões de naturezas contratuais e regulatórias, mas como também da previsibilidade pros investimentos e com isso atrair os recursos. Presidente, a ABDB criou o livro azul da infraestrutura, né, que mapeia centenas de projetos estruturantes.
Uhum. é como esse documento evoluiu e qual é a importância dele hoje. Perfeito. Eh, é é engraçado porque nós tínhamos dentro do nosso conselho, a Bidibe, ela tem um conselho de administração que tem 25 eh CEOs de empresas que participam dos vários setores. O conselho reflete justamente a composição dos agentes que fazem parte dos segmentos da infraestrutura. Então ali você tem o pessoal de saneamento, pessoal de energia elétrica, pessoal de ferrovisas e assim por diante. Pessoal dos fundos, escritório de focacia, consultoria. E houve no planejamento estratégico, alguns anos depois que eu entrei, a gente notava uma deficiência na forma de levar a discussão da infraestrutura, que a BIDB fazia eventos anuais eh sobre infraestrutura em Brasília e a Bidib tá fisicamente localizada em São Paulo. Sim. Então eu lembro até que algumas coisas fal a gente precisa despaulistizar, a gente precisa fazer eh o trabalho que é feito mais diretamente aqui, mas que a gente consiga atingir outras regiões. E assim foi feito. O nosso primeiro eh eh Abidib Fórum Regional de Infraestrutura foi feito em Teresina. Na época era o governador Wellington Dias, eles foram o anfitrião. ia ter uma reunião do
consórcio Nordeste, aproveitaram lá já oito governadores que estavam e a gente fez eh no no dia seguinte a reunião do Consórgio, que estavam lá os governadores, para participar eh desse fórum que nós fizemos em 2018, se não me falha a memória, foi o primeiro que nós fizemos, 18 ou 19, agora não lembro bem, mas é um desses do anos. Mas o importante é que foi um sucesso absoluto, mais de 300 pessoas que nós reunimos. E esse fórum ele tratava de assuntos gerais da infraestrutura, tratava de questões de natureza dos estados da região interface com o governo federal. torcemos eh todos os governadores, todos os secretários de governo daquela região ir para apresentarem seus projetos, os governadores mostrarem qual era a atratividade eh dos seus projetos, seu estado daquela região, como é que tava preparado do ponto de vista jurídico para fazer PPPs, para contrapartida de recursos nos projetos de infraestrutura. E isso ocasionou um contato muito grande com os secretários que trabalhavam nos vários estado, seja em PPP ou do planejamento. E a gente propôs para eles que se nós tivéssemos as informações dos projetos da região, nós conseguiríamos trabalhar
para aquele evento fazendo um caderninho específico, eh, não só dos dados socioeconômicos e de infraestrutura da região, mas de cada um dos países, de dos cada um dos estados. E também faríamos com ajuda deles, pegando as informações e analisando o conjunto de projetos de cada estado e da região. E ali foi feito o primeiro book regional que foi do Nordeste. Depois, no ano seguinte, nós fizemos com o governador Élder Barbalho o do Norte, aonde tivemos oportunidade também de participar da reunião do Conselho Legal da Amazônia, né, fazendo a mesma e porque a você conseguia juntar todos os governadores e fizemos a mesma coisa. A partir desses dois, nós já estávamos com informação de cerca de 16 estados. Falei, gente, agora nós temos que escolher ou nós vamos ficar aqui na situação maisa, que é meu mundo caiu, ou vamos pro modelo Xuxa, que é o criança esperança, só depende de nós. Vamos completar essas informações e fazer um geral. E aí foi que nasceu o primeiro livro azul que contempla o país todo, pega informações não só do governo federal, o PPI é grande parceiro, nós temos até um termo de cooperação com eles, mas também
de todos os estados da federação e alguns outros municípios relevantes. Para vocês terem ideia, o todo ano nós fazemos um evento que chama DIB Experience, aonde o que é apresentado ali é atualização do livro azul e onde é discutido não só o ano em curso que está encerrando, mas também a partir de novos projetos que entraram e de projetos que saíram. Qual que é a perspectiva futura que nós projetamos 4 anos os projetos que estão ali? E nós temos ali projetos que vão ser licitados paraa iniciativa privada. O livro azul que ainda tá em curso, ele tem 495 projetos no Brasil todo, federal, estadual, estadual e de alguns municípios. E esses investimentos só privados que serão licitados, alguns já foram, né, porque foi, são 750 bilhões. Então isso que não tínhamos no passado, que é você ter uma consolidação dessa natureza em que dá para o investidor o estoque de projetos, porque ali não entra projeto fumaça nem fantasma, ele passa pela gente antes. E mais o que eu digo pela gente, é porque eu tenho os principais investidores de rodovia, de ferrovia, de portos, de aeroportos.
Então, se for fake news, não entra no livro. Tem que mostrar porque no passado a gente fazia isso, fazia relação, três páginas de projeto e ia dizer no exterior que nós tínhamos um programa, né? Eh, e só para vocês terem ideia e da seriedade desse trabalho, nós temos um acordo com o Itamarati e e que ele é distribuído por 17 representações comerciais do Brasil no exterior, o livro azul, e ele é feito em português, inglês, espanhol e mandarim. Isso tá no nosso site. Então, não é por falta de idioma, tá certo? E a bem da verdade, esse livro azul que na no início ele se iniciou juntando informações das partes, hoje nós ele sai de uma planilha eletrônica aonde é sistemátic são sistematicamente atualizados os dados de todos os projetos e qualquer um, a gente conversou com o pessoal da USP, da GV para ver que informação que é importante também para elaborar estudo. Então você pode acessar ali um projeto pelo valor, pelo setor de atividade, pelo ente federativo e é constantemente atualizado. Então tem um sistema, ele é de uma plataforma eletrônica, aonde num momento do ano a gente faz um crossession, tira a foto e imprime o livro azul. Ótimo, presidente. Desses 70
750 bilhões que o senhor comentou, eh, o que você tem de foto do momento assim que você pode comentar do que você falou assim, muitos já já até saíram, alguns já saíram nesse ano e o que que ainda está por por sair assim dos grandes projetos. Não sei se o senhor consegue citar pra gente. Vamos lá. Eh, eu tenho justamente aqui numa página que ele abre as informações não no nível de projeto, mas pelo segmentos de atividade, tá certo? Então, por exemplo, eu posso dizer a vocês que o programa do governo federal, um dos maiores que tem o de rodovias, todos que estavam previstos até 2025, eles praticamente estão licitados. Uhum. Então, agora ainda temos 2026, né, a relação de projetos que que serão licitados. Eh, eu não tô com com ela aqui agora, mas o que eu quero dizer é que a parte importante de rodovias federais prevista para 25, o que que vai acontecer? ela vai sair daqui e certamente você vai trazer aquilo que tá sendo projetado de 26 paraa frente pro governo federal. Agora, é importante que nós saibamos que do governo federal eh nós saímos de um nível de participação primária da malha rodoviária eh pavimentada federal. Nós
saímos de 13%, já passamos de 20%, 13% por volta das 22, 23, já passamos de de 20%. E ao final de 2026, muito provavelmente a gente vai ter ultrapassado mais de 30% de transferência da malha pavimentada federal. Eh, exemplos de projetos que estavam previstos em 2005, que saíram, por exemplo, de estados, o trem intercidades aqui do estado de São Paulo, projeto enorme, eh, o próprio túnel Santos Guarujá, né? eh vários projetos que a gente tem visto eh do governo de Minas, de rodovias também e da parte de outros segmentos de atividade, como a gente tem visto rodovias também do Mato Grosso em andamento, sem contar a parte que é um segmento que tem crescido muito desde 5 anos atrás do novo marco regulatório de saneamento, aonde Nós tivemos vários estados, inclusive o próprio Pará, inclusive alguns projetos do Rio Grande do Sul, a parte efetiva da de Alagoas na continuidade, coisas que foram de fato licitadas e que logicamente tanto BNDS quanto Caixa, né,
no fundo lá da Caixa e do BID, você tem uma série de programas ainda ainda eh que serão licitados a partir do ano que vem. Agora, eh eh efetivamente se nós abrimos os investimentos por setor de atividade, é uma coisa impressionante a questão do saneamento, porque nós praticamente saímos de um nível de investimento nesse segmento de cerca de 17, 18 bilhões anos e nós já atingimos em 2004 31 e acreditamos que em 2025 a gente ultrapasse 40. O que significa dizer que nós não acreditamos que vamos atingir a universalização como previsto na lei em 203, mas certamente mais 4 5 anos à frente, tá? E a gente vai ter feito em 7 anos, muito provavelmente o que não fizermos em 70. Então essa para nós e e e você veja a a a a curva como ela efetivamente ela se torna íngreme aqui a partir de 2022, de 21 22 e mais com uma participação privada forte, né? a infraestrutura como um todo, eh, ela tem crescido de uma forma impactante desde 2021, né, e com uma participação privada que atinge eh em em
24, 25, cerca de 83% dos investimentos, muito diferente do ciclo anterior, onde o pico foi 2014, que A preços de 2000 24 aqui nós teríamos um pico de 240 bi. Então em 2024 já tingimos 260 BI. Foi a primeira vez que ultrapassou aquele pico de 2014 com uma diferença. Aqui a participação privada é muito maior e continua. Agora, por outro lado, tem segmentos que precisam de participação maior desse setor público, né? E aí é importante dizer que durante o período em que prevaleceu a regra do teto de gastos, nós estávamos no nível de 35 36 bi de setor público geral. Aí nós passamos em 2023 para um nível de cerca de 4550 B, que ainda é baixo. Para entrar em ferrovias, por exemplo, com PPP, precisa ter dinheiro no orçamento. Infelizmente ainda não temos o adequado. Ô presidente, deixa eu só eh voltando a um pouco desse livro azul, mas a gente sempre diz aqui, eu e o André, o Luciano também, o número mágico de investimento de 4% do PIB. Sim, esse pipel que vocês através da associação vão criando, né, esse pulmão de projetos, vamos chamar assim, eles já garantiririam caso viesse a mercado chegar no patamar de investimento de 4%.
Eu acredito que não no curto prazo, mas a médio prazo é possível que sim, porque eh esses quatro e poucos nós estamos falando eh de uma necessidade do IAT do do de recurso de investimento de cerca de 500 bilhões. Ora, se em 2024 nós investimos 260, o IAT 240 B. Então nós teríamos que aumentar 240 B. E nós estamos aumentando, vai chegar a 280, 290, 300, mas a gente teria que chegar a 500 bi e mantê-lo por 10 anos pra gente sair de uma situação de estoque de infraestrutura de 35% e ter como um país robusto que necessita as mudanças estruturais que o país necessita para que ele chega a 55, 60% de estoque. Aproveitando assim, o que que a gente o que aprendemos eh ao longo desses últimos ciclos que a gente não pode repetir para manter esse esse patamar? É por isso que eu tô no modelo Xuxa aqui esperança, né? Eh, eu acho que a sua pergunta é fundamental, porque nós não chegamos nesse ciclo por ações particulares de fulano Beltran Cicarano. O que houve foi uma curva de aprendizado em função das dificuldades e dos erros cometidos no passado. E logicamente cometeu mais erros que iniciou o processo.
Sim, não é? E o que que nós aprendemos nessa questão? A primeira coisa é que nós temos uma capacitação que se compara aos melhores players do mundo, que é no que diz respeito à estruturação de projetos, né? Eu acho que um fato que possibilitou isso foi, em primeiro lugar, a mudança de governança no setor público que permitiu a interação dos vários agentes, né? se tinha anteriormente uma certa rigidez, uma certa e eh eh afastamento, um um um certo ranço entre o regulador, o fiscalizador, aquele do executivo que tava estruturando e também trabalhando no investimento. Então eu diria para você que o grande divisor de águas desse processo foi a criação do programa de parceria de investimento, o PPI, né, em 2017. Isso possibilitou você ter uma maior articulação entre as agências reguladoras, o executivo, os órgãos de fiscalização e controle, o TCU, né? E com isso você também teve participando desse programa os bancos oficiais federais, os vários ministérios e nível de ministro e subordinado a presidente da República,
né? Eh, isso foi fundamental para você dar uma coesão nesse programa, a exemplo do que tinha sido feito em 90 no ensino das privatizações, quando você criou o PND, eu chamaria o PPI, o irmão gêmeo do PND, porque ele falava de concessões, mas a rigor, eh, você conseguiu, com o nível de articulação que efetivamente deu mais segurança para o desenvolvimento dos projetos através do PPI. E questões que são absolutamente fundamentais, né? Com isso, você pela primeira vez conseguiu de fato priorizar projetos e ter minimamente uma visão de planejamento com médio e longo prazo do horizonte dos investimentos no federal. E também os entes federais, a própria Caixa, BN10, tal, começaram a dar suporte pros entes subnacionais na reestruturação de projetos. Você vê as carteiras, BNDS, iluminatição pública, resíduo sólido, saneamento e por aí vai, entendeu? É fundamental esse tipo de coisa. Trouxeram também junto os bancos multilaterais, que houve no passado uma hipertrofia das instituições oficiais Brasil, né? E houve crowd em out em relação à participação dos multilaterais. Hoje trabalham a quatro, seis, oito mãos IFC, BID, o New Develop Bank, a CAF. E isso é
fundamental paraa sinergia de divisão de riscos entre os entes federais, como Caixa, como BNDS e tudo mais, e também na hora da alavancagem de projeto, porque quando eu tenho uma instituição forte, principalmente de fora, que tem uma imagem internacional também forte, quando ele faz um projeto, fica fácil para ele destinar recursos, é outra coisa. Então o a o PPI foi fundamental e uma coisa que tava meio encostada no governo, começou a ser utilizada para ter maiores ingredientes de planejamento foi a EPL. A EPL ela tava debaixo do PPI. Quando veio a reforma administrativa eh no governo seguinte, ela passa pro Ministério da Infraestrutura, né? E logo na sequência ela se junta a a Valec e forma a Infra SA. Hoje o país tem o o o Plano Nacional de Logist, né? Poxa, é fundamental. você tem pela primeira vez, né, nos últimos anos, né, quando fizer, já tá, tá saindo o segundo, pesquisa de origem de destino e clareza de propósito de prioridade em função de estudos de passageiros, cargas e tudo mais para que você possa priorizar esses investimentos dentro de
um programa. Então, o o PNL, o outro que é o PILP, são programas excelentes. Tem muita coisa a fazer, a evoluir, sem dúvida que tem, mas nós começamos já ter um horizonte de planejamento. parte dos projetos na estruturação, como eu disse para vocês, o BNDS entrando, a Caixa e os multilaterais melhorou substantivamente estudos de viabilidade, mitigação de risco entre o público e o privado. No passado é o seguinte, ó, privado, o teu risco é esse aqui. Não é assim que funciona. Ou senão você pegava o custo médico ponderado de capital, o cara arbitrava e falava qual que ia ser a taxa de retorno do privado. um sistema de preço e o capitalismo não funciona assim, né? Isso é é uma coisa que efetivamente as mesas de negociação melhoraram muito, as discussões, a forma de controle do próprio TCU, maturidade, assim, maturidade. E isso a gente não pode deixar de considerar que é uma curva de aprendizado. Ele não ocorre no momento pontual do tempo, ele ocorre num processo aonde você tá formando gente, você tá desenvolvendo o projeto também com os investidores que entraram, foram amadurecendo aqueles que estão aqui, aqueles que vieram vieram de fora também trouxeram sua cultura e acabaram aumentando e dando densidade para esse caldo de cultura que hoje nós temos, que é o nosso programa, né? Você vê aqui, por exemplo, essas taxas de retorno que são realistas. você praticamente, eu não
vi nenhum projeto que você tenha tido zero de participação, que não tenha sido rapidamente revisado, eh, acolhido as críticas, relicitado e resolveu. nenhum projeto, como ocorreu no passado, aonde você tinha eh eh objetivos, por exemplo, de investimento logo no início do projeto, sem saber o que acontecer com a demanda efetiva. Então hoje a gente tem nos projetos os gatilhos de investimento, né, para você não sofrer os problemas que ocorreu no passado, a que ocorreram no passado, aonde você investia sem ter a necessidade de investir porque tava no contrato no seu compromisso. Então isso mudou muito, essas regras de renovações das licitações, a criação da CESEX, consenso no TCU, espetacular. Nós estamos conseguindo o efetivamente aquele que estava aceitou as regras e topa tocar adiante, mas para ele tocar adiante vai passar por um processo que se outro quiser fazer e tocar adiante em condições melhor que ele pode tocar. Então, é algo que tá num sistema competitivo, não tem nenhum tipo de protecionismo ou o vantagem eh indevida para aquele que tá conduzindo o projeto. Então isso é realmente o o cerne daquilo que fez o programa evoluir, desde planejamento,
critérios, estruturação de projetos com tudo que foi dito. E uma questão que é fundamental, nós mudamos o padrão de financiamento, né? O que que é mudar o padrão de financiamento? Aqui eu tenho, eu vou deixar com vocês. Se pegarem o Brasil, vamos falar no pós 30, que entrou a sua industrialização com recursos externos, não tinha nenhum mecanismo de poupança interno, não tinha mercado de capitais. na década de 60 não continuou muito diferente e sempre o país crescia, aí ele estourava balanço de pagamento, gerava surto de inflação interna e parava o crescimento. Então vinha no programa substituição de importações que era stop and go. Você substituia importação enquanto você não atingia, você tava importando muito no seu crescimento, aumentava o seu endividamento, você quebrava no balanço de pagamento e era o estado que tava investindo praticamente e gerava inflação. Eh, no último ciclo que nós tivemos, nós abusamos demais. Algo que a gente já tinha começado a trabalhar na década de 70, no segundo PND, que a década de 70 você pegou recursos externos ainda no final do do crescimento eh dos petrodólares e tinha BNDS. Então você tinha recurso externo e BNDS que aconteceu vez 79, o segundo choque do petróleo e a taxa de juros, você tem um aumento na sua estrutura de dívida de 20% real, né? Eu gosto quando você falar: "Não, mas o pessoal do segundo PND não previu". Claro que não.
Lógico que não. Nem o pessoal que fez o segundo PND e nem ninguém em qualquer lugar do mundo, não é? Então você arrebentou as contas externas do Brasil e uma coisa que fez o país sair disso foi justamente ter criado uma estrutura de investimentos em infraestrutura que dava geração de resultados comerciais, como a siderurgia, como a indústria de alumínio, como a parte de mineração. Se não tivesse feito aquilo, ah, mas eu não teria aquele endividamento que eu tive. Você teria sim, porque ele não era só bens de capital, você tinha na sua balança comercial em 74, era assim, ó, 1/3 que você importava era bem de capital, que era um ciclo que veio crescer com substituição de importações na década de 70, 1/3 petróleo e 1/3 resto. Se você toma um tiro daquela magnitude nos juros e no petróleo, você ia também sofrer o que o diabo amassou do pão, entendeu? Então ali realmente foi um um um choque inacreditável, tanto é que você vinha desde pós-guerra crescendo a média de sete e pouco ao ano e 81 e 83 você tem PIB negativo, né? Bom, mas passando isso no último ciclo, a gente praticamente nem recurso externo, apesar da taxa de juros
internacional baixa e ter reserva cambial, foi utilizado. Foi basicamente BNDS com transferência do tesouro e isso acabou gerando problemas para o BNDS. Sim, chegou a quase 400 bilhões a preço de hoje no seu orçamento, né? E aquela história, né, eh, cresceu demais. Os técnicos estão executando os programas de prioridade. Aí começa as críticas. Ah, olha, fez o por de Mariel, olha, fez não sei aonde, olha. poxa, o técnico recebe aquilo e tem as garantias da União para dar o financiamento, ele concede. E no caso em tela, nós mudamos aqui essa questão porque hoje nós temos uma estrutura de fomento do BNDS que volta a funcionar porque ela saiu de cerca de 400 bilhões ou pouco menos que isso e veio para 70 BI. O BNDS em 4 anos e meio devolveu cerca de 840 bilhões pro herário e praticamente tava sendo utilizado para fazer superável de primário. O banco de fomento não é para se utilizar fazer superado primário, né? Não existe precedente no mundo, não é para distribuir dividendo para esperar primário. Ele tem é que desenvolver
segmentos que são importantes, onde a ação do estado é importante. Bom, nesse caso aqui, hoje o BNDS tá voltando esse ano a 140 bilhões e com detalhe, não com o subsídio que tinha no passado a TJLP, foi criada a TLP. Eu acho de novo que a gente saiu de um patamar muito baixo de taxa de juros e foi um patamar muito alto. Aqueles que eu chamo os mais ortodoxos, não tem que ter taxa de mercado, poxa vida. Então faço um leilão de spread do FAT e entrego pro setor privado tocar o BNDS. Não é banco de fomento. É banco de fomento. Não é para tá disputando taxa com a banca privada. Até porque você pega seu investimentos de 25, 30 ou até mais, que a banca privada ela pode financiar a estrutura do funding dela é um duration de 5 anos, né? Então são coisas diferentes, são coisas diferentes. Então esse esse ciclo nós temos o BNDS voltando, você tem a emissão das LCDs para o fund de BNDS. que faz ele sair um pouco da TLP, sair da TLP, ele tem o fundo clima das emissões de bondes eh eh do tesouro no exterior, que também colocam recurso ali em uma taxa diferenciada. E também o programa de inovação, isso sim, como tem qualquer lugar do mundo, inovação, o nome já diz, nem sempre dá certo, né? Então é o setor público que entra. Foi assim nos Estados Unidos, é assim na Inglaterra, assim na Alemanha e onde quer que se vá eh eh funciona desse
jeito. E articulação dos bancos públicos, BASA BNB, dos fundos trabalhando nisso. E nós temos também com os multilates. Então recursos de fomento nós estamos bem. O que tá faltando no fundo, na parte de fomento é recursos da União. Aí é o contrário, que teve demais da outra vez aqui você tem uma uma fragilidade, mas mesmo assim melhorou em relação ao método. O outro ponto importante são recursos externos. De novo, por tem 350 B de reservas cambiais. Se eu tenho hoje condição de fazer a atratividade dos recursos lá fora, agora ainda mais com a queda de juro nos Estados Unidos, eu tenho estrutura de projetos que são absolutamente boas como atratividade para esses investidores. O Brasil tem um dos maiores programas de infraestrutura do mundo e hoje tem programa, não é? Olha, projeto tal que o cara discutiu ali, tomou duas caipirinha e um negrone, ah, agora temos um projeto. Não é isso, é coisa diferente. Nós ali com o livro azul demonstros projeto por projeto como é que estão essas coisas e acompanhamos. Então é atratividade, você tem planejamento, né? e ah, mas as nossas organizações,
eh, a segurança jurídica, ora, acho que o único país hoje que tem segurança jurídica é a China, por razões óbvias, né, presidente? Eu queria, eu só vou completar aqui, recursos externos, então tem esse programa Ecoinesto do Tesouro, que dá segurança de risco cambial. Tem vários elementos aqui, tem um blend and finance, liquidez cambial, proteção, mas isso é fundamental paraa captação externa que não teve no ciclo anterior, que foi basicamente BNDS. E temos reserva e temos condições de mitigar riscambial. E por último, não menos importante, a questão do mercado de capitais. Então, a hora que você aumentou demais a TLP, o que que aconteceu? O setor se deslocou para a debent incentivada. Uhum. Você ter ideia, o ano passado da demet incentivada foram 135 bi maior do que o orçamento então nós ainda vimos que tínhamos um espaço importante na questão do mercado de capitais porque essa debent incentivada o tomador é pessoa física. O grande investidor para infraestrutura, como é na Ásia, na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, são os fundos e o investidor institucional, os fundos de pensão. E é isso que a debento de infraestrutura ela pretende alcançar. Ela já foi aprovada, tá sendo regulamentada e essa não foi e nem será mexida. E é uma nova etapa pra gente conseguir financiar aquilo que a gente viu de 750 B, que mesmo não chegarmos a
4, 5 anos, aos 500, a gente precisa ter a estrutura clara que a gente tem funding para chegar. Então, por isso que a gente lutou muito para que não fosse retirados os incentivos das debentores de de incentivados. Ótimo. Eu eu ia pronto. Pronto, mas como o senhor tocou na na Mas eu sabia que isso ia por isso na questão das debentores. Eh, tá tá em discussão no no Congresso, né? Pelo que o senhor tá discutindo, já existe um um indicativo do relator que as debentoras incentivadas de infraestrutura não serão tributadas. Olha, e e não só como ontem, ele deu uma coletiva, né, e reforçou isso. Eu tive na audiência pública, tive condição de conversar com ele também. e ele tava realmente convencido da importância do instrumento e que não poderíamos mexer. E depois de tudo que passamos com Lava-Jato, vocês vejam essa curva aqui que a gente ficou praticamente numa situação de paralisação e estamos reagindo a Lavajato com novos players, retomando capacidade das construtoras, que é um capítulo importante que eu acredito vocês vão tratar disso aí também, mas nós não poderíamos passar sem eh é eh fazermos o que era necessário de manter esses incentivos para debentes, com o risco da gente começar a paralisar um ciclo virtuoso num segmento que é vital, seja para competitividade, seja para
transição energética e demais questões são fundamentais como saneamento. Presidente, dentro desse dessa expectativa que o senhor tem citado como uma fase de ouro, né, do investimento em infraestrutura no nosso país, eh quais são os próximos desafios que você entende, né, o que que a associação tá eh pensando em termos de apoio, principalmente nessa preocupação que a gente vê no mercado de mão de obra, de insumos, de fornecedores para conseguir manter esse crescimento que o mercado tá tá demonstrando? Não, muito boa pergunta. Eh, só tenho um passo que eu vou voltar, claro. Eh, porque ele pode antes mesmo da mão de obra que vem a ser um problema mais sério do que já começou a ser, que é a questão de você quando tem uma estratégia de desenvolvimento, ela só funciona se as suas prioridades tiverem a locação de recursos adequada à sua realização. materialização de qualquer programa de prioridades que são dadas pelo governo, por exemplo, os projetos do PAC, a nova indústria Brasil, a taxonomia eh eh da questão da transição energética. Veja bem, isso é real do ponto de vista conceitual? Sim, nós temos uma política industrial moderna baseada em missões. A a economista fantástica, que é Mariana Mazucato, participou com sugestões do programa.
Nós já desenvolvemos a estrutura das cadeias produtivas que precisam ser acionadas. Os órgãos estão funcionando ainda de uma forma um pouco assimétrica. Anda um projeto aqui, outro lá, tal, tal. Mas o que nós precisamos é efetivamente eh quando eu ouço falar: "Ah, mas o PAC não anda". Falou: "Você viu o recurso no orçamento?" Não viu? Esse ano aqui nós temos o que passou 20 bi investimento do que a gente chama estrutura que atinge aqui. Fora energia. Quanto que nós temos de emendas constitucionais? 50 e o 50. Sabe o que significa? É que você tá completamente com o seu orçamento desarticulado das prioridades de médio e longo prazo. Mas isso é tão óbvio, tá certo? E eu vejo falar muito pouco disso, pô. Eu fui diretor de tesoura na montagem de tesoura. Eu fui diretor do BNDS de infraestrutura e de planejamento. Isso. O cara chega para mim e fala: "Olha, você me desculpa, você não tem um programa, você tem um desejo. Programa eu vou verificar se tem ou não tem na materialização financeira do orçamento. Se o orçamento não reflete o que tá no programa, não vai. E é isso que a gente tem
chamado atenção. Então esse para nós é um ponto fundamental. Eu não consigo entender como dentro de uma estrutura fiscal que tem fragilidades, você pode argumentar e faz todo sentido. Ah, não, por que que tá eh eh a previdência vinculado com o salário mínimo? Por que que eu tenho renúncia fiscal grande de quase 700 bi? Eu concordo com tudo isso. Ah, tem programa social, tal, que tudo bem, vamos discutir agora. Vem cá, se a gente tem tamanha fragilidade fiscal, como é que eu pego e aloco 58 B para emenda parlamentar? Meu irmão, conta para mim essa história. Não são 5 milhões, 5 bi, nem 5.8 bi. São 58 bilhões. Eu nunca vi uma estrutura, porque para mim eh eh não é parlamentarismo, não. Se é brasileiro ainda é presidencialista, né? Porque às vezes conversam alguns parlamentares fal: "Não, mas o o parlamento aqui tal é a casa do povo." A gente uma coisa é você ser a casa do povo e desempenhar seu papel. de legislativo, porque o nosso sistema é presidencialista e o presidente também foi eleito pelo voto direto. Então, o programa dele que é prioritário cabe o legislativo estabelecer os contornos de maneira adequada para fazer aquelas prioridades se materializarem e não aconteceu que a gente já viu de emenda parlamentar que vai paraa prefeitura, né, de um município nobre.
para fazer recapeamento de asfalto do condomínio mais caro da cidade, aonde mora o legislador que conseguiu a emenda. Então, esse tipo de coisa que não pode ter, né? Agora, não é porque eh eh tem uma série de outras coisas para discutir, é que eu vou deixar passar 58 bilhões. Uhum. De novo, não existe plano estratégico de desenvolvimento se você não tem uma consistência clara no seu orçamento. E o nosso orçamento é uma peça de ficção. E pensando nesse cenário que não parece se alterar nos próximos, a gente vai ter um ciclo eleitoral agora, mas não se parece alterar essa esse esse espaço do Congresso, do da Câmara, principalmente no orçamento, como que você vê de uma forma realista que a gente consegue resolver esse problema? Será que uma maior interlocução para que essas emendas não sejam direcionadas eh de forma sem critérios e etc, e conversem com o plano do governo? Você acha que isso é possível pensando na realidade? Não, eu acho que é o seguinte, se eu se democrático, estado democrato de direito, eu sou representante de um setor produtivo da maior relevância, né? Eu não sou representante de um setor que acabou de sair da Lava-Jato. Minhas empresas têm faturamento de mais de 1 trilhão e a gente vai falar o que precisa ser dito.
Eu não tenho nenhum tipo de constrangimento de ligarem, falar: "Olha, você tá falando". Eu falei: "Ah, vou continuar falando e vou aumentar o volume, tá certo? Porque eu tô aqui para fazer isso, né? Isso, esse canal que vocês deram aqui, eu faço isso com a maior satisfação possível como representante da sociedade civil do setor produtivo. É simples assim. E falo em qualquer instância, porque isso é um absurdo. São 58 BI. Repito, eu mexeria também em várias outras questões para gerar condições de fazer investimento. Uhum. Seja a questão da vinculação de saúde, educação, seja como eu falei desvinculação disso. Agora, se é uma coisa que vai não, mas tá vendo já tem que mexer naquilo, tem que reduzir gasto corrente. Se você verificar a gasto corrente só de de mão de obra, tirando os penduricalos do judiciário e do legislativo, a nossa mão de obra durante vários anos tá praticamente a mesma coisa. É por isso que a máquina tá esfarrapada. Então, indo a a a sua resposta, eu não podia deixar de falar dessa questão estrutural. A outra questão estrutural que a gente precisa
resolver é a questão que uma coisa tá ligada à outra, agências reguladoras. Eu não posso dar agência reguladora trabalho de duas vezes mais do que ela já tinha, reduzir o seu orçamento e querer que execute de maneira adequada. Se eu tenho um programa sério e estamos falando que precisa ser feito, eu não posso cortar orçamento de agência reguladora. E uma das coisas que estava no corte, nós trabalhamos para que fosse revertido, até as agências foram lá no Senado tudo falar, pô, ia cortar 300 milhões das agências reguladoras, pô, eu tenho 58 bi de emenda parlamentar, você vai cortar 400 milhões de que tá tocando os maiores programas do país. E some-se a isso também a deparização do IBAMA. você não faz projetos dessa natureza. Agora um novo projeto de lei, a gente tá avançando bastante nessa coisa, mas tem que efetivamente da estrutura técnica, né? Nós estamos na idade da válvula do problema no nosso setor público, você tem que digitalizar. Então aí que tem que investimento, não nas emendas parlamentar, quer ter emenda para tudo bem. Bom, vamos 5 B, tá bom? Sete. Aí resolve o problema do superait fiscal, né? que fala o pessoal eh eh da Faria Lim, tá bom? ser primário para você, mais 30 B. Você não tá fazendo isso e aquilo com IOF para dar sete. Vamos lá, vamos pegar onde essa coisa tá ali, tá no orçamento para ser discutida.
Então, eu falei da questão eh eh das emendas, falei da questão das agendas reguladoras o IBAMA e aí a questão que você colocou do ponto de vista da velocidade desse crescimento da quantidade de projetos, principalmente na questão da nossa construção pesada que sofreu o maior impacto da Lava-Jato. E hoje nós estamos sofrendo efetivamente porque esse setor baixou muito. Hoje você vê até muito engenheiro se formando e trabalha no setor financeiro. Exatamente, né? E também você tem outros tipos de ações eh que o pessoal de renda menor complementa e não aceita também. Eh, você faz uma licitação a empresa consultora, nós fez de 100 pessoas de nível mais baixo, veio 300. Nós estamos com o desemprego próximo de 6,5. menor taxa dos últimos 15 anos. Isso é ruim? Não, não é ruim. Nós temos um problema fiscal, nós temos, mas não temos um problema cambial. E para mim, conhecendo o presidente do Banco Central, ele tá com do peixe, eu ten um gato. E ele viu, e a gente havia falado isso em vários seminários, com que fez a taxa de de câmbio chegar a 6,5, não foi o fiscal. Porque aí eu falo para aqueles que sabem, não, a questão era fiscal é, então por que que ela veio para 5.3?
Melhorou o fiscal? Claro que não. Com essa taxa de juro, só piorou. Se você pegar a a a questão do déficit nominal, ele aumentou, vai aumentar quase 1 trilhão esse ano. Que graça tem você fazer um superavit primário de 50 bi? Não é isso. E você não tem problema para fazer emissão da dívida e suportar o o o André Lara Rezende fala isso, eh, eh, e sempre coloca com muita propriedade. Pessoa, para mim, os nossos melhores economistas, né? Eh, inclusive um do dos pais do real, entendeu? Mas os ortodoxos não entendem que a vida não funciona do jeito que eles querem, que com essa taxa de juros ninguém vai a lugar nenhum. Então nós estamos fazendo programa na construção pesada, criamos um comitê específico, criamos grupos de trabalho paraa questão de tratamento de mão de obra, de revisão de processo, trazer iniciativas de maior eficiência para as construtoras. Nós estamos trabalhando firme nisso. Nós temos clareza que isso realmente é um gargalo e é onde que precisamos dar maior atenção. Ótimo. O senhor mencionou dentro da estrutura eh da ABDB sobre a entrada de seguradoras, né, e etc, de mitigação de risco e e outras questões. Eh, como que você vê que você vê que esse a gente teve tragédias recentes, né, Rio Grande do Sul, teve até aqui em São Paulo, São Sebastião também. Como que você vê que esse debate eh ele tá caminhando? Você
vê que ele já tá maduro, já existe um eh consensos em relação a isso para novas concessões, novos contratos? Olha, eu acho que do ponto de vista da consciência do tema eh se avançou muito, não é? Infelizmente por questão de um uma tragédia ou dois casos concretos de tragédias efetivas. Mas isso, sem dúvida abalou. Então, muito tem se discutido sobre isso. Nós temos, inclusive dentro da entidade um comitê de sustentabilidade, tem um comitê para tratar dessas questões referentes à questão de seguros e tudo mais. E estamos avançando, estamos trabalhando para que isso, toda a parte de infraestrutura resiliente, né, eh, absolutamente fundamental. E as nossas empresas de engenharia, elas têm expertise. Nós temos eh eh não só construtoras também de fora, empresas de engenharia de fora, grandes concessionários de fora. Tá todo mundo focado nesse tipo de assunto, porque ele afeta não só projeto em andamento, vê recentemente de um tufão aqui em São Paulo, né? Então, eh, certamente essas coisas têm que fazer parte da agenda e a gente tem se preocupado muito com isso. Temos até com a CNSEC, vamos fazer lá na COP 30 um
um workshop específico para tratar de seguros, de infraestrutura resiliente e coisas do gênero. Presidente, eh, acho que indo paraa minha última pergunta, a infraestrutura pode ser alavanca para reindustrialização do Brasil? Olha, ela tem que ser porque se não for, porque é o seguinte, a infraestrutura ela tem que puxar o crescimento eh por várias razões. Primeiro por conta do déficit que nós temos vários segmentos. Isso gera demanda deprimida e perspectiva de retorno paraos investimentos. Agora, eu não posso deixar faltar recurso para esse investimento ocorrer. E também, por outro lado, eu não posso deixar de fazer o que estão previstos. O o os são previstos tanto na Nova Indústria Brasil como no PAC. O PAC fala de da questão energética, da transição, da questão do conteúdo local. Nós estamos acompanhando o conteúdo local. Se eu tô dando dinheiro de órgão público, não tem problema nenhum eu pedir conteúdo local, como faz qualquer país do mundo. O os Estados Unidos faz isso direto, né? Então aqui tem que fazer também. Eu quero saber nesses projetos que estão saindo qual que vai ser o nível eh de conteúdo local que vamos ter, né? Sim. Veja, recentemente nós fizemos uma coisa e estamos pagando caro. O que que foi? Eh, acertadamente a gente
vislumbrou a capacidade do país em desenvolver fontes renováveis eólica e solar. Só que a gente deu subsídio da pior maneira possível, não expresso no orçamento, é subsídio cruzado, onde você tirava daquele que tinha demanda cativa da energia, que é menos favorecida, e dava para quem estava tocando os projetos novos. Nós cansamos de falar, olha, não renova, foram e renovar os incentivos. conclusão, nós temos excesso de energia, né, lá no Nordeste. Ora, se você tá fazendo um programa dessa natureza, você tem que ter uma visão sistêmica. Olha, eu posso gerar, né, porque já fez errado, prorrogando os incentivos. Vai gerar excedente de energia. Ah, então vamos aumentar o investimento em transmissão. Sim, mas eu tô fazendo a transmissão de uma energia que é intermitente. Eu não tenho. Cadê minha energia da base para segurar essa coisa? O que poderia ter sido feito era você ter um trabalho de com os países vizinhos de fazer o tratamento desse excedente de energia. Você poderia ter aproveitado isso que teve dessa geração para você ter feito algum polo industrial ali e não precisar fazer essa transmissão que o nosso sistema interligado deve ser o melhor e o maior do mundo. É uma coisa maravilhosa, tá certo? Agora, só que a
gente vai tá gastando, pelo que saiu de licitação dos dois últimos três anos, quase 100 bi, né? E alguém vai ter que pagar e essa coisa aí. né? Então agora, e por último, não menos importante, nós repetimos o mesmo erro que fizemos quando privatizamos ali a Telebras. Nós não desenvolvemos a cadeia produtiva local. Então, painel solar, vem tudo de fora. A gente tava com estruturas forte para desenvolver a a a as torres de eólica. A G deixou de fazer isso, a Simens também. Então, essas coisas, se você não tem sinergia, você tem programa, mas ele acaba não funcionando. Agora, isso tá claríssimo na NIP e tá claríssimo no PAC. Uhum. Tá certo? E aí a gente pega, tem que efetivamente cuidar desses reflexos da resiliência, da transição energética, porque a gente tem espaço para entrar no mercado internacional. Isso é um pliro importantíssimo. E efetivamente cuidar da nossa indústria local. Mas para isso, para que eu tenha os programas de infraestrutura andando, que demanda para que eu desenvolva essa indústria, eu tenho que articular o incentivo fiscal e creditício
junto com a questão da demanda, porque com a demanda a indústria responde. Agora, se a gente faz stop and go, ninguém vai fazer uma unidade para você usar 6 meses, oito e depois cair no vazio. Presidente, acho que tá, a gente tá caminhando pro final. O senhor comentou até na nossa conversa antes eh de começar a gravar que vocês têm números atualizados tanto da projeção eh de investimentos para 2025, tanto tanto que é esperado para 2026. Eu queria que o senhor detalhasse um pouquinho. Não, pois não, pois não. Eh, nós aqui fizemos uma primeira estimativa. Eh, nós a preço de 2024 nós tivemos um valor 260 bi aproximadamente. Eh, para 2025 ainda tão em valores nominais, nós estimamos chegar a 280 bilhões. Se você tirar cerca de 4% de inflação, qualquer coisa assim, você vai ver que é um crescimento real, que não é relativamente grande, mas pelo menos você não reduziu. É, o que reduziu o o investimento privado, ele saiu de 212 para 234, mas o público que vinha de 52 bi em 23 para 48 bi em 24, a gente tá estimando que ele vem para 45 biosinais,
a partir de 2024, significa dizer que é uma queda jamais significativa. Aí vem a questão de emendas, tá certo? E o pessoal critica o arcabolso fiscal. O arcabolso fiscal não tá errado. Ele criou uma armadilha inteligente. É que se você não pegar e não cuidar de outras despesas que eu chamo alienígenas, você vai tá ou não cumprindo ou você vai tá sacrificando demais o investimento, que nem a o teto fazia. O teto ele vinculava os principais itens do orçamento engessado. Então você não cortava nada no corrente, nos programas e cortava no investimento. É simples, não dói para ninguém que tá lá escrevendo, só dá na sociedade, né? Então aqui eh eu falei de 280 nominal para 25 e a na mesma moeda eh na para 2026 ele chegaria a 300 bilhões. Aí seria o maior valor da história, né? Seria o maior valor da história. Esses dois anos, não só o 25 como o 26, ultrapassariam ainda para nós levemente, mas estariam acima do pico de 2014. Ótimo. E aí, só para complementar, você falou, você já tinha comentado do setor de saneamento, mas esses resultados, quais são os principais setores que estão puxando além do saneamento? Os que estão puxando, eh, principalmente a parte de transportes, né? e
transportes. Nós temos aí o programa rodoviário que andamento com bastante investimento. Nós temos o programa de mobilidade urbana eh eh no nos estados aí que estão andando. São Paulo, por exemplo, tá com quatro, cinco projetos enormes, como outros projetos também tem Minas, tem eh eh no Paraná, tem no Mato Grosso andando também. E na parte eh do saneamento, nós vamos ter a partir de 25 eh eh já uma pequena queda em função do excedente dos investimentos gerados lá em Eólica e Solar. Nós achamos que deve cair um pouquinho eh eh o investimento em energia eh em 2025. Então esse aqui praticamente é o quadro que a gente tem pro futuro. E sempre lá, principalmente aqui no no saneamento, o energia elétrica é praticamente tudo privado hoje, entendeu? com o predomínio do capital privado. Mas repito, não é porque temos atratividade que temos que avançar com o capital privado, que a gente pode esquecer a importância que tem o setor público na infraestrutura, porque como você falou, para chegar nos 240 a mais do que a gente tá, é, eu tenho, por exemplo, eu eu preciso mudar a minha matriz de transporte e eu só vou conseguir fazer isso a hora que eu entrar de uma maneira disruptiva no
modal ferroviário e a gente passa mandato, entra outra e a gente não muda. Por quê? Porque você tem 58 B de emenda. Agora eu não sei porque que eu repito constantemente 58 B. Parece que é uma coisa, né, que mas eu acho que tem até algum tipo de de de trauma, de pesadelo, alguma coisa assim com esse tipo de coisa. Mas o fato é, gente, que a gente, como eu disse para vocês, a gente tem melhor estruturação de projeto, nós temos bom planejamento, nós temos boas estruturas reguladoras. O único projeto, o setor que tá desarrumado, a meu juízo, é ainda a parte do setor elétrico. Essa questão do subsídio cruzado, esses pontos de excesso de oferta com problemas sérios aí você não fez a vinculação com a indústria para ter adaptado. Então é uma coisa importante, é enorme, o programa de valor de investimento é o maior de todos, mas tá faltando aí uma melhora na regulação. Então nós avançamos na estruturação, no planejamento, na estrutura de funding, tá certo? E último que eu não cheguei a falar com vocês, mas tá aqui que a gente colocou, que é a agenda legislativa, como ela andou, né? Nós de 2024 até 2025 foram 1 2 3 4 5 6 7 8 leis que foram aprovados paraa infraestrutura. Temos
coisa avançar, temos a consolidação de PPP e concessões, que é o PL763, a questão eh de competências do licenciamento ambiental, o 2159. Mas isso aqui já andou. Esse já andou. E tem as diretrizes para mobilidade urbana que é criar o órgão de regulação, que é a 4881 é fundamental. Você não pega que nem com as cidades eh eh eh eh da grande São Paulo, né? Você tem Osasco, tem Guarulhos, só você tem que ter um órgão para dar uma disciplina e interagir com esse sistema de transporte, como tem que ser feito também para questão específica de saneamento. E é isso, mas em dois anos nós avançamos muito, que é uma outra questão que a Bidib trabalha muito eh em relação a essa questão legislativa. Então eu passo a vocês eh fazerem bom uso disso. Queria agradecer o Maurício pela condução de mais uma entrevista. Maurício. Obrigado. Muito bom. Muito bom, né? Agradeço o convite à disposição, André. E agradecer o presidente. Eh, acho que a gente passou por muitos temas, por tudo que precisava falar. E aí, se o senhor
quiser deixar uma uma mensagem final, pastor. Olha, a mensagem final é uma mensagem de otimismo, porque não se chega nesse patamar que nós chegamos e ainda o país tá com reservas cambiais, nós estamos falando de inflação que não chega a 5%. Então, não é o caos. e estamos conseguimos estruturar um programa da maior relevância do ponto de vista para uma estratégia de desenvolvimento, né? Agora tem coisas para se acertar, sem dúvida que tem. Nós temos que ter entre nossos poderes uma maior articulação. Nós temos que ter efetivamente mais condições de trabalhar essa questão fiscal, que é uma questão de economia política. tem que ser discutido, faz parte, é natural da sociedade. Agora, não porque qualquer uma coisa que mexe, eu vai ferir fulano beltrano do da linha A ou da linha B, aí eu faço um puxadinho e crio mais uma exceção, né? Assim não vamos a lugar nenhum. Essa que é a grande questão que é colocada, mas eu acho que a gente tem bons programas, bons projetos, programas gerais, né, que nem Nova Indústria Brasil, que nem a o que temos na infraestrutura, transição energética e tudo mais. E obviamente eu sou otimista sobre as perspectivas, principalmente com a infraestrutura, puxando a indústria e tratando da transeric. Então, queria agradecer aí o
convite, Maurício, André, muito obrigado aí pela oportunidade e desejar aí sucesso a exame e conte conosco naquilo que depender do nosso conhecimento e da infraestrutura. Nós estamos aqui para ajudar e agradecer você que nos acompanhou até aqui. Como eu sempre falo, curta esse vídeo, compartilhe com amigos, familiares, pessoas do setor da infraestrutura, acesse o site da Exame. A gente tem uma editoria dedicada para as notícias de infraestrutura. E até o próximo episódio. [Música]