Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio do episódio. Pode conter pequenas imprecisões.
Olá, [Música] esse é mais um Exame Infra, seu podcast que discute o presente e o futuro da infraestrutura brasileira. Eu sou André Martins, repórter de Brasil e economia da Exame. E ao meu lado está Maurício Malanconi, fundador da Suporte, empresa dedicada a transformar a infraestrutura brasileira. Tudo bem, Maurício? Olá, André. Tudo bem? É um prazer tá aqui novamente. Ótimo. E no programa de hoje a gente recebe Wilson Blley. Ele é presidente da Sanepar, a empresa de saneamento do Paraná. Ele veio aqui na redação da Exame para conversar sobre os investimentos e os planos da empresa pros próximos anos. Wilson, muito obrigado por ter aceitado o convite da Exame. Eu que agradeço a grande oportunidade, a gente tá discutindo um pouco, né, os investimentos no Paraná, Sanepar e ter esse diálogo aberto, essa conversa franca, até porque tem um ditado, né, conversa franca faz bons amigos e eu quero tê-los como bons amigos. Ótimo, presidente. Eh, muito se discute hoje, né, a gente teve o exemplo aqui em São Paulo, onde fica a redação da Exame, eh, de privatização de empresas de saneamento, né? a gente teve a privatização da Sabesp, outras empresas pelo Brasil foram privatizadas. O Paraná
ele ele tá na contramão disso, né? Eu queria que o senhor explicasse o eh eh o porquê, né? E essa Nepar ela é premiada premiada por ter uma eficiência eh mesmo sendo pública, né? Então, eu queria que o senhor explicasse muito essa escolha eh eh e por a empresa consegue esses bons resultados numa área que é tão importante como saneamento. Bom, eu eu começaria dizendo que eh são dois aspectos que precisam ser assim orientados, né? Primeiro é a orientação do nosso governador, que não trata de forma ideológica, mas sim de forma metodológica. E a Sanepar, né, ela tem um aprimoramento, ela ela ela tem orgulho de todo a prestação de serviço que faz nesses 62 anos. E eu tenho por mim que a cada doença um remédio. O remédio para nós não era da privatização. Nós temos ainda fôlico para continuar fazendo os investimentos para alcançar os resultados e os indicadores que são exigidos inclusive por lei, né? Mas tendo uma nova governança, uma governança moderna. governança que traz inovação, que traz a possibilidade de a gente ter as PPPs, né, ter parceiros privados nessa execução. Então, eu acho que é isso, questão metodológica e a questão de aplicar o bom remédio. E aí, hoje eh como que tá a situação do estado, eh, principalmente dos municípios que que a empresa atende em
questão tanto de universalização, eh, de coleta de esgoto, de acesso à água? Bom, nós atendemos perto de 12 milhões de habitantes, né? São mais de 4.300.000 economias, né, ou ligações. As ligações têm a diferença porque às vezes tem uma ligação e tem várias economias naquela ligação. Então é esse esse é o resultado. São 110.000 km de encanamento. São 345 municípios que nós atendemos de 399. E ao longo do tempo, com os investimentos, com a possibilidade de resposta, a gente alcançou hoje eh a universalização da água em todos os municípios, 99% de atendimento. São quantos municípios? São 345 municípios. É um no estado de Santa Catarina e 34 no estado do Paraná. E na questão do esgotamento sanitário, se a gente fizer a razão por habitantes, nós temos hoje uma cobertura de 82%, que é um motivo de bastante orgulho para nós paranaenses, porque é um grande diferencial se a gente tratar de outras companhias de saneamento, mas queremos chegar na universalização. E o governador, né, Ratinho Júnior, que é muito animado com esses investimentos, já propôs e determinou a nós que o marco que deve ser alcançado em 33, nós possamos alcançar em até 2029. Então é um trabalho árduo, é um planejamento, é uma são atitudes que nós precisamos tomar no dia a dia para que a gente possa alcançar esse resultado.
Presidente, dentro desse cenário de universalização, a gente recebeu o professor Jesner aqui. Ele comentou que eh o Brasil investe menos da metade do necessário para buscar a meta da universalização. Eh, a Sanepar, quanto de investimento está previsto? Qual é o CAPEX para atingir essa universalização no estado do Paraná dentro dos municípios que a Sanepar atende? Bom, a resposta é rápida e e cirúrgica. R$ 12 bilhõesais o ciclo dos próximos 5 anos. Amanhã nós estaremos sentados para fazer um novo plano de de investimentos, né, que alonga mais um ano e a gente já eh eh projeta ter um acréscimo disso. Agora eu esqueci de falar o grande diferencial da NEPAR. Nós coletamos 82% nessa cobertura, mas 100% tratado. Eu acho que esse é o maior diferencial de todos. E outra, como uma legislação no Paraná, uma das mais rigorosas que nós temos no Brasil, aonde eu faço lançamentos que possibilitam ser em outros estados entre 30 e 60 nos indicadores, eh em Curitiba lança cinco. Então se veja qual é o esforço e aí isso conduz muito aos investimentos. uma estação de tratamento de esgoto para uma comunidade dentro de parâmetros de lançamento um pouco mais estendidos, ele tem um preço. O nosso por ter qualidade e por ter uma precisão na na entrega, ele tem um preço X mais alguma coisa.
Então, eh isso traz um grande desafio e o desafio é maior, principalmente que o custo hoje do dinheiro é muito caro. Sim, né? Eu até hoje propus de manhã que nós pudéssemos ter algumas medidas eh inclusive de, eh, trazer recursos do exterior. Existe muita liquidez no mundo, né? Os bancos multilaterais, bilaterais, têm recursos para financiar, mas nós tínhamos que ter a segurança, já que não temos um réal e nem podemos redear uma operação dessa, porque fica muito caro. Tem uma banda aí de segurança na questão da variação cambial. Isso traria a possibilidade dos investimentos de forma muito acelerada. Estima-se 900 bilhões, estima-se 1,4 trilhão, mas eh o que a gente vê que nós vamos demorar, né, se não tiver recursos, se não tiver investimentos, se não tiver alcance de propósito. Ótimo. E presidente, eh o senhor comentou sobre, eh, PPPs, né? Eh, eu queria saber hoje quantas PPPs vocês têm em operação? né? Qual que é o desenho e o que que elas permitem eh eh de vocês avançarem nas metas que vocês têm, tanto de investimento e de atendimento. Bom, nossas PPPs estão vocacionados ao esgotamento sanitário, né? são 128 municípios dividido em quatro lotes. Eh, dois lotes foram alcançados pela ambiental, um pela iguá e outro pela Axiona. Então, dentro dessa divisão, para que haja um equilíbrio, né, inclusive do retorno, né, dos desses investimentos, a gente fez um blend, fez um mix de municípios, aonde tem
municípios que já tinha cobertura de esgotamento sanitário e também aqueles que são sistema eh com zero de cobertura. Então esse equilíbrio nós fizemos, isso claro, decorre das microrregiões. Nós temos três grandes microrregiões. Numa nós tivemos um lote, na outra outro lote e na uma terceira já pela sua extensão e pelo volume de municípios, nós tivemos dois lotes. Entendi. E essas PPPs é o que porque muito se fala sobre quando a gente discute público e privado, né? Eh, muito se fala sobre a a eficiência para contratação de serviços, etc., que o privado ele tem uma liberdade maior do que o público, que tem que seguir processo de licitações, que tem todos, eles têm os seus méritos. Eh, mas isso acaba às vezes atrasando obras importantes como de saneamento. A gente recebeu até um diretor da Sabespéspa, né, já com a nova gestão que falou que em acho que em três meses eles conseguiram avançar quase um, do anos do que do que no modelo anterior. Então, é as PPPs que ajudam também a Sanepar ter essa maior eficiência mesmo sendo público. É que assim, a gente tem que fazer uma divisão e volta naquela primeira frase que eu falei, a cada doença um remédio. O Paraná já alcançou a universalização da água há muito tempo, né? Hoje, em algumas análises que se faz parece que tem pouco investimento, não? ao longo dos 62 anos da CENPAR, houveram os investimentos no momento apropriado. Então, universalização de água, nós podemos atender e podemos acompanhar esse processo, mesmo com uma lentidão,
não mais da 866 reformada, mas sim da 13303, né, adotando novas novos métodos, atendendo eh uma governança adequada, atendendo respostas rápidas, a gente continuar com esse processo. O esgotamento sanitário, a gente precisava dividir um pouco essa responsabilidade até para alcançar uma meta que tava estabelecida 203, né? Dentro dos contratos também que nós fizemos com os municípios tinha esses indicadores. Uhum. Então, achamos que esse modelo da PPP, né, um remédio adequado a essa nossa, a esse nosso problema, ele pudesse ter velocidade. Claro que o parceiro privado, ele vai no mercado e e contrata contrata um preço às vezes muito mais adequado que o que o nosso e de uma forma muito mais rápida. Então eu acho que esse mix, né, eh, de possibilidades e uma outro fato, né, da gente ter quatro lotes, dois só com com o mesmo parceiro, até porque criamos uma cláusula de barreira. Uhum. Nós temos hoje a possibilidade de fazer a comparabilidade da dessa prestação de serviço, da sua velocidade para que a gente possa alcançar os resultados. Presidente, pensando em financiamentos e investimentos, né, nós recebemos aqui o Radames, que está preparando a companhia para abrir IPO, ou seja, captar recursos pros seus investimentos e a sua expansão. Na esfera pública, quais são
os instrumentos que podem ser utilizados para sustentar esses investimentos? Veja, nós temos, nós geramos caixa e nós temos hoje a possibilidade e muita adesão de mercado de lançar nossos debentores e ter fila para para sua compra, né? Nós lançamos hoje num preço que é adequado, vamos dizer, dentro da realidade de mercado que tá sendo adotada. Mas no Paraná, o governador determinou que nós pudéssemos criar novos instrumentos de financiamento e um deles é o FIDIC, aonde o estado entra com uma cota subordinada e na captação dentro desse blend a gente pode entregar recursos, quem sabe a 89, 86% do CDI, que é um valor que não tem no mercado e que se aproxima muito das linhas de financiamento da Caixa Econômica são muito razoáveis para nós. Então eu acho que é essa a preocupação, mas a preocupação é pelo propósito, né? É o por nós fazemos tudo isso. Então, quando há uma preocupação do agente público, quando há do político essa visão da necessidade do nosso serviço em trazer qualidade, inclusão social e saúde pública, tudo se motiva e tudo se resolve. Ótimo. E o senhor fala muito sobre, a gente nessa conversa aqui, a gente tá falando muito sobre planejamento. O senhor falou do plano de investimento aí pros próximos 5 anos. Eh, mas a gente sabe que empresas públicas elas às vezes dependem muito de quem tá no poder, né? No caso, o no caso
o governador Ratinho Júnior tá completando, vai completar os seus 8 anos eh de eh eleição e reeleição agora em 2026. Eh, como administrar essa questão de autonomia, de planejamento dentro de uma empresa pública sendo eficiente, né? Fazer eficiência. Eu acho que se a gente tá fazendo esse processo, essa discussão vira uma discussão social, vira uma discussão, né, de muitos de muitos atores. E aí aí as preocupações são colocadas na mesa da desnecessidade, quem sabe, de estatizar, de desestatizar uma empresa que traz resultados, né, e que traz eficiência. A governança da CENPAR melhorou e melhorou muito. Hoje ela é extremamente adequada dentro de áreas de complicas. governança, seus conselhos, seus órgãos de fiscalização, né? E eu, por outro lado, eh, tenho esse dever social, mas eu tenho 550.000 1000 acionistas. Então, também tem o dever de dar resultados com eficiência para que eles possam ter seus dividendos e permanecer seu preço com eh um preço de mercado das suas ações. Então, esse mix, né, esse pêndulo que eu sempre digo que nós trabalhamos no nosso dia a dia, é mostrar essa eficiência. Quem sabe a discussão ali na frente não seja de mudança nenhuma, mas sim de continuidade de um planejamento, aliás, um planejamento que nós fazemos de forma bastante alongada. O senhor falou antes do Maurício fazer a próxima pergunta, o senhor falou que eh vocês geram caixa, né? Qual Qual foi os últimos resultados
da empresa que o senhor pode abrir para faturamos perto de R$ 7 bilhões deais, né? Nós temos um um um Ibit da razoável, a gente tem uns resultados, né, de de resultado líquido muito bons, né, se comparados, às vezes mais de R 1 bilhão deais. Eh, então assim, essa possibilidade, claro que parte vai pros dividendos, né? Isso traz essa confiabilidade de mercado e parte vai para esses recursos que são reinvestidos nesse processo. Agora, é claro que na medida que eu cresço na universalização e tenho que fazer o capex agora, em algum momento esse capex não precisará ser feito na mesmo volume e mesma velocidade. Uhum. Eu terei OPEX, mas eu terei receita, porque eu acresço da receita naquela proporção dos 80%, né? Eu vou crescendo o sistema do esgotamento sanitário, eu vou adicionando a receita para dentro da empresa. Ô presidente, esse teu comentário me fez trazer uma uma me lembrar uma pergunta que eu fiz justamente pro Gesner Oliveira, né? O saneamento ele precisa de um capex grande para esse investimento e ampliação da rede, mas no futuro esse capex será só da expansão territorial dos municípios. Exatamente isso, né? Sem dúvida. No futuro, então pode ser que haja um equilíbrio melhor nesse nesses valores das tarifas.
Não haverá, não tenho dúvida disso, porque o CAPEX termina, né? O Capex é é intensivo nesse momento, né? Intensivo o o de capital intensivo a nossa empresa, né? Por quê? Porque nós tivemos no passado um atraso de alcançar esses resultados. OPA tem, claro, um diferencial, mas mesmo assim eu tenho sistema zero, tenho municípios que têm sistema zero. Isso nos envergonha, né? A gente precisa procurar esses resultados. Mas é assim, vai ter uma linha forte de CAPEX, depois ela vai diminuindo e vai trabalhando muito nessa questão de expansão e vai ter OPEX. Se você tiver eh eficiência, eficácia naquilo que faz e principalmente resultados, né, de de usar da potencialidade do seu parque, né, na na enfim, na sua totalidade, né, eh facilitando as pessoas a se conectarem, né, e principalmente induzindo elas a se terem essa mesma preocupação. Claro que a receita acompanha e aí muito disso pode ser trabalhado e vocacionado para você ter uma outra outra outra tarifa. E um trabalho que todas nós fazemos é a questão das receitas acessórias. Sim, que 75% delas são vocacionadas à modicidade. Então nós estamos trabalhando, tô aqui hoje com vocês, com meu diretor de inovação e novos negócios, estamos trabalhando nesse processo para achar novas receitas. Existe uma uma rota que é a rota do lodo, porque quanto mais eficiente eu sou, quanto mais eu trato, mais lodo eu
gero. E o e essa essa geração, claro que nós temos vários mecanismos, né, de transformação deles, mas aí não são pela sua totalidade. Eu eu lanço ainda, né, para alguns aterros sanitários. Então, na medida que eu possa ter uma rota, que eu possa ter parceiros, que eu possa fornecer o insumo, só o custo evitado já é um grande resultado. Perfeito. E continuando, assim, o estado do Paraná, ele vai sofrer uma revolução de obras rodoviárias nos próximos anos, né? Nós tivemos aí quatro leilões de concessões rodoviárias, estamos prestes a ter mais dois leilões no estado do Paraná. Como é que tá a aproximação da Sanepar com as concessionárias que têm vencido esses leilões nos desafios de remoções, de interferências que porventura venham a impactar ou na na necessidade dessas obras? O crachá da Sanepar já tá com os técnicos de todas as concessionárias, né? Nós temos reuniões periódicas. Nós na semana passada fizemos aproximação das nossas áreas de TI para que toda a base, né, que nós temos gel processada possa ser disponibilizada e também ser cruzada com aqueles investimentos que eles estão colocando. Então, tem uma sinergia muito perfeita, mas o Paraná não é só essas obras, né? Eu tenho municípios que projeta-se em 5 anos dobrar sua população por outros investimentos industriais, né, por outros movimentos de desenvolvimento econômico. Paraná nos últimos 6 anos
dobrou o seu PIB, né? Sai de 300 e alguma coisa para mais de 700 milhões com a projeção de chegar em 800. É a quarta economia do do Brasil. Então isso traz um desafio para nós diário. Municípios que tinham crescimento eh talvez vegetativo, hoje são exponenciais, né? Quem ia pensar que nós iríamos ter uma cidade com Assis com um abate de 15.000 cabeças de suínas por dia. Então quantas pessoas precisam ir para lá? Quantas moradias precisam ter lá? E quanto de esgotamento e quanto de água a gente tem que fornecer? É um desafio, presidente. Outro, acho que desafio, eh, porque a empresa não atende todos os municípios do estado, né? Então, eu queria saber mais ou menos quantos são esses municípios e quanto por cento deles vocês conversam para eles entrarem, para eles serem atendidos pela Sanepar. Bom, nós temos 399 municípios do Paraná, 344 atendidos pela Sanepar. Nós estamos fazendo muitas movimentações, até porque a pressão, né, dos dos agentes públicos por esse marco regulatório eles alcançarem universalização. E muitas desses sistemas das suas não tem o aprimoramento, não tem a expertize e nem tem a possibilidade de fazer o investimento.
Então eles precisam procurar alternativas. Agora, com muita responsabilidade, com muita transparência, nós estamos analisando cada uma dessas medidas. Claro que eu tenho apetite por mercado. Eu tô se movimentando na medida de trazer novas, né, novos municípios, mas a gente tem que entender que é subsídio cruzado. Então a gente tem que trazer dentro de uma responsabilidade para que a tarifa seja uma tarifa adequada e não só uma uma honar ela, né, por trazer ou não um sistema. Mas essa preocupação nós temos diariamente, temos diálogo com todos os prefeitos. eh as a as regiões, as microrregiões trouxeram esse debate de uma forma muito acalorada e muito técnica e e permanente. Então a gente tem esse diálogo. Hoje eu tenho na mesa já uns seis novos sistemas no Paraná que estão passando por um processo de análise de eu mandar também pro meu agente eh regulador para que eles possam nos autorizar a assumir esses sistemas. A Sanepar dentro dessa governança e desses resultados que você tá trazendo pra gente, ele tem olhos também para fora do estado do Paraná. Eu sim falar uma resposta rápida para vocês. Sim, claro. Eh, eu acho que a Sanepar tem uma expertise colocada, né? trabalha com muita responsabilidade, com muita excelência e se tem a possibilidade dela ampliar, né, seus municípios, mesmo que sejam em outros estados, é claro, e não
em detrimento a os investimentos que são necessários do nosso estado, no estado, né, que é que é a origem da Sanepar. Por que não fazê-lo? Mas claro, não de forma isolada. Nós precisamos de parceiros. Esses parceiros nós estamos procurando, aprovamos recentemente uma política de possibilidades, né, para que a gente tenha eh mecanismos jurídicos de aproximar desses grupos e claro, eh, acho que todo mundo, né, quer ter essa chancela, ter essa qualidade da Sanepan. Então, é uma aproximação quase que natural. E, e o senhor poderia adiantar qual parceiro tá mais próximo? Eu vou essa essa pergunta, infelizmente, eu não posso porque essa mexe em mercado, né? Mas eh nós temos parceiros, sim, nós estamos dentro dessa discussão, inclusive, quem sabe no momento futuro a gente liderar os consórcios, né? E não ser liderado ou participar com uma com uma parcela menor da gente poder fazer essa essa divisão. Agora, um processo novo. Uhum. É um processo que se inicia muito na vontade do governador, né? e que nós estamos trabalhando, mas é claro que não é eh nós não podemos ser irresponsáveis em em ser assodados e não encontrar um resultado, né? ao setor elétrico, a gente viu muito disso acontecer, eh, e esse aodamento às vezes, né, e passar por algumas crises.
Então, a gente tem que ter muita calma, parcimônia, passos, né, um degrau por degrau para que a gente possa alcançar ou um passo a passo para que a gente possa alcançar o final dessa maratona. E, presidente, eh, eh, insistindo um pouquinho mais, eh, vocês já estão preparados para isso? Vocês têm um prazo, olhando talvez próximos leisões que vão acontecer, talvez até o fim desse ano ou o primeiro semestre, pode ser que isso aconteça. Pode sim. Eh, nós estamos com vários estudos, nós já nos apropriamos de consultorias especializadas para que possam eh ofertar uma modelagem de negócio que seja adequada para nós. As aproximações são naturais, nós estamos no mercado, muitos querem nessa nossa expertise. Então, as conversas existem. Hoje nós estamos fazendo análise de alguns municípios, eh, mas claro, assim, eh, trabalhando de forma, né, eh, responsável, né, ou de par e passo para para poder chegar num resultado que seja adequado. Ô, presidente, a gente tem comentado aqui também com com muitos dos nossos convidados eh que nós estamos vivenciando um momento de pico de leilões, né, tanto no setor rodoviário como mesmo no próprio saneamento. como que tem sido a visão estratégica da Sanepar na preocupação da viabilidade de insumos e mão de obra para tocar tanta obra acumulada, tanto capex acumulado nos próximos anos?
Veja, uma preocupação ainda enorme, né, num estado que tem pleno emprego, né, a nossa taxa de desocupação é menor do que 6% no Paraná. Então, encontrar mão de obra não é fácil. O que nós estamos fazendo? aprimorando, achando, enfim, eh instrumentos de convocar essas empresas, que elas possam ter esse tipo de resposta. Mas a gente sabe que em alguns momentos a gente vai enfrentar essas dificuldades, que são dificuldades boas, né? Eh, não são dificuldades ruins, mas eu acho que a gente é muito inventivo e a gente é muito se adapta muito à realidade, né? Então a gente tem que fazer, claro que às vezes nos pressiona, 12 bilhões de investimento em 5 anos é uma velocidade full, né? Eh, mesmo somado a outros entraves, como licenciamento, como outorga, né, como licitação, que é um processo que às vezes eh se prolonga mais do que aquilo que se planeja, e depois a execução, que daí sim precisa da mão de ób. E presidente, olhando para essa questão, não só o investimento, olhando para eh a questão da universalização, mas a gente tem visto nos últimos anos o Brasil sofrendo com extremos climáticos, né? Tanto eh estiagens severas, dependendo da região, quanto também enchentes, né? a gente teve o caso do do Rio Grande do Sul, os estados ali da região também foram afetados, mas em em em menor proporção. Eu queria entender como quais investimentos, quais cuidados
vocês têm, quais planos, né, projetos eh para eh o Paraná tá preparado para essa esses extremos climáticos que, segundo cientistas, pesquisadores, vão acontecer cada vez mais. Bom, nós podemos nós mesmos podemos vivenciar, né? Ontem nós estávamos com frio de 10, 12º, hoje estamos com passado de 20 alguma coisa aqui em São Paulo, não é isso? Enfim, o regime climático não é mais o mesmo. Isso traz e impõe para nós grandes desafios e grandes trabalhos. Nós estamos fazendo várias ações, né? Primeiro, tendo a vocação de trabalhar sustentabilidade, que nem sempre era algo olhado ou vivenciado ou tendo uma importância maior dentro das companhias de saneamento. Hoje nós precisamos trabalhar com sustentabilidade, nós precisamos eh preservar, né, os nossos mananciais, preservar o os pontos de lançamento de forma a ter qualidade, que a gente possa, quem sabe, no futuro ter água de reuso, ter água, né, que possa ser eh ser tratada, enfim, num trecho menor do que o que é do que é feito hoje. Nós furamos vários e vários postos, saímos só daquela daquele ponto de captação em superfície para perfurar postos. Temos uma parceria com o IDR, que é o nosso Instituto de Desenvolvimento Rural Paraná, que nós fizemos um programa chamado Plantando Água. O que que eles fazem nas áreas emananciais? Eles trabalham, né, toda a a bacia e a microbacia na forma de preservar matiliar de, enfim, preservar
as fontes, as as enfim os nascedores de água, né, porque nós tenhamos esse esse tipo de preocupação. Curitiba, nós estamos fazendo algumas novas estruturas, nós estamos projetando novas captações, mas nós estamos trabalhando também todo o corredor do do rio Iguaçu, aquele rio que começa em Curitiba, termina lá nas cataratas do Iguaçu, né? Isso é uma grande reserva hídrica, é um, nós chamamos de reserva hídrica do futuro que precisa ser preservado, né? Nós temos várias cavas que eram passivo ambiental que pode hoje ser um ativo ambiental, porque nós podemos transitar a água do rio Iguaçu. Ali tem uma filtragem natural como soluções baseadas na natureza e tem uma qualidade de água muito muito maior e melhor. Eh, estamos trabalhando em desapropriações, nós estamos preservando algumas áreas, principalmente na nossa serra do mar. A Serra do Mar é a grande fábrica de água dessa região nossa metropolitana, que corresponde perto de 40% do nosso desafio. Mas a gente tá olhando isso de uma forma muito eh com olhar muito específico em cada uma das regiões e cada um dos municípios. Nós temos uma parceria com Simepar, que é o que é que faz essa questão meteorológica. Nós temos com, nós desenvolvemos junto com eles um sistema chamado infoo. Hoje nós temos o acompanhamento, né, de todas as bacias, de todos os níveis de todos os rios de captação. A gente pode
acompanhar eh online o que tá acontecendo e a gente se motivar e e e melhorar. Agora, um trabalho que nós estamos fazendo, que precisa ser feito, é melhorar as perdas. Nós temos hoje 34% de perdas. é um número razoável ser comparado os outros sistemas, mas nos envergonha. 223 L sendo jogado fora por ligação dia é muita água, né? Então nós precisamos melhorar, melhorar nosso parque, melhorar a nossa eficiência. E dentro, né, você até comentou aqui com relação a esse monitoramento em tempo real dos mananciais, né, quais têm sido os ganhos práticos desse monitoramento, né, diante quais são as ações que vocês têm tomado? Bom, ser resiliente, né, na medida que a gente pode fazer o acompanhamento. tem, né, um as previsões meteorológicas um pouco mais avançadas, eu consigo fazer, né, todos os movimentos de forma aumentar a reservação, de melhorar a captação, adução, distribuição, né, zonas de de de pressão que precisam ser melhoradas e às vezes até questões emergenciais como caminão pipa, enfim, campanhas, né, que vocês nos ajudam muito, né, no uso consciente da água, né, e em alguns casos, infelizmente, a gente tem que entrar numa rota de rudío. Então, por isso também temos eh um programa chamado Caixa d'Água Boa, que a gente oferece uma caixa d'água junto com uma ajuda financeira. O estado do Paraná faz isso
para que as pessoas tenham sua reservação. Uma família de quatro pessoas, se tiver uma reservação de 500 L na sua casa, ela transita por um dia, dois dias, de uma forma muito natural. E nós nunca deixamos de fornecer água mais do que 24 horas, menos, aliás, mais do que 12 horas, né? Ótimo. E o como o senhor olha o acho que uma cria uma visão mais eh nacional, né? A gente comentou sobre o desafio que vários estados estão eh tem para atingir o marco do saneamento. O senhor acredita que com todos os atores com essa vontade também com a força da lei exigindo, você acha que o Brasil vai conseguir atingir essa meta? se o senhor conhecendo do setor, eu gostaria de falar sim para você, né, até porque essa esperança de quem, né, tem esse sentimento público, né, e que precisamos efetivamente ter esse tipo de enfrentamento. Eu vejo que as velocidades elas são diferentes em cada sistemas, em cada, enfim, cada uma das empresas, né? Eu acho que é um esforço enorme, principalmente da privatização daquelas que não tinham capacidade de investimento. As parcerias público privadas estão sendo adotadas em outra, mas nós vamos ter dificuldades sim em alguns setores, né? Eh, principalmente eh pela complexidade que é coletar e
tratar esgoto e distribuir água, né? Nós temos regiões que já tão eh, vamos dizer eh sólidas, né? ou seja, já estão estabelecidas, né, que é muito difícil às vezes fazer intervenções. Esas intervenções não são baratas, são caras. Então, nós temos que achar métodos, sejam eles individuais, sejam eles pequenos coletivos, né? Mas a gente precisa ter essa essa atenção. Tomara que dê tudo certo. Muitos dos convidados que têm vindo aqui com a gente, principalmente do setor de saneamento, tem demonstrado preocupação com a reforma tributária. Como a Sanepar vê e quais são as principais preocupações da Sanepar com as mudanças? Bom, a mesma preocupação de todos, né? Nós vamos ter aí um incremento, né, na questão tributária. Claro que isso vai é lançado geralmente para para tarifa, né? Isso vai ter um impacto em toda a sociedade. Nós estamos fazendo várias e várias reflexões, né? Contratei recentemente uma consultoria para saber desses impactos e quanto isso vai honerar a tarifa. Mas é claro, na medida da eficiência, na medida da diminuição de perdas, na medida do do incremento de receita, né, e dessa diminuição do CAPEX, eu acho que a Sanepar passa por uma certa tranquilidade que pode ser diferente de outros sistemas. Não conheço todos, né, mas a grande maioria. É uma discussão que nós estamos fazendo também na ESB,
né? Eu faço parte da diretoria da ESB de que nós tenhamos o espaço desse diálogo, quem sabe achar alternativas, até porque o impacto vai ser o impacto da sociedade. Alguém paga conta, né? Então essa elasticidade da tarifa, ela tem que ser uma elasticidade eh adequada sob pena das pessoas não conseguirem mais alcançar esse serviço essencial, né, com e conseguir pagar por ele. E presidente, como que você vê o papel da Ana, né, como uma agência reguladora eh dos do setor de águas do Brasil, né? com existe um diálogo aberto, quais fórum que vocês quais fóruns vocês conversam, né? Eh, eu queria que você comentasse um pouquinho sobre isso. Não, nós temos sim, temos um diálogo muito aberto, muito. Inclusive agora a pouco eu tava com a com a com a presidente da Ana, né? a gente tava num diálogo também, recebendo aqui um prêmio da Trata Brasil, né, por reconhecimento a Curitiba. A gente pode teve um ter um diálogo, a gente tem uma aproximação e eu acho que é uma necessidade, né, eh se fazer eh aplicar algumas conceituações para que a gente tenha essa uniformidade, né? Claro que não é um processo estanque, ele precisa ser aprimorado. Futuramente nós vamos ter que rever essas modelagens. que muito se discute, né, na questão da regulação, mas eu acho que assim, no na medida do aprimoramento técnico, de capacidade dessas pessoas terem respostas, elas estão vivenciando o que tá acontecendo
no dia a dia. E aí com esse sentimento, né, de de de relação próximo, eh, os caminhos vão sendo encontrados, né, até porque o nosso desafio, nosso propósito é um outro, que não só entregar água, né, é levar a qualidade de vida, levar saúde pública. Então essa preocupação acho que tá muito muito bem estabelecida hoje dentro desses contratos, né, como vocês estão olhando as possibilidades no mercado, né, a gente tem visto um amadurecimento aí diante da da lei das concessões, da lei das PPPs, né, que completou 20, a das concessões, 30 anos. esses esses essas estruturações de projeto, né, eles têm se amadurecido, mas muitas das pessoas que têm vindo aqui, dos convidados que têm vindo, t dito que ainda carece de algumas melhorias em matrizes de risco dentro desses contratos. O que que você ressalta com a sua experiência que faria sentido nessas estruturações de forma a resguardar eh e conseguir atrair principalmente mais investimentos pro setor? Eu ten diálogo com o setor, né? a gente entender um pouco eh aonde são suas dores, aonde que são as nossas dores, abrir esse diálogo e encontrar um caminho. Uma PPP é um casamento, é um casamento que vai durar muito tempo. Uhum. Nem todo o casamento, né, eh, dura tanto ou aqueles que duram, como o meu, você
tem a cada passo, né, ou a cada tempo, eh, de fazer ajustes, de fazer adequações, né? né, maturidade. Maturidade. Então eu acho que esse é o processo de maturidade que nós precisamos ter, né? E presidente, eu acho que a gente tá caminhando pro final da nossa conversa. Só uma dúvida em relação à possibilidade de se falou do apetite com os municípios eh do estado. Eh, vocês eh acontecendo um acordo, né? Eh, vocês vão precisar de novas PPPs para atender esses municípios ou dentro do que vocês estudam, eh, a própria CANEPAR já atenderia? Como que funcionaria isso? Não, eu acho que o modelo tá aí colocado. Nós estamos iniciando as parcerias privadas. Nós entendemos que nós vamos alcançar aqueles municípios que nos atendem, vamos dizer, com a nova demanda, talvez nós tenhamos que ou reforçar o sistema que tá colocado ou quem sabe fazer um novo bloco de de PPP. Mas nesse momento não não estamos congitando, até porque nós temos capacidade de fazer os investimentos, né, na continuidade de ganhar o jogo da água e de e e vamos e acelerar os investimentos para ganhar também o jogo do esgoto, né, da coleta e do tratamento junto com as PPPs. Claro que tem modelos, então volta aquele, né, a cada a cada doença uma vacina mais que seja mais adequada para para curar rápido. Então nós pensamos em locação de ativos, nós pensamos em pensamos em outros modelos que talvez tragam eles à velocidade, né? A locação de ativos é
muito parecida com uma PPP, mas um pouco diferente se o seu olhar sobre aspecto, né, do investimento e do retorno desse investimento e principalmente de quem vai operar os sistemas, né? No parceiro privado, ele opera na na locação de ativos, nós operamos aquilo que foi investido por esse parceiro, né? Então nós estamos fazendo essas adequações. Eu muito sinceramente dentro do planejamento, eu não colocaria isso como uma meta de tempo curto. Uhum. E assim, a gente conversou muito aqui sobre plano de investimento pros próximos 5 anos, o apetite dentro do Paraná, o apetite também olhando para outros estados. Eh, mas como o senhor vê Sanepar para depois desse ciclo de investimento alto, eh, de atingir a universalização, né? Você vê como que a ideia é se transformar num grande player nacional. Sim, eu acho que ela já é um grande player nacional, embora com abrangência só estadual, com esse trabalho de aproximação e quem sabe de abrir possibilidades, né, a gente começa a tomar um corpo. Hoje a gente tem uma respeitabilidade. Nós somos a quarta maior empresa de saneamento do Brasil. Se nós eh compararmos por receita bruta, né, 6,2, que tava projetado nesse estudo, nós já superamos esse valor. Eh, então eu acho que a gente vai se vai se adequar, mas eu acho que o grande desafio nosso é tá atento com o que acontece na sociedade. A gente tem que, vamos dizer assim, os modelos são modelos que que mudam a cada tempo, né?
as movimentações que são feito da da da população e principalmente seus anseios, nós temos que ter respostas e respostas rápidas. Então, acho que essa é a grande preocupação nossa, não é se eh se transformar numa liderança nacional, mas sim atender bem, com excelência, com eficácia e eficiência aquilo que hoje nós já fazemos. Ótimo. Queria agradecer o Maurício por conduzir mais essa entrevista comigo. Obrigado, Maurício. Eu que agradeço, André. Muito obrigado e agradecer o presidente pela disponibilidade, por essa ótima conversa e até uma próxima, presidente. Bom, eu fico à disposição de vocês. Obrigado pelo convite. Me sinto muito honrado estar aqui com vocês nesse diálogo franco, aberto e eu acho que esse é o jeitão nosso, né? É um jeitão um pouco mais simples, né? mas de falar efetivamente aquilo que é verdade para que a gente possa alcançar os resultados, aquilo que são esperados pela nossa sociedade. Ótimo. E agradecer você também que nos acompanhou até aqui. Como eu sempre peço no fim dos nossos programas, peço para se inscrever no canal do YouTube da Exame, compartilhar, curtir esse vídeo e também acessar o site da Exame na nossa editoria eh especializada de infraestrutura. E o podcast Exame Infra também tá nas principais plataformas de áudio. Então, se às vezes você tá
dirigindo e quer ouvir o Exame Infra, você também pode ouvir em Spotify e Afins. E fique eh fique com a gente para os próximos programas. Na próxima daqui a 15 dias teremos uma nova entrevista para discutir a infraestrutura do Brasil. Até lá. เ