EXAME Infra - Episódio 16 - Pedro Capeluppi - Reconstrução do RS avança com leilões de rodovias e PPPs sociais, que somam R$ 20 bi de Capex

EXAME Infra - Episódio 16 - Pedro Capeluppi - Reconstrução do RS avança com leilões de rodovias e PPPs sociais, que somam R$ 20 bi de Capex

Chegamos ao 16º episódio do EXAME Infra Podcast!

Uma conversa de alto nível com Pedro Capeluppi, Secretário de Parcerias e Concessões do Rio Grande do Sul, sobre como o estado vem estruturando um dos mais robustos pipelines de concessões e PPPs do país.

Falamos sobre a reconstrução do RS após as enchentes e o papel estratégico dos investimentos privados nesse processo.
Entre os destaques:

  • O avanço dos leilões de rodovias, com R$ 8 bilhões em investimentos previstos;

  • As PPPs sociais em saúde e educação, iniciativas pioneiras que somam mais de R$ 12 bilhões;

  • A importância de acelerar a maturação de projetos e garantir segurança regulatória para atrair investidores.

Com R$ 20 bilhões em CAPEX previstos, o Rio Grande do Sul se consolida como laboratório de inovação em concessões, combinando infraestrutura tradicional com novas fronteiras de parcerias sociais.

 

Cada episódio reforça nossa missão: transformar debates qualificados em soluções concretas para o futuro da infraestrutura brasileira.

 

Assista ao episódio com o Pedro CapeluppiClique aqui para assistir no YouTube

 

 

Confira também as matérias publicadas na Exame:
Com R$ 20 bi em PPPs e concessões, RS avança com leilões de rodovias, saúde e educação

Transcrição do Episódio

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio do episódio. Pode conter pequenas imprecisões.

[Música] Olá, seja bem-vindo a mais um Exame Infra, seu podcast que discute o presente e o futuro da infraestrutura brasileira. Eu sou André Martins, repórter de Brasil e economia e mais uma vez ten aqui ao meu lado Maurício Malanconi, fundador da Suporte. Tudo bem, Maurício? Graças a Deus, André. Obrigado. Eu sou Maurício Malanconi, fundador da Suporte, uma empresa dedicada a transformar a realidade da infraestrutura brasileira e é um prazer estar aqui novamente. E no programa de hoje, e de forma remota, recebemos o secretário da reconstrução do estado do Rio Grande do Sul, Pedro Capelupe. Pedro, ele já foi um servidor de carreira do Tesouro Nacional. Ele já teve passagens na Secretaria de Distatização do Ministério da Economia. ele tem muita experiência eh em discussões sobre concessões, PPPs. E hoje ele vai contar um pouquinho pra gente sobre os planos do Rio Grande do Sul, vai falar sobre o pipeline do estado para projetos e também como está sendo a reconstrução do estado depois das chuvas, né, que deixaram um grande prejuízo pro estado, como tá sendo essa reconstrução. Secretário, tudo bem com o senhor? Bem-vindo ao programa. Olá, André. Olá, Maurício. Um prazer enorme falar com vocês aqui para discutir esses temas que são tão eh interessantes, né, e e que tem uma capacidade de nos fazer eh construir um Brasil melhor para todos nós. Então, fico muito feliz de estar aqui com vocês. Secretário, a primeira pergunta eh gostaria de saber e o senhor tava até explicando aqui antes de começar eh a o senhor era eh a secretaria era a

secretaria de parcerias do estado e se transformou na secretaria de reconstrução. queria entender como que a tragédia climática que ocorreu no estado mudou a visão que o senhor, que o próprio estado tinha em relação à infraestrutura. E eu queria que você também detalhasse um pouco os pilares do plano Rio Grande, né, que é salvar vidas, reconstruir e transformar o estado. Bom, vamos lá. De fato, o estado do Rio Grande do Sul passou no ano no ano passado, né, em maio do ano passado, por uma das maiores tragédias climáticas eh que já ocorreram no Brasil. E isso trouxe consequências, né, muito graves paraa população e uma necessidade por parte da do setor público de construir alternativas, de preparar um futuro eh que consiga eh lidar melhor com eventos que a vida nos mostra que passaram e vão passar a ser cada vez mais frequentes. Então o que que nós fizemos, né? A governador Eduardo Leite, desde um primeiro momento entendeu que nós precisaríamos de ter uma estrutura dentro do estado dedicada a organizar e coordenar um plano, um plano que fosse capaz de fazer o estado se tornar resiliente e mais adaptado a esses eventos eh tão críticos. Então, a partir disso, nós transformamos a Secretaria de Parcerias e Concessões na Secretaria da Reconstrução Gaúcha. Eh, desde então passamos a fazer essa gestão do Plano Rio Grande. Plano Rio Grande foi o nome que demos a esse eh essa grande estrutura, esse grande portfólio de

projetos que tem esse objetivo, né? um portfólio bastante abrangente, envolve ações em diversas áreas, mas que tem o objetivo de eh tornar o estado mais adaptado. Eh, e, e por que, né, pegar a Secretaria de Parcerias e transformar nessa secretaria da Reconstrução, justamente pelas características que, de maneira geral, as secretarias, as unidades de parcerias com a iniciativa privada tem de gestão de projetos, enfim, de saber trabalhar de maneira integrada com as outras estruturas eh do estado. Então, isso nos deu uma capacidade muito grande já de começar um trabalho de maneira muito imediata, né? a gente já tem essa capacidade, essa expertise de trabalhar junto com outras secretarias em projetos que não são eh especificamente de da secretaria que tá fazendo a coordenação, né? Então, foi esse essa foi a visão eh que o governador Eduardo Leite teve naquele momento e que ele me pediu para eh tocar e desde então estamos fazendo esse esse trabalho. É um trabalho de longo prazo, né? um trabalho eh de estado, não é um trabalho de governo. Veja que tudo isso aconteceu eh faltando 2 anos e meio pro fim de um mandato. Eh e muitos dos projetos que nós temos em andamento aqui vão levar mais tempo para eh serem de fato executados. Então, para isso, a gente tinha que ter uma estrutura muito robusta que tivesse essa capacidade de implementar os projetos e garantir que essa execução possa acontecer independente de trocas de governo.

Secretário, quais foram as decisões aí mais difíceis diante desse equilíbrio entre agilidade e controle? Existe algum novo modelo de governança dentro do estado do Rio Grande do Sul? Bom, e esse, Maurício, é um ponto fundamental, porque as ações todas elas precisam ser executadas de maneira muito imediata, né? Então, o plano Rio Grande ele foi desenvolvido pensando eh nessa lógica de atuação. Todas aquelas ações emergenciais, ou seja, aquela aquelas ações mais associadas ali a à pronta resposta ao desastre, né? salvar as pessoas, eh, recuperar a infraestrutura que foi, eh, diretamente impactada ali, né, para, para que os serviços pudessem voltar a operar. Tudo isso foi tratado de maneira muito célere pela gestão eh estadual para evitar demoras. Então, esse tratamento, né, dessas atividades, essa segregação de atividades, eh, entre aquelas que são, né, necessárias imediatamente e aquelas de médio e longo prazo, nos ajuda muito justamente para ter o discernimento daquilo que precisa andar com mais rapidez. Então, a gente eh inovou em muitas eh legislações aqui, normativos internos para poder acelerar essa pronta resposta e ao mesmo tempo, dentro da construção dessa carteira de projetos que demora um pouco mais, leva um pouco mais de tempo para ser executada, nós criamos dentro da Secretaria da Reconstrução uma unidade

de controle justamente para poder olhar pros projetos desde a sua concepção para garantir que nós tenhamos tudo andando dentro das normas e, evidentemente, podendo ser entregues também no espaço curto de tempo. Então, nós temos uma unidade de governança e controle aqui, gestão de riscos dentro da própria secretaria, coisa que não é típica eh de todas as secretarias, né? Então, dada a necessidade de tratar o tema controle e e gestão de riscos no âmbito de um projeto maior, nós fizemos essa escolha e isso tem dado bastante certo. Ou seja, é aquele controle interno que tem esse objetivo de ajudar a construir, né? Não é um controle eh com o objetivo de barrar os projetos ou de ficar eh eh buscando problemas. Ele tem o objetivo de evitar problemas. E aí nós temos pessoas aqui também muito qualificadas, com uma experiência grande nesse tipo de trabalho para poder para poder acelerar e ao mesmo tempo garantir toda a adequação às normas que nós precisamos eh ter também. Secretário. E dito isso, como como governo, como o senhor vê o privado vendo essa eh eh esse cuidado maior que o Rio Grande do Sul tá tendo com os projetos e e olhando pra resiliência climática? Eh, você vê uma uma aceitação, uma abertura, a um entendimento, a uma maturidade de que isso precisa ser discutido também nos contratos? vejo eh vejo o privado bastante participativo nesse processo

como um todo. E e André, quando nós criamos o plano Rio Grande, uma das coisas que nós entendemos necessário e que de fato hoje se mostra muito eh crítico foi trazer eh a sociedade civil organizada para dentro do plano Rio Grande. Então, nós criamos um conselho eh do plano Rio Grande que tem envolve, né, uma série de de eh entes aqui, associações, enfim, outros poderes, empresas atingidos pelos desastres, enfim, eh é um conselho que tem câmaras temáticas, enfim, que que nos ajuda, que nos dá opiniões, que faz críticas sobre esse processo da reconstrução. Então isso faz com que as pessoas se sintam parte do processo, né? Isso dá a elas também uma capacidade de visualizar, de entender o andamento eh das ações. E aí elas também tem eh essa essa transparência maior e entendem esse processo que tá acontecendo. Então, tem sido muito bem recebido nesse sentido. Eh, também outro outra figura que nós criamos dentro do plano foi o comitê científico. Nós temos um comitê científico que nos ajuda a lidar com temas que são tão críticos e são muito técnicos, né? Nós estamos falando aqui eh de diversos assuntos diferentes, mas todos eles com uma complexidade muito grande. Quando a gente vai falar de hidrologia, nós não podemos pegar a opinião de pessoas que não são especialistas no assunto. Eh, então nós

temos 40 eh um pouco mais de 40 pesquisadores, cientistas que fazem parte do comitê científico. Temos uma secretaria executiva dentro do estado que faz essa coordenação com esse comitê para que a gente possa fazer essa integração entre as necessidades trazidas pela sociedade e a adequação dessas medidas para que a gente possa de fato resolver o problema, né? Então, eh, essa dinâmica passa uma confiança pra sociedade que é fundamental pro andamento das atividades e para que esse processo todo se torne perene, independente da eh gestão atual ou da futura gestão, né? Eh, buscar eh alternativas para para tornar um um local mais resiliente, mais adaptado. Eh, é fundamental hoje, né? O governador Eduardo Leite fala isso bastante. Eh, o estado do Rio Grande do Sul hoje, né, no nesse momento, vive uma situação de exposição a risco climático muito grande. Eh, os outros estados no Brasil, assim como outras regiões no mundo, vão passar a vivenciar isso no futuro próximo, porque essa é a tendência que nós temos observado. O fato é, o estado do Rio Grande do Sul já assimilou esse processo, já entendeu isso e já está tomando as medidas necessárias para lidar com essa situação. Então, daqui pra frente, a certeza que nós temos é mesmo tendo uma uma eh mesmo enfrentando esse tipo de evento com mais frequência, nós estaremos adaptados para saber lidar, desde identificar melhor, eh, com

mais eh eh rapidez o o o os impactos dos eventos meteorológicos, por exemplo, até saber lidar com as situações para para as forças de resposta atuarem de maneira mais rápida, recuperar a infraestrutura eventualmente perdida, enfim, todo esse fluxo de trabalho, ele foi muito eh estressado e e aprimorado ao longo desse último ano. Então, nossa situação hoje eh no estado, ela é muito superior à que nós tínhamos há um ano atrás para lidar com essa situação e isso vai melhorar ainda e bastante no futuro em decorrência da eh maturação de todos esses projetos que estão em andamento. Secretário, eh, o estado do Rio Grande do Sul possui hoje uma carteira bastante robusta, né? Então, se você puder trazer pra gente qual que é o CAPEX estimado aí de investimento e quais são os setores que vão eh liderar esse novo ciclo de concessões do estado do Rio Grande do Sul eh nos próximos anos? Bom, Maurício, vamos lá. Eu vou vou antes de falar da carteira de concessões, é importante a gente falar um pouco da dos valores de investimento do próprio plano Rio Grande aqui, das ações associadas à reconstrução, porque isso indiretamente também tem um impacto aqui na atração de investimentos. De maneira geral, nós temos eh cerca de R bilhões deais destinados à reconstrução do estado, eh divididos numa série de projetos que vão desde a recuperação eh de rodovias, a construção de eh habitações,

sistemas de proteção contra cheias, eh, e outras atividades, né? compra de radares meteorológicos, eh, enfim, toda uma série de ações aqui para melhorar a nossa capacidade preditiva eh do dos eventos climáticos extremos. Então, tudo isso faz parte dessa carteira de investimento público direto. Então, cerca de R bilhões deais em andamento para serem executados eh boa parte deles nos próximos 2 anos, 2, 3 anos. Além disso, nós temos a nossa carteira de parcerias e concessões, que também gira em torno, tá, na casa dos 20 bilhões deais. Nós temos aqui hoje eh uma carteira para ser licitada que deve somar algo em torno de 26 bilhões de capex, né? São vários projetos também. Eh, uma boa parte disso, quase a metade, eh, em rodovias, nós temos dois blocos de rodovias em estruturação. Um deles já na eminência de ter eh edital eh lançado, né, o bloco dois, que envolve rodovias eh no Vale do Taquari e na região norte do estado. Lembrando aqui que o Vale do Taquari foi uma das regiões muito afetadas, né, pelas enchentes do ano passado e que precisa ter um conjunto grande de investimentos ali também, eh, do ponto de vista de resiliência, mas principalmente de ligação com as outras regiões, enfim, para evitar eh que isolamentos eh provocados pelas enchentes aconteçam novamente, como a gente viu em alguns casos. Então, rodovias são eh compõe aí praticamente a metade desses investimentos, mas temos outros projetos grandes também. como o saneamento, né?

Nós eh estamos trabalhando agora para fazer eh para ajudar os municípios a fazer a concessão do saneamento eh daqueles, né, daquele conjunto de municípios que não fazia parte da Corsan, foi a primeira empresa privatizada, né, eh, depois do novo marco do saneamento, privatizada eh como um todo, né, de maneira geral, a a a Corsã foi vendida, eh, pro setor privado. Lá a gente tinha 317 municípios atendidos e nós temos outro conjunto de municípios que hoje nós precisamos avançar. Isso deve nos gerar aí um um investimento em torno de R$ 7 bilhões deais. Então é um conjunto também bastante robusto. Além disso, temos duas PPPs na área social que são muito e importantes também. uma delas de eh da infraestrutura escolar, ou seja, para fazer a revitalização e a gestão e operação de das nossas dos do dos prédios, né, das nossas escolas, eh, que deve ter mais ou menos 1.4 B de capex envolvido aqui, eh, considerando o investimento no retrofit nesse primeiro momento e também o reinvestimento ao longo do tempo. Temos um hospital novo, completamente Greenfield, que vai ser construído também por meio de PPP na cidade de Viamão, aqui na região metropolitana. Eh, ou seja, um projeto também que tem uma capacidade de e desafogar o atendimento hospitalar na região metropolitana. Essa é uma atuação importante também eh no nesse nesse contexto todo de resiliência, né? Eh, e

temos também dois projetos que eu destacaria aqui na área de mobilidade urbana. Um deles é a concessão eh do transporte metropolitano por ônibus, que deve ter um capex aí previsto também da ordem de 3 bi de reais, né? E aí não só capex, né, mas CAPEX e operação do sistema. E também temos Trensurb, que é um projeto em parceria com o governo federal, dado que é uma empresa pública federal operando, eh, é o trem aqui de Porto Alegre, eh, que prevê também investimentos de Rhãoio deais. Então, uma carteira bastante robusta aqui, eh, considerando, eh, todos esses projetos em estruturação. Boa parte deles, educação já tá com edital também prestes a ser lançado. Vamos lançar em breve a consulta pública do hospital eh de via um também com com consulta pública chegando também próximo para que a gente possa avançar com rapidez nesses projetos. Afinal de contas, temos aí eh um ano e meio pela frente nessa gestão. Ótimo. Secretário, você detalhou aqui vários, você falou de vários projetos, né? Rodovia, saneamento, PPP social. Agora acho que a gente vai entrar um pouquinho no detalhe de cada um. Queria começar falar um pouquinho de concessão de rodovia, né? Eh, o estado do Rio Grande do Sul foi um dos primeiros a a adotar o modelo de pedágio pelo fluxo livre, né? O chamado free flow. Eh, eu queria entender o que motivou essa decisão do do estado e também como ela tá conectada com essa visão de

modernização da infraestrutura e também quais foram os desafios, né? Porque quando você é o primeiro a fazer algo que não tá sendo feito, né? No caso dentro aqui do Brasil, você tem alguns desafios. Então, eu queria que você falasse um pouquinho sobre isso. Bom, vamos lá. Esse é um projeto super importante, né? O o o free flow é algo que o Brasil já discutia há bastante tempo, né? A legislação foi mudada eh em 2021 para permitir, né? O Código de Trânsito Brasileiro foi adaptado para permitir a utilização do freelow ali em 2021. Mas claro, os desafios operacionais são imensos. Então, a NTT começou a fazer um projeto piloto com a CCR lá no eh no Rio de Janeiro eh para implementar, né, o o o Freflow fez uma experiência de um sandbox regulatório com a implantação de três pórticos de cobrança. Eh, essa era a experiência que tínhamos até então no no Brasil funcionando. Nós e desde que eu cheguei aqui em 2023, existiu uma demanda, principalmente da região ali do Vale do Taquari, onde nós estamos fazendo essa modelagem do bloco dois, de buscar o freeow pela justiça da cobrança, né, da tarifa. Eh, o modelo anterior que tava sendo estudado previa a colocação de praças físicas, afinal de contas, era o modelo possível no país. E isso acaba penalizando muito as pessoas que passam eh às vezes transitam uma quilometragem pequena, mas são obrigadas a passar pela praça de pedagem. Então, a comunidade, né, eh, o setor empresarial me trouxe

essa demanda assim que eu cheguei aqui na secretaria. E aí nós passamos a eh estudar isso e ver com bons olhos. Afinal de contas, em dezembro de 2022, ali no finalzinho do ano, tinha acontecido a regulamentação pelo contrã e da própria alteração legal que tinha acontecido, né? E aí nós começamos a estudar o modelo, eh, ver o que que seria necessário para implantá-lo e começamos a discutir nesse meio do caminho, a nossa concessão existente ali no na Serra Gaúcha, eh, o bloco três, né, operado pela concessionária Caminhos da Serra Gaúcha, eh começou também a tratar conosco aqui sobre a possibilidade de buscar essa substituição das praças físicas que seriam construídas nessa concessão pela colocação dos pórticos. E aí nos debruçamos, né, com a equipe técnica aqui junto com a concessionária, buscando o apoio da NTT, da CCR para compartilhar esses dados todos, eh, para ver como é que a gente poderia fazer para avançar nesse, nesse processo. E conseguimos ter uma experiência muito bem sucedida. Eh, transformamos essa, eh, concessão que teria praças físicas eh em freeow. Não é ainda o freeow que tem a justiça tarifária. O que nós fizemos ali neste bloco foi substituir simplesmente as praças físicas pela cobrança automática, o que nos deu a experiência que nós temos hoje para no bloco dois, que é esse que tá em estruturação, já termos uma cobrança toda compartimentada. Serão 24 pontos de cobrança, ou seja, uma cobrança muito

mais proporcional ao trecho percorrido pela pelo motorista. E aí, sobre desafios, André e Maurício, claro, tudo na gestão pública eh é difícil, né, de você implementar. Então, tem uma série de coisas que você precisa tratar, enfim, ainda mais considerando um tema que tem tem várias interfaces de risco, enfim, tem a parte financeira. fomos vencendo cada um desses desafios porque tínhamos uma uma um objetivo claro que era ver essa modernização. Nós tínhamos a clareza desde sempre, com respaldo eh do governador Eduardo também para avançar nessa nesse processo de incorporação de tecnologia, porque de fato é é além de trazer o benefício do do ganho de tempo das pessoas, de não ter que parar no ponto de cobrança, eh, de não de você eh também evitar um gasto maior de e de combustível, né? você tem, você mantém uma velocidade na via, diminui a a emissão de poluentes, ou seja, você imagina isso sendo implementado no Brasil como um todo. E para nós que trabalhamos no setor, é claro que é é super legal você ser o pioneiro, você conseguir fazer as coisas, né? Um tipo de competição muito positiva, né? Você eh tentar fazer na frente do do dos outros estados. Enfim, eu brincava muito com o pessoal aqui, eh, que a gente tinha que fazer antes do governador Tarcío, eh, que é sempre foi um grande entusiasta, né, com a equipe dele lá no Ministério da Infraestrutura

e desde antes também eh chegamos a trabalhar ali juntos, não mesmo eh ministério, mas trabalhando com a mesma pauta e com uma interface muito grande. Então, admiro, sempre admirei muito o governador Tarcísio. Então eu brincava muito com a equipe aqui e sempre provocava o pessoal dele lá para nós vamos fazer na frente de vocês aí porque eh a gente quer fazer isso e no fim das contas é acaba sendo um trabalho colaborativo que tem benefícios muito grandes pr pra sociedade. Hoje vejam eh nós estamos com uma inadimplência, né? A inadimplência sempre foi uma grande dúvida, né? No no no país aqui o que que seria, né? Como é que a população brasileira se adaptaria a esse tipo de modelo? Hoje nós temos uma inadimplência que é de cerca de 3%. Ou seja, a cada 100 pessoas que passam nos pontos de cobrança, 97 conseguem fazer o pagamento, fazem o pagamento, eh, no no tempo correto, enfim. Então, eh, tudo isso tem sido muito gratificante para todos nós aqui de ver esse modelo evoluindo e imagina o tanto de benefício que a gente que a gente vai ter quando a gente conseguir converter eh concessões que t um grande volume de tráfego que a gente vê uma retenção muito grande nas praças de pedágio, né? Imagina esse fluxo eh de fato acontecendo de maneira livre aí. Assim, eh, essa parte de inadimplência a gente sempre tratou aqui e havia uma expectativa de ser na faixa de 15%, né? Você trazendo uma taxa de 3% realmente demonstra uma adaptação cultural do estado do Rio Grande do Sul para essa

inovação, essa tecnologia. Então, veio para ficar e a expectativa nos próximos blocos também esses editais já prevêm o modelo por freu praça de pedágio física? Não, não tem praça de de pedágio física. Todas as nossas duas modelagens aqui já prevlow e o freeow eh propriamente dito com a a uma um maior número de pontos de cobrança, com uma tarifa menor em cada ponto, refletindo ali eh o trecho de cobertura eh menor, ou seja, uma cobrança mais proporcional ao trecho que o motorista eh percorrer. E outra coisa, Maurício, que é super interessante, que a gente viu aqui, é durante esse período da implementação, o grande volume, o grande aumento da utilização e de tags. Eh, na concessão aqui na serra, por exemplo, 91% dos veículos de carga já estão utilizando tag. Eh, isso é muito surpreendente. Eh, nós tínhamos uma taxa que era de cerca de metade dos veículos de carga utilizando as tags no começo ali da implementação e hoje nós já subimos para 91%. Então, eh, isso isso mostra a adaptação em relação a a esse tipo de cobrança. Eh, no total hoje 76% das pessoas que passam já tem o tag. Então isso é é impressionante. A concessionária também tem feito um trabalho muito importante de viabilização de alternativas de pagamento. Então não é só a tag que faz com que a pessoa possa passar sem preocupação. A a concessionária criou um

cadastro que eh a partir dele a a o motorista pode colocar créditos ali numa carteira virtual, enfim. Então, eh, essa adaptação e implementação tem sido, eh, mais, as pessoas têm sido mais receptivas do que a gente imaginava lá no começo, como você falou, a gente previa taxas de inadimplência muito maiores. E a gente teve uma preocupação muito grande aqui também para evitar notificações erradas, eh, para, ou seja, para, para evitar de multar uma pessoa que não passou pelo local. Eh, claro, esse processo de identificação do veículo, né, que passa, ele é complexo, né, o sistema, ele pode tá suscetível a erros. Então, a concessionária montou um sistema de backoffice ali muito eh bem elaborado. Nós também alinhamos o incentivo eh estabelecendo uma penalidade pra concessionária por notificação equivocada. Então, tudo isso eh nos possibilitou ter o sucesso que a gente tem hoje com o modelo. E isso fica muito evidente quando a gente vê os outros estados eh tomando como base as nossas os nossos parâmetros, né, aquilo que a gente construiu aqui, eh, de maneira inicial. Então, nós estamos muito satisfeitos aqui com essa implementação. Secretário, eh, o os blocos que ainda vão a leilão. Queria entender primeiro eh como que foi a construção desse eh desse contrato, tendo em vista de tudo que aconteceu no estado, né, da tragédia climática, né, o que que talvez foi

colocado de diferente, que nos contratos anteriores eh não estava previsto, principalmente em questão de resiliência. Eh, eu também queria entender a expectativa do governo em relação a esses leilões, né? Quando vai acontecer, você citou, acho que pincelando, quando você passou por todos os projetos, eh, eu queria que você falasse um pouco mais detalhado sua expectativa esse ano, eh, se vocês estão esperando leilões disputados. Eh, e também eu queria eh eh entender eh o o quanto só nesses projetos, porque acho que você citou de valores nos outros, né, quando você falou de saneamento, mas esses de rodovia eu queria saber o quanto de investimento é previsto nesses blocos que ainda estão previstos para leilão, tá? eh um desses blocos que é o bloco dois, né, ali na na região do Vale do Taquari, na região norte do estado, eh ele tem a previsão de 5.8 B de capex. Eh, e a nossa previsão é lançar o edital quanto antes. Estamos esperando a resposta do Tribunal de Contas do Estado aqui, que faz uma avaliação prévia. Eh, então a expectativa é lançar eh no nas próximas semanas esse edital para ter leilão ali por volta de outubro desse ano ainda, de 2025. eh, pro bloco dois. Então, são 6 B de investimento, 5.8 B, eh, previsão de leilão em outubro. Esperamos sim ter um leilão disputado. A gente já vem trabalhando com o mercado, eh, com potenciais investidores. Eh, esse projeto há algum tempo. Era um projeto que já tava em estruturação eh quando eu cheguei aqui na secretaria.

Claro, fizemos uma adaptação para incorporar o freeow e também tivemos que fazer uma adaptação depois da do que aconteceu em maio do ano passado. Então, o que que nós estamos prevendo de diferente eh nesse bloco dois? Eh, primeiro que nós fizemos uma revisão ali do capex necessário, ou seja, do investimento que precisa ser feito nas rodovias. Então, nós estamos prevendo ali, por exemplo, em alguns pontos, eh, um aprimoramento da camada de uma camada drenante ali de, eh, no aterro das rodovias para que elas possam eventualmente eh ficar submersas em algum momento e não serem deterioradas, né? Porque nós temos em alguns trechos eh a rodovias que passam muito próximas ao leito de grandes rios. Então, eh eh é é possível que em determinados casos, em algum momento, essa essa água suba e acabe cobrindo ali eh o pavimento. Então ter uma camada eh drenante melhor ali eh desenhada nos dá uma capacidade de suportar esses eventos, ou seja, agrega resiliência para pro investimento. Além disso, nós estamos prevendo aqui o alteamento é de algumas pontes nesse nesses trajetos, pontes que passaram a ter que ser recalculadas, né? Os os parâmetros hidrológicos depois do do evento do ano passado eh mudaram. Então, nós estamos prevendo isso também aqui dentro eh do edital. Então, existe a necessidade de eh nas duplicações previstas fazer pontes já em cota eh mais elevada e isso já tá dimensionado dentro eh do nosso modelo econômico

financeiro. Isso é importante para trazer também eh mais eh credibilidade e mais segurança pro investidor. Outro ponto importante aqui também é exigir da concessionária, logo que ela entre, um plano ali para que ela faça uma uma checagem dos pontos que possam estar sujeitos a eventos eh meteorológicos, enfim, que possam causar eh danos ali nas rodovias para que a gente possa tratar isso na sequência. essa delimitação do risco eh geotécnico também tá bem mais claro no contrato do que já foi antes. Então, eh todas essas adequações estão sendo eh feitas e debatidas, né? foram debatidas na consulta pública desse edital e foram muito discutidas com investidores e com os técnicos também, ou seja, tivemos um olhar muito eh criterioso para para esse eh tema que é a resiliência e a exposição a determinados riscos. E aí o bloco um, que também tem eh investimentos previstos aí da ordem de 6 bilhões, R5 milhões deais, são rodovias aqui na região metropolitana de Porto Alegre e na indire indo em direção ao litoral norte do estado. Esse nós estamos prevendo abrir a audiência pública, a consulta pública, perdão, eh nas próximas no próximo mês, muito provavelmente. É, esses estudos ainda estão sendo finalizados pelo BNDS, que é o nosso parceiro estruturador, para que a gente possa começar a discutir, né, e com com a sociedade aqui, com a

comunidade. Lembrando que é também um projeto que já tava em estruturação, mas que também previa a instalação de praças físicas, claro, como sempre, com aqueles pedágios mais altos, né, um valor de face do pedágio mais alto em alguns pontos específicos. Agora a gente migra de novo pro sistema freeow como no bloco dois para ter uma cobrança mais justa também. Então esse esse leilão deve ficar ali pro pro primeiro semestre do ano de 2026. Ótimo, secretário. Eh, saindo de rodovias e indo agora pro saneamento, eh o senhor escreveu: "Ou saneamento é universal ou não é". gostaria de entender com você qual que é o atual cenário do estado do Rio Grande do Sul em busca da meta da universalização até 203. Bom, eh, e reafirmo isso que eu disse antes, eu tive o prazer aí, a oportunidade de trabalhar também enquanto estava no Ministério da Economia na elaboração do novo marco do saneamento. Então, talvez uma das uma das reformas microeconômicas mais importantes que foram feitas eh entre 2019 e 22. E o Ministério da Economia eh teve um papel muito importante nesse processo, claro, em parceria com os outros ministérios ali finalísticos, mas ministro Paulo Guedes tinha eh o saneamento como um item essencial para que o Brasil pudesse se desenvolver. Eh, governador Eduardo Leite foi um parceiro desde o início nesse processo também nos ajudou naquele momento a convencer outros governadores, a convencer os parlamentares de que a aprovação do

marco era fundamental para que a gente pudesse eh alavancar os investimentos no setor, né? Passamos aí décadas de sofrimento para conseguir buscar a universalização, nunca conseguimos, né, naquele modelo baseado no investimento público, eh, ou no investimento feito pelas empresas estatais, fracassamos nesse objetivo e o novo marco se mostrou eh fundamental para atingir esses objetivos. Já vemos hoje no Brasil uma série de projetos que saíram do papel e que viabilizaram, estão viabilizando um conjunto e de mais de R$ 100 bilhões de reais de investimento. E aqui no Rio Grande do Sul tivemos a primeira companhia e de saneamento privatizada na sua integralidade, que foi a Corsan. Desde então, nós já vimos, né, no no último ano aí onde ela foi eh começou as suas operações, um investimento eh que é cinco vezes maior do que a companhia estadual conseguia fazer. Então nós tivemos mais de 1 bi de reais investidos pela AEGEIA, né, hoje controladora da Corsan, eh, enquanto a Corsan pública conseguia investir no máximo R milhões deais num ano. Então, esse processo de universalização neste conjunto dos 317 municípios que hoje são administrados pela EGEIA, tá muito bem encaminhado para perseguir ali a meta eh de universalização até 203. No entanto, nós percebemos aqui que eh nós

não estamos avançando nos outros municípios na velocidade necessária para fazer e garantir a universalização até 202, até 2033. Eh, e isso é um tema crítico, né, pro ponto de vista do desenvolvimento, eh, não só do estado, mas do Brasil como um todo. Que que nós tomamos aqui a decisão? Nós precisamos ajudar mais os municípios, nós precisamos oferecer alternativas para que os municípios consigam também alavancar e deslanchar esses investimentos. Para isso, nós partimos paraa modelagem desse conjunto de outros municípios. Claro, tem alguns municípios aqui que já estão mais avançados e que não tão eh município de Porto Alegre, por exemplo, nós não estamos colocando dentro dessa estruturação que nós vamos fazer. tem um processo já em andamento de de parceria ali em relação ao DEMAI, que é o departamento que cuida eh do saneamento aqui em Porto Alegre. Eh, mas pros outros municípios, nós vamos oferecer uma modelagem eh que também possa trazer os ganhos de escala que a própria eh legislação nos orienta a fazer, né? Eh, a regionalização era um dos pilares fundamentais na busca pela eh pelo pela universalização, porque nos garantiria uma capacidade maior de eh ter ganhos escala nesse processo que é tão fundamental. Eh, então nós contratamos, né, estamos fazendo esse processo com um fundo que é administrado pelo governo federal, é o fiz ali pelo Ministério do Desenvolvimento eh regional e da integração, mas tem uma participação muito grande do PPI também.

Eh, ou seja, um mecanismo que foi criado que tem uma uma possibilidade, é um fundo que é gerido eh por uma organização privada, né? um modelo também muito disruptivo que foi feito eh e consolidado, foi feito ali, começou em 2022, mas consolidado neste governo também, um ponto muito eh elogioso aqui que temos que fazer também ao governo atual nesse sentido de continuar esse projeto que é fundamental para alavancar investimentos. Então, nós vamos fazer essa modelagem. O projeto já tá em andamento ali com o Fid, em contratação de consultores. Nossa, eh, nosso nossa linha do tempo aqui prevê o início dessa estruturação eh acontecendo agora no início de setembro para que eh a gente possa fazer também viabilizar aí leilão no primeiro semestre do ano de 2026. Importante lembrar que a gente vai ter, claro, uma discussão muito eh grande aqui com os municípios também. nós vamos levar para eles esse diagnóstico eh desses estudos que vamos fazer. Nós temos aqui uma quantidade de informações grande também que vem do plano estadual de saneamento que foi realizado eh ao longo dos últimos anos, né? Foi também a consulta pública e tem um conjunto, foi um estudo muito robusto feito também eh pelo estado, que contratou eh profissionais muito qualificados para fazê-lo. E ali a gente tem uma um dimensionamento, né? eh aproximado do que que seria necessário, usando, claro,

números aqui, aproximações paramétricas para entender o que que a gente precisaria de investimento para viabilizar a universalização nesses outros municípios também. Então, a gente chega ali numa necessidade de R$ 7 bilhões deais de investimento, ou seja, e é um volume muito expressivo que sozinhos os municípios eh estão tendo dificuldade de viabilizar e de canalizar pra gente e acabar de uma vez por todas com esse fantasma que é a falta de abastecimento de água tratada e principalmente de coleta e tratamento de esgoto. E secretário, eh, seria em torno de 180 municípios, eh muito provavelmente 183, né? Você citou que Porto Alegre não entraria na conta. Eh, considerando que o leilão aconteceria no primeiro semestre de 2000 2026, né? Seriam 6 anos até e o o prazo do marco. O senhor acredita, eu sei que tá tudo em modelagem, tá tudo em estudo, mas o senhor acredita que esses esses municípios eh dando tudo certo, né? todo mundo aceitando e entrando nessa regionalização e nessa concessão. Vai ser possível o estado do Rio Grande do Sul como um todo atingir a meta eh do marco de saneamento? Bom, nós temos que buscar isso, né, André? A legislação não nos dá a alternativa de não perseguir a universalização até 203. Eh, veja que já é um absurdo. O Brasil tá discutindo nessa altura da vida, eh, universalização de saneamento. Isso é um problema que os países desenvolvidos

resolveram há 200 anos. Eh, é inadmissível um país que quer tá na fronteira eh do conhecimento, que quer tá na fronteira da infraestrutura, tá discutindo até hoje eh falta de tratamento de esgoto que polui os nossos mananciais, polui os nossos rios, eh eh causa um um transtorno muito grande na saúde pública. Ou seja, então nós não temos essa opção, nós temos que buscar essa universalização. É claro que eh a gente tem aqui situações que são que vão vão ser diferentes de acordo com os municípios. Tem municípios que estão mais próximos dessa universalização e tem municípios que não. Nós vamos ter que priorizar na modelagem esses municípios que estão mais e distantes de alcançar essas metas para que os investimentos sejam feitos com uma rapidez maior, né? A gente vai ter que viabilizar eh esse tipo de de solução. Então, o estado é parceiro nesse processo dos municípios. para eh oferecer essa alternativa eh e garantir algo que eh é inadmissível que nós não tenhamos até hoje. Secretário. Eh, seguindo um pouco agora para outra para outra parte, né, também deixando o saneamento um pouco de lado, eh, mas falando um pouco sobre as PPPs sociais que você citou pra gente aqui, eh, gostaria de entender, né, você citou as PPPs sociais, como a parte de educação, eh, construção também de hospitais, eh, qual que é o impacto que o estado do Rio Grande do Sul espera com essas parcerias público-privada? E só acrescentar a pergunta do Maurício, principalmente nas escolas existe muita dúvida. Eh, o mercado já entende, né? A gente sabe que

muita gente que assiste a gente sabe como funciona, mas até explicar pr população, né? No caso das escolas é só da infraestrutura? E tem envolvimento e em relação à parte pedagógica? Qual que é o modelo do Rio Grande do Sul em relação a isso? Bom, vamos lá. Importante, André, esse ponto. Eh, no caso da PPP, eh, no setor de educação, aqui, nós não estamos falando de, eh, nenhum tipo de interferência na parte pedagógica. Isso não faz parte do projeto. Eh, muitas vezes isso traz uma confusão de fato, né, porque a gente fala PPP de escolas, mas é da infraestrutura escolar. Eh, talvez a gente tenha que deixar isso eh mais claro paraas pessoas quando a gente vai fazer esse tipo de discussão. Nós estamos falando de eh contratar uma gestão eh claro uma uma requalificação dos prédios eh das escolas, claro, associado a uma operação desses prédios para garantir que os nossos professores, os nossos diretores de escola dediquem o seu tempo integralmente ao ensino, né? toda a parte educacional vai permanecer sob a gestão e a orientação da Secretaria de Educação, dos nossos diretores e principalmente dos nossos professores. Não há nenhum tipo, no nosso caso aqui, de vinculação da parte pedagógica nesse projeto, né, totalmente independente. O que nós estamos querendo aqui é gerar condições de trabalho

melhores para pros nossos diretores e para nossos professores. A gente sabe que, principalmente aqui no nosso caso, né, no Rio Grande do Sul, nós temos prédios muito antigos, eh, onde essas escolas funcionam e que tem uma série de problemas que afetam a parte educacional, né? Nós temos aqui evidências de que os nossos diretores de escola, né, gastam muito tempo resolvendo problemas do dia a dia da gestão eh predial, né? Não, não é isso não não é isso que a gente precisa, não é isso que não é esse o papel dos nossos diretores. Então, desde o início, fizemos uma parceria muito e boa com a Secretaria de Educação para fazer esse projeto. E aí, interessante nesse eh nesse projeto aqui é que a gente, como é que a gente fez, são 99 escolas que nós estamos fazendo essa PPP. Eh, como é que a gente fez a seleção dessa desse conjunto de escolas? nós eh o estado como um todo tem duas mais de 2.300 escolas estaduais. Nós estamos selecionando só 99 para esse primeiro projeto. Como que nós fizemos essa seleção? Eh, nós usamos um programa que o estado desenhou, que é o programa RS Seguro, que é a base, inclusive para que o estado tenha conseguido alcançar uma melhoria importantíssima eh nos indicadores de criminalidade. Então, hoje o estado vem batendo recorde atrás de recorde na eh redução da criminalidade, diminuição do roubo de veículos, do roubo de celulares, eh do número de homicídios. Então, tudo isso foi feito com base neste programa RS

Seguro, que é uma estratégia de tratar de maneira integr eh de maneira coordenada eh vários setores ali dentro de determinadas áreas, né, os clusters de criminalidade que foram mapeados, eh, para que a política pública pudesse entrar de maneira organizada nesses lugares e fazer com que a criminalidade reduzisse. Então, nós pegamos e e usamos essa mesma delimitação, né? pegamos esses pontos onde a criminalidade era mais alta no estado para poder selecionar essas escolas. Ou seja, nós estamos indo nas áreas mais vulneráveis socialmente do estado para garantir que escolas naquelas localidades tenham uma infraestrutura de ponta para que os nossos alunos naqueles locais possam ter vontade, possam querer e se sentir e bem dentro dessa infraestrutura e aí facilitar a vida dos nossos educadores que estão ali. Então, eh eh isso é algo muito inovador no Brasil também quando a gente fala de seleção de projetos, né, de escolas para entrar num tipo de projeto eh como esse. Então, eh, em relação ao mercado também que você eh perguntou, André, hoje nós já vemos um amadurecimento grande, eh, em evolução ainda, claro, mas a gente vê alguns já operadores eh associados a investidores financeiros olhando muito para esse setor. Então, a gente já viu São Paulo fazer projetos eh com sucesso. A gente já viu Caxias do Sul aqui também licitou recentemente um projeto. Claro, eram

eram escolas de ensino fundamental, mas também já atraindo o setor privado para para trabalhar. A gente tem o exemplo clássico aqui que é o da PPP das escolas eh lá em Belo Horizonte, né, do município de Belo Horizonte, que é um grande sucesso. Nós visitamos aqui, levamos muita gente para conhecer também. Então, é um setor que vem em franca evolução e tem um um potencial de nos ajudar muito aqui a a viabilizar uma melhoria da das condições das nossas escolas. Secretário, eh como é que estão os projetos de concessão dos aeroportos regionais do estado? Bom, vamos lá. E esqueci de falar aqui, Maurício, da sua outra pergunta do hospital. O o hospital também é um é um hospital que tá sendo desenhado eh aqui pra região metropolitana, na cidade de Viamão. Eh, vai ter ali tem a previsão de cerca de R$ 800 milhões de reais de investimento. É um projeto eh bata branca e bata cinza, ou seja, para operação completa eh do do hospital. Secretaria de Saúde também dimensionou toda essa necessidade para que a gente possa melhorar a capacidade da rede do estado como um todo, eh, para que a gente tenha um atendimento, eh, hospitalar mais homogêneo aqui, com uma eficiência e efetividade maiores. Então, esse processo também eh já vai abrir, nós vamos abrir consulta pública agora em breve, né? a expectativa é ainda no mês de agosto abrir essa consulta para eh debater também com a com a sociedade.

Então, eh estamos também apostando muito nesse projeto. É um hospital eh de alta e média complexidade. Tem aqui neurocirurgia, neurologia, ortopedia, enfim, uma série eh de especialidades clínicas que a gente prevê paraa implantação nesse hospital. Ou seja, um projeto também complexo do ponto de vista de estruturação. Temos o BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento nos auxiliando nessa estruturação. Bid também tem uma experiência eh grande nesse tipo de modelagem, trouxe consultores também eh muito capacitados para olhar para pro setor da saúde. Então, estamos muito confiantes aqui também eh em ter sucesso nesse nesse projeto que é outro também ramo que vem se desenvolvendo bastante no Brasil. a gente já vê outros projetos que foram licitados e tão e e a gente tá vendo eh operadores e investidores financeiros também muito interessados em estudar esses projetos. E aí, pulando pros eh aeroportos regionais, nós estamos com eh dois aeroportos aqui com edital publicado. É um é um é um único projeto que tem dois aeroportos, o aeroporto de Passo Fundo e o aeroporto de Santo Ângelo. Passo Fundo, para quem tá nos vendo aí, não não conhece, é uma cidade na região norte aqui do Rio Grande do Sul, uma região e que se desenvolve muito, né? Eh, é uma região economicamente muito importante pro estado, tem um agronegócio muito forte. Eh, a região de Santo Ângelo fica na região das missões, aqui um pouco mais a oeste de Passo Fundo, também uma região

muito forte no agronegócio, tem um potencial turístico muito grande e tem dois aeroportos que precisam se desenvolver e a gente precisa garantir a a operação dessa infraestrutura por um longo período. Lembrando que o estado já conta hoje com outros aeroportos concedidos, não pelo estado, mas pela união. Nós temos aqui o aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre. é operado pela Frapor. E temos os aeroportos de Bajé, Pelotas e Uruguaiana, que estão no mesmo bloco aqui eh do aeroporto de Curitiba, né? Foram licitados pela eh União. Então, a gente tem um conjunto já de aeroportos concedidos que nos garante uma infraestrutura aeroportuária e boa, mas nós temos que avançar. E aí a gente olhando aqui pra região mais a norte do estado com os dois aeroportos de Passo Fundo Santo Ângelo, a gente vai ter uma capacidade maior até para viabilizar um conjunto e ainda maior de voos regionais eh pro estado. Então, nós estamos prevendo aqui eh eh um investimento de R$ 100 milhões deais, da ordem de R$ 100 milhõesais para um contrato de 30 anos, com leilão previsto aqui, marcado já, na verdade, pro dia 26 de setembro lá na B3. Estamos agora num processo de eh divulgar esse edital. Já temos aqui e visitas técnicas realizadas. Enfim, também estamos muito otimistas com uma participação eh de de algumas empresas pra gente viabilizar uma competição e o quanto antes assinar esse contrato para que os investimentos comecem logo. Ótimo, secretário. A gente tá caminhando pro pro fim, né, dessa nossa conversa.

Eh, o senhor passou por praticamente todos os grandes setores da infraestrutura, né? Mostrou que realmente, como o Maurício comentou no início, eh o pipeline do estado é robusto. E aí eu queria que o senhor, olhando pro Brasil, até pela sua experiência já eh no governo federal, que o senhor vê que falta eh destravar na agenda nacional, na agenda do Brasil, pra gente avançar na infraestrutura. A gente falou muito de concessão, de PPP, mas você também detalhou que que assim, se a gente for ver, são 40 bi no total, né? 20 de investimento público de reconstrução e mais 20 bi dentro dessa carteira de concessões e PPPs. Eh, a gente sempre brinca aqui que tem um número mágico de 4% do PIB, né, do país pra gente conseguir avançar em infraestrutura. Queria a sua visão mesmo eh do que o Brasil precisa eh para conseguir ter uma infraestrutura eh eficiente e que ajude o o país a crescer. Bom, é pergunta difícil, mas que a gente precisa enfrentar, né? Quando lá em 2019 nós fizemos um estudo no governo federal lá no Ministério da Economia, eh, para entender exatamente qual é, eh, para sair dessa coisa do número mágico de 4%, a gente foi buscar eh uma evidência para saber o que que seria essa necessidade de investimento eh em infraestrutura no Brasil para que a gente se quisesse alcançar o nível, né, o patamar de infraestrutura eh dos países desenvolvidos daqui a 20, 30 anos. E a conclusão que nós chegamos é que nós precisaríamos praticamente triplicar esses investimentos em relação ao que

nós fazíamos ali eh em 2019, 2020. Ou seja, é um aumento muito grande, né? Por mais que a gente tenha avançado muito e e a gente vem consolidando, né? O país vem consolidando avanços em muitas áreas. com rodovias, a gente vê eh cada vez mais a a a o volume de concessões aumentando. Isso é importantíssimo. Eu fico muito feliz de ver eh o governo federal, ministro eh Renan, falando da carteira de concessões eh de rodovias federais e apostando muito nesse modelo, que é um modelo que tá certo. Então, eh isso acho que tá bem encaminhado no país em relação a rodovias, mas nós temos que avançar em outros setores. Ferrovias, né? é um setor que me preocupa muito, principalmente olhando aqui pro nosso estado, Rio Grande do Sul, eh temos um embrolho muito grande nessa negociação da renovação, né, da da concessão da malha sul, né, já vem um processo longo aí de discussão e até hoje nós não temos essa viabilização de investimentos aqui. Hoje a malha do Rio Grande do Sul está completamente sucateada. Já vinha sendo sucateada e e colocada de lado pela Rumo já há bastante tempo. Depois das enchentes, isso piorou. Então o fato é que hoje nós não temos conexão mais da malha viária do Rio Grande do Sul com o restante do Brasil. Isso é ruim pra logística da região e é claro, é ruim pra logística do Brasil. Então, ferrovias, eh, nós

precisamos avançar. Eh, o estado do Rio Grande do Sul tem trabalhado aqui com os outros estados, com Santa Catarina, com o Paraná e com o Mato Grosso do Sul, principalmente, para, eh, viabilizar e e e fazer uma discussão mais qualificada com a União nesse sentido. Ou seja, nós precisamos viabilizar investimentos eh nessa malha, né? Nós precisamos restabelecer essa conexão do estado com o restante do Brasil e principalmente melhorar a ligação que nós temos aqui entre a região norte do estado, que produz muitos grãos, por exemplo, com o porto de Rio Grande, que é a nossa principal eh saída aqui pra exportação. Então, esse é um setor que me preocupa. Claro, saneamento, nós ainda temos no Brasil muita coisa para ser feita. Muitos estados avançaram, mas outros ainda precisam avançar. Então, nós temos que ter um olhar muito eh criterioso também eh pros estados que não avançaram paraa concessão, né, do serviço de saneamento, porque esse é essa é a única forma que nós temos de garantir essa universalização. Eh, o setor de energia me preocupa também, nós temos que avançar nas reformas eh microeconômicas, nós temos que avançar na discussão eh do mercado livre de energia e a transição para esse mercado. Então, eh, uma discussão que foi feita bastante ali entre 2019 e 22 com o Congresso Nacional, com o Senado, com a Câmara, mas que precisa avançar. Nós temos que ter um cuidado muito grande na discussão do setor energético com o Congresso. Nós temos que estar atento ali a a todos os

lobis que acabam eh trazendo interesses específicos e colocando custos maiores pro nosso setor sem que a nossa sociedade perceba. É fundamental, né? O setor energético ele tem uma característica que é a divisão de custos entre muita gente. Então, muitas vezes parece que medidas que são colocadas ali de subsídios eh a determinados setores não vão impactar tanto as pessoas. Mas no fim das contas, nós temos hoje um acúmulo tão grande eh de subsídios e encargos dentro da nossa tarifa de energia, que isso vai que acaba inviabilizando o o investimentos maiores e acaba inviabilizando a atividade econômica. Então, nós temos que ter um olhar muito criterioso para esse setor eh de energia, né, e e fazer uma discussão muito qualificada. é um setor extremamente complexo. Eh, não é fácil entender todas as regras que estão colocadas ali, mas é fundamental um olhar com muita atenção para tudo que acontece, para todas as medidas que são levadas ali, a cada vez que uma medida provisória é enviada ao Congresso Nacional sobre o pretexto de resolver algum ponto, nós vemos ali um uma centena de outras coisas que são colocadas dentro. E isso via de regra significa mais custo pro cidadão brasileiro, mais custo paraa nossa eh indústria. Então nós temos que ter muita eh parcimônia nessas discussões do setor

energético. Então, de maneira simplificada aqui, minhas preocupações em relação a à infraestrutura no Brasil são essas. Nós precisamos investir muito mais. Eh, às vezes a gente se vangloria de ter uma carteira de projetos ali muito grande de R 1 trilhão deais, mas nós temos que entender quanto disso é a cada ano, né? Não adianta, o Brasil precisa de investir muitos bilhões de reais, R bilhões deais por ano. Então, ter uma carteira de um TRI muitas vezes não significa que o nosso pipeline tá garantido, né? a gente tem muita coisa para buscar ainda para atingir o nível da infraestrutura que os países desenvolvidos têm, que é o nível de infraestrutura que a gente precisa para gerar um crescimento econômico consistente no país de 3, 4, 5% ao ano, né? Sem infraestrutura não se cresce. Então, eh eh nós temos que ter essa preocupação na mente de todos, né? Não basta só quem é do setor se preocupar com isso. Ótimo, secretário. Queria agradecer o Maurício por conduzir mais essa entrevista. Maurício, eu agradeço. Parabenizar aí o secretário por transformar uma dor em um legado estrutural. E até a próxima e agradecer o secretário mais uma vez. Muito obrigado pela disponibilidade, por ter aceitado eh falar um pouquinho sobre o trabalho que o senhor tá desempenhando na secretaria, sobre o trabalho do governo do estado. Secretário, eu que agradeço, André, Maurício, e a todos que nos assistem. Eh, esse diálogo é fundamental para que a gente possa evoluir, né? eh, principalmente nos dias de hoje, que a gente vê cada vez menos

eh a possibilidade de discutir de maneira técnica, eh, sóbria, serena, os assuntos que mudam de fato a vida das pessoas, né? ter esse tipo de fórum aqui e pessoas dedicadas a a levar a continuar, mesmo sendo tão difícil hoje no Brasil, as pessoas terem interesse por esses temas, eh, a continuar esse caminho. Então, tô sempre à disposição aqui, eh, para que a gente possa transformar o nosso país num lugar melhor para todo mundo. Ótimo, secretário. Até a próxima e até a próxima também para você que tá nos acompanhando. Como eu sempre falo, inscreva-se no canal da Exame, curta esse vídeo, compartilhe com amigos, pessoas do setor, familiares e e acompanhe o site da Exame, a nossa editoria dedicada à infraestrutura. Um grande abraço, até mais. [Música] h

 

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