EXAME Infra – Episódio 31 - Bruno Carnelosso - Brasil vai conceder 10 milhões de hectares de florestas em novo mercado de PPPs

EXAME Infra – Episódio 31 - Bruno Carnelosso - Brasil vai conceder 10 milhões de hectares de florestas em novo mercado de PPPs

No 31º episódio do Exame Infra Podcast, recebemos Bruno Carnelosso para uma conversa sobre o avanço das concessões florestais e o surgimento de um novo mercado de PPPs ambientais no Brasil.

Durante o episódio, Carnelosso destacou que o país poderá conceder cerca de 10 milhões de hectares de florestas nos próximos anos, criando uma nova frente de investimentos ligada à preservação ambiental, manejo sustentável e geração de receitas associadas à bioeconomia e créditos de carbono.

Segundo ele, o modelo representa uma evolução importante na agenda de infraestrutura brasileira, ampliando o conceito tradicional de concessões para setores ligados à sustentabilidade e à preservação ambiental. O especialista ressaltou que o sucesso desse mercado dependerá de contratos bem estruturados, segurança jurídica e mecanismos claros de monitoramento e governança.

Ao longo da entrevista, Bruno também comentou sobre o amadurecimento do mercado de PPPs no Brasil, incluindo oportunidades em infraestrutura social, saneamento, mobilidade e ativos ambientais. Para ele, o país vive um momento de transformação institucional relevante, com maior participação do capital privado em projetos de longo prazo.

 

Outro ponto abordado foi a importância da integração entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, especialmente diante da crescente demanda global por ativos sustentáveis e soluções de baixo carbono.

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Transcrição do Episódio

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio do episódio. Pode conter pequenas imprecisões.

Olá, [música] esse é mais um Exame Infra, seu podcast que discute o presente e o futuro da infraestrutura brasileira. Eu sou André Martins, repórter de Brasil e economia que da Exame e ao meu lado está Maurício Malanconi, CEO da Suporte. Tudo bem, Maurício? Olá, André. Eu sou Maurício Malanconi, fundador da Suporte, uma empresa dedicada a transformar a realidade da infraestrutura brasileira. E é um prazer estar aqui novamente, André, hoje para gravar o nosso 31º episódio. Passou rápido, hein? Passou rápido. Passou rápido. No episódio de hoje a gente tem a satisfação de receber Bruno Carnelosso. Ele que é sócio da Radar PPP. Radar PPP que eh realiza estruturação e acompanhamento de vários projetos de PBP e concessões no Brasil. e ele tá aqui para falar dos grandes números que a gente tem no mercado, discutir um pouquinho eh do setor e também falar de um uma nova linha dentro de concessões e PPPs que tá em crescimento, que são as concessões ambientais. Bruno, tudo bem? Seja bem-vindo a Examinado por ter topado conversar com a gente. Opa, tudo bom, pessoal? Bom, primeiro queria agradecer André Maurício pelo convite para participar aqui com vocês. Tenho certeza que vai ser um bate-papo aqui muito legal. Eh, vamos fazer uma

conversa bem tranquila aqui, aberta. Tô disponível para qualquer qualquer pergunta. Ótimo. Bruno, eu queria começar que você explicasse um pouquinho do trabalho da radar e vocês têm esse acompanhamento de perto de todos os projetos que estão mapeados de concessão em PPP. Eu queria que você, além de explicar, trouxesse esses grandes números pra gente hoje de quantas iniciativas existem no Brasil de concessão em PPPs. Legal, André. Bom, a Radar éa uma empresa que foi fundada em 2014 e o nosso foco ele tá 100% voltado pro mercado de concessões e PPPs. Lá atrás os sócios fundadores viram uma necessidade de entender o mercado de concessões de PPPs e acompanhar esses diversos projetos que iam surgindo ao longo dos anos. Eh, então a gente montou uma base de dados que chama radar de projetos, que é uma base que monitora todos os projetos de concessão e PPP no Brasil. Então, a gente tá falando hoje de 19 segmentos que são monitorados e dentro desses 19 segmentos tem cerca de 7.000 iniciativas. Então, tem um um uma quantidade grande de projetos que a gente acompanha e monitora. E a minha atuação dentro da radar, ela é um pouco mais voltada paraa estruturação

de projetos. Então, lá dentro a gente tá dividido em três frentes, né? Uma frente de acompanhamento desses projetos em si, uma frente de consultoria. Então, a gente tá muito voltado ali paraa estruturação de projetos de concessão rodoviária, iluminação pública, educação, escolas, hospitais, concessões forestais e uma outra linha voltada para treinamentos. Então, a gente acaba que olha o mercado de concessões e PPPs como um todo, tá? Então, dentro desses 7.000 1 projetos que a gente tá tá olhando hoje, a gente divide ele em fases e aí nessas fases a gente entende se ele é um projeto que ainda tá bem no início, se ele teve só intenção pública anunciada ou não é um projeto que já tá em fase de licitação, ou ele tá com uma consulta pública aberta ou é um projeto que já tá com contrato iniciado. Então a gente faz esse acompanhamento do mercado de PPPs concessões como um todo, tá? Ô Bruno, eh, o Brasil vem vivenciando um boom, eh, de concessões e PPPs nos últimos anos. Esse movimento é um movimento estratégico, estrutural ou depende de uma condição macroeconômica na sua visão? Olha, eu acho que é algo mais estratégico mesmo, tá? Porque através de

concessões e PPPs, eh, você consegue um modelo de contratação que, na minha opinião, ele é muito bom para você conseguir fazer aquele projeto ir paraa frente, ser executado com qualidade. Porque num modelo de contr contratação de uma PPP ou uma concessão, você tá falando de um contrato de longo prazo, em que você tem uma única empresa concessionária que vai fazer a contratação de todos os serviços necessários para você conseguir executar aquele projeto. E você tem algo centralizado. Quando você fala de uma contratação direta do governo de um município, estado, algum órgão da União para executar um projeto específico, ele tem que fazer contratações diversas, né? Eh, e aqui não, você consolida isso tudo em uma única empresa. Então, ela vai ser responsável por fazer o projeto, construir, operar, fazer a manutenção, toda a modernização. E aí, além disso, você tem uma série de amarras dentro de um projeto de concessão e PPP, em que se o concessionário não executa aquilo de forma correta ou com a qualidade correta, ele acaba sendo penalizado. Então vamos pegar, por exemplo, um projeto de iluminação pública, você coloca uma concessionária e começou a atuar e fazer a modernização de um

parque de iluminação pública em um município específico. E ela tem alguns sisteminhas ali de mensuração de desempenho. Então, se por acaso ela deixa durante o dia postes acesos e durante a noite apagados, ela vai ser penalizada na contraprestação que ela recebe daquela prefeitura específica. Então você faz com que o serviço ele tem uma qualidade muito alta. você você seja bastante eficiente, porque você tá falando de uma empresa privada, que ela é remunerada para fazer aquele serviço, para executar aquela obra, para executar aquela infraestrutura específica. E aí, por conta disso, você consegue ter um modelo de contratação que, na minha opinião é vencedor, tá? É um modelo de contratação muito bom e aí por conta disso, cada vez mais eu imagino que a gente tenha mais e mais projetos de concessão e PPP saindos. E Bruno, olhando mais uma vez pros números, né, até no no levantamento que vocês mandaram aqui pra gente para nossa conversa, eh são mais de 300 projetos que estão ali numa fase próxima eh de leilão. Você vê que a gente já tava no ano passado, a gente teve um leilão há quase 4 dias, mais ou menos, né, cada quatro dias ou até mais, mas foi para um levantamento que a gente conseguiu fazer aqui na Exame. E a gente

tem essa perspectiva de mais leilões ainda. É, você vê que esse mercado e principalmente olhando para PPPs, né, que eu acho que concessão, principalmente quando a gente olha concessão rodoviária, mas PPPs, ele tá se consolidando e virando e os os governantes, independente do da ideologia política, eles estão vendo um valor na PPP, exatamente para dividir os custos quando é uma obra grandiosa ou até não em obras grandiosas, mas tendo essa essa divisão entre o público e o privado trabalhando em conjunto. Sim. Então, só para deixar então o o telespectador aqui que tá assistindo com uma visão clara entre os dois modelos de contratação. Quando a gente fala de uma PPP ou uma concessão, uma concessão comum, por exemplo, uma rodovia, é um modelo em que quando o usuário passa, ele paga uma tarifa específica e a concessionária, aquela empresa que tá operando aquela rodovia, por exemplo, ela recebe um valor de tarifa para remunerar toda a obra que ela fez, tá? Então, essa é uma concessão comum em que o dinheiro ele eh que paga o projeto, ele sai do usuário. Quando a gente fala de uma PPP, ele é um valor que geralmente esse valor ele sai do bolso da prefeitura, da União, do estado. Então, no formato de uma

contraprestação. Então, por exemplo, uma iluminação pública, você tem um modelo em que existe uma contraprestação que a prefeitura vai pagar e essa contraprestação, ela vai remunerar a concessionária pelo serviço que ela tá executando, modernização do parque e assim por diante. E aqui, André, eu acho que quando você tá falando de PPP, você tá falando num formato aqui misturado de uma concessão patrocinada, né, em que você tem tanto o valor de uma tarifa, por exemplo, no tr cidades, né, que saiu recentemente, vai ser uma concessão patrocinada, você precisa eh você vai ter uma certa remuneração vindo da tarifa e uma outra vindo do estado, da união, de quem for ali, do órgão público que tá fazendo o pagamento de uma contraprestação. E aí, nesse caso, você tem esses dois valores somados para compor a remuneração que paga pelas obras e investimentos que estão sendo executados pela concessionária. Então eu acho que é um modelo também que funciona muito bem e ele vai com certeza ajudar a novos projetos saírem. Você já já tem vários que são nesse nesse formato, nessa modalidade, mas é um modelo que com certeza vai funcionar muito bem. Um ponto que é importante aqui é e que traz

um pouco mais de risco pra empresa que tá indo participar como licitante ali e se tornar concessionária, é que quando você tem uma parte da remuneração atrelada a um pagamento do poder público, muitas vezes você tem que avaliar qual que é a capacidade de pagamento daquele estado, daquela prefeitura, daquele órgão específico. E a empresa privada ela vai avaliar isso e entender quais são as garantias, né, que eu tenho de que eu vou receber aquele valor. É porque é uma coisa, é a gente e a sede da exame fica aqui em São Paulo, né? Uma coisa é uma PPP, algo em São Paulo que é um uma cidade que tem um caixa volumoso. Outra coisa é quando a gente olha para cidades menores e etco, né, Bruno? Com certeza. as empresas que participam das licitações, elas avaliam e olham qual que é o risco que ela vai ter eh daquela fonte pagadora. Então, algo que é bem interessante, por que que o modelo de PPPs para iluminação pública é tão vencedor como ele acontece hoje? Você tem desses 7.000 projetos que eu tô falando aqui, que a gente monitora hoje e que a cada dia vai aumentando essa quantidade dentro da base de projetos no no radar de projetos. 800 e poucos são de iluminação pública,

que é o modelo de contratação no formato de PPP, que você tem uma contraprestação sendo paga pela prefeitura. Só que nesse caso específico, você tem um imposto, uma arrecadação que é a COZIP ou a CIP, né, que é contribuição de iluminação pública, que ela fica vinculada ao pagamento da contraprestação. Então, pra empresa concessionária que tá participando daquela licitação, ela tem uma garantia de que vai receber, porque você tem um valor de recursos que tá sendo depositado numa conta apartada específica daquele município e vai ser destinada pro pagamento da contraprestação. Então, quanto mais amarrado a gente conseguir deixar no modelo de PPP a garantia de que o concessionário ou queitante vencedor ele vai receber aqueles valores de contraprestação, mais sucesso esse tipo de projeto tem, mais excitantes ele consegue atrair. Ô Bruno, na sua visão, as garantias hoje, né, das PPPs, elas dão o conforto necessário pros investidores? Então, eu acho que na maior parte dos projetos, sim, estão sendo desenvolvidos mecanismos que conseguem garantir um bom recebimento ali, né, da concessionária dos valores de contraprestação. Eh, em projetos em que você consegue

vincular algum tipo de arrecadação, que nem nas PPP de iluminação, putz, isso é sensacional, porque aí você fica com isso de forma muito clara pro licitante que vai participar. Eh, e com um novo marco de saneamento, por exemplo, que você começa a conseguir aplicar tarifas, né, em cima dos valores eh dentro dos projetos. Isso faz com que você também tenha ali uma certa garantia de que o aquele projeto específico, ele vai ter uma parte sendo patrocinada pelo usuário e uma parte sendo patrocinada pelo poder público. Então você consegue ponderar e dar um certo equilíbrio para que esses projetos consigam atrair licitantes e players no mercado. Perfeito. E Bruno, olhando eh vocês participam muito da análise, da estruturação de projetos, né? olhando muito como um todo, eh, na maioria dos projetos que tão tão rolando no país, né? Você vê que hoje os projetos eles têm uma maturidade e eles estão indo a mercado bem melhores do que há 3, 4 anos atrás. E e quando você olha pros riscos ainda ou algo que deve ser discutido, que ainda não tá sendo discutido ou tá sendo discutido, mas não tá na eh eh na

primeira prioridade de quem tá estruturando e olhando esses projetos. Legal, né? Uma pergunta boa. Eu vou pegar um um horizonte de tempo aqui no histórico de dados do radar de projetos, tá? Quando a gente olha antes de 2019, a gente tinha menos de 100 projetos por ano indo para licitação. De 2020 para frente, esse número aumentou para caramba. E aí, a partir de então você começou a ter mais de 150, 160, 170. Teve um ano específico com 230 projetos sendo licitados e contratados, tá? Então, com certeza você teve um aumento expressivo aqui do número de projetos e a qualidade desses projetos aumentou bastante. Algo que é bem interessante de analisar, que tá muito em foco ultimamente, são riscos voltados para eventos extremos. Então, quando a gente olha em passado recente, teve um projeto que, por exemplo, foi estutado pelo Radar, que é projeto no Rio Grande do Sul, o Cismauá. que teve um licitante vencedor, mas por conta da enchente que teve lá no passado, eh, esse contrato ainda não foi não foi assinado. Então, algo que eu tô vendo que tá começando a ficar bastante frequente nas discussões,

eh, como é que a gente passa a inserir dentro dos contratos que estão sendo estruturados itens relacionados a riscos de eventos extremos. Eh, a gente teve agora também, né, na semana passada as inundações ali em Pernambuco e tal. Final de semana também teve mais casos, né? Então, e aí é um tema que ele ainda não tá incorporado nos projetos de uma forma clara, porque quando a gente olha é um é um risco bem relevante, por exemplo, uma rodovia, uma rodovia que fica num num litoral e você tem um risco ali de desabamento, deslizamento que possa influenciar naquela condução de tráfego daquela rodovia específica. você provavelmente precisa de estudos que são contratados lá na fase de estruturação do projeto, que vão avaliar qual que é a infraestrutura que precisa ser colocada ali, que vai conseguir suportar aqueles eventos extremos. Então, tem uma série de riscos que eles estão sendo melhorados dentro do dos contratos que estão sendo feitos. Então isso faz com que o setor privado ele fique um pouco mais tranquilo para participar de novos projetos, porque você tem uma matriz de risco com riscos mais bem alocados para cada parte que consegue suportar aquele risco específico. Eh, mas acho que ainda tem bastante coisa para evoluir, tá? Então, se a gente olhar no geral em

projetos de concessão e PPP, são poucos os projetos que avaliam de forma mais profunda lá na etapa de estruturação itens relativos a riscos climáticos, por exemplo. Mas um setor que é começou a colocar isso de forma mais eh mais visível, recentemente é o de rodovias mesmo, que tá com uma normativa em que você tem que destacar um percentual específico pra infraestrutura resiliente do valor arrecadado com as receitas tarifárias. Ô Bruno, uma dúvida com uma pergunta, né? A radar PPP, ela acompanha o ciclo do projeto até o leilão ou também após o leilão? Se também após o leilão, nós temos recebido aqui muitos entrevistados que têm se preocupado e com relação a ao blackout de mão de obra, né? Se vocês acompanham, vocês têm esse tipo de feedback para entender aonde tá o próximo gargalo? Legal. E a gente acompanha os projetos desde o início, desde a fase em que você tem ali uma intenção pública anunciada até sem o contrato tá assinado e aí a gente continua monitorando aquele projeto específico. Uhum. Tá. Eh, sobre gargalo em mão de obra para contratações recentes, a gente vê que o setor de rodovias é o que mais expandiu

nos últimos tempos, tanto em número de projetos quanto em valor contratado para investimentos, tá? Então, só em 2025, se não me engano, foram 19 contratos assinados pelo radar de projetos com mais de 70 bi de capex. Agora, se a gente vai conseguir ter mão de obra suficiente para executar todos esses projetos, eu não consigo te dizer isso de forma clara, mas se a gente tiver recursos sendo disponibilizados por esses projetos, eu imagino que que sim, que a gente consiga ter mão de obra para executar esses esses diferentes projetos, mas com, é lógico, eh recursos vindo de diferentes fontes de financiamento do setor privado, de fundos de private equity, do BNDS para conseguir fazer com que esses projetos caminhem. Agora, o acompanhamento específico ali das das dos contatos que foram assinados, né, e e dão execução, a gente não faz ele num nível tão micro assim, tá, Maurício? Tá, entendi. Ótimo. E Bruno, aí olhando também mais uma vez pros números, né, você tinha comentado sobre contratos assinados, né? tava vendo aqui que acho

que o ano que teve mais foram quase 189 contratos assinados, tanto de concessão quanto de PPP, né, unindo, unindo as duas modalidades. Eh, vocês, né, dentro da radar, né, essas discussões que vocês acompanham, vocês vocês vem que qual que é o limite ou o teto, né? Você acha que o Brasil vai chegar um momento que vai ter mais de 200, vai chegar a 300 contratos assinados de concessões e PPPs num ano só? Ah, eu acho que deve deve atingir sim, porque a gente vem vendo esse valor crescer, né, nos últimos anos de 2020 paraa frente, se não me engano, somando esses dois, essas duas modalidades, concessão e PPP, teve um ano específico que inclusive ultrapassou os 200. Eh, e é um modelo de contratação que nem eu comentei no começo aqui da nossa conversa, que eu acho que é um modelo vencedor, né? é um modelo que você tem o privado sendo remunerado, né, por um serviço que ele tá executando e ele visa lucro. Então, diferentemente do setor público, o privado, ele vai querer executar aquele projeto de uma forma bem feita para conseguir ter o resultado que ele espera do capital que foi investido. Então, é, à medida que o tempo for

passando e os diferentes segmentos forem observando que esse é um modelo de contratação que faz sentido. Então, por exemplo, a gente não tinha muitos projetos no passado de escolas, de educação, saúde, sistema prisional e começaram a surgir novos projetos. escolas é um que a gente tem visto vários projetos acontecendo, inclusive com leste, oeste e leste e oeste aqui de São Paulo, né, das escolas, cada um com contratação próxima aí de um BI. Eh, então eu acredito que à medida que outros segmentos forem formando o mercado, né, criando uma base de players que consegue participar desse segmento e a gente começar a conseguir construir projetos nessas linhas, né, em cada um desses segmentos, vai aumentar cada vez mais a quantidade de projetos. E tem uma outra coisa, eu não acho que o mercado ele vai chegar num ponto que você vai saturar, porque as contratações elas têm um prazo, né, um período e esses períodos de contrato se encerram ou às vezes o contrato se encerra no meio do caminho por algum outro motivo, algum problema da concessionária e aí você tem uma relicitação. Então você pode ter vários projetos sendo licitados novamente com sessões de rodovias que, por exemplo, você contratou para um trecho específico. E aí naquele momento do tempo você só

conseguia executar aquele trecho de acordo com o nível de tráfego e de pessoas que passava por ali, pagava a receita tarifária. Depois que você fez todas as obras de ampliação, eh, duplicação de faixa, melhoria de pavimento, etc., você numa numa próxima rodada de licitação, você vai conseguir colocar novas rodovias para dentro, novos trechos de rodovias para dentro que antes não eram viáveis porque você precisava de muita obra naquele momento. Então em muitos projetos acontece que aquele formato, né, o filé com osso, que você coloca um trecho que é rentável com um trecho que não é rentável para conseguir conceder um uma um trecho maior de malha rodoviária. E aí eu acho que à medida que os anos forem passando, você vai ter já estruturas, né, infraestruturas melhores e você consegue fazer uma nova licitação embarcando, abarcando mais coisas para dentro daquele projeto. Ô Bruno, eh nós estamos comentando aí a questão desse tamanho de mercado, né? O o André levantou essa questão e em relação a PPPs sociais, né, que são escolas e educação, enfim, educação e saúde, né? Eh, e agora você vem falar pra gente daqui a pouco sobre as PPPs florestais, esses mercados que aparentemente são menores, são bem

diversificados, né? Várias unidades podem ser que fiquem até maiores que esses que esses ditos tradicionais como rodovias. Qual é o tamanho? Vocês têm ideia desse tamanho do mercado das PPPs sociais e da PPP florestal? Das PPPs sociais? Eu até trouxe uma colinha aqui. Quando a gente olha projetos de educação, a gente tá falando hoje 175 projetos que estão mapeados na nossa base, tá? Isso sem Z especificamente se é um projeto é em intenção pública, consulta pública, licitação, contrato ou se é um um projeto foi paralisado, cancelado. Mas comparando com a base como um todo, a gente tá falando de um universo muito pequeno com relação aos 7.000 projetos como um todo. Sistema prisional 36, é um número bem pequenininho. Habitação 56. Então a gente tem uma quantidade de projetos que ainda é pequena. Saúde. Saúde a gente tem 192. Se a gente somar esses quatro, a gente tá falando aqui de uma base de cerca de 300 projetos que ainda é muito pequena frente ao total de projetos, mas com certeza a gente tem um potencial para expandir muito a quantidade de projetos nesses segmentos. É um mercado que tá tracionando no seu ponto de vista. está trazendo ano a ano crescendo a quantidade de projetos, com certeza. E ainda as estruturações,

como elas são um pouco mais recentes, a gente vai aprendendo à medida que os projetos são vão sendo executados. Pô, em projetos de escolas, né, de educação, eh, até esse momento do tempo não fez sentido colocar dentro dos projetos nada relacionado à parte de de ensino de fato, né, mas mais a parte de estrutura da escola, parte eh de reformas, eh manutenção predial e assim por diante. É, mas à medida que os projetos vão caminhando, a gente vai entendendo qual que é o melhor modelo para aquele segmento específico, qual que é a matriz de risco que faz mais sentido, qual que é o formato que atrai mais players. E acho que outra coisa que a gente tem que pensar e que o BNDS geralmente faz muito isso é como é que a gente fomenta aquele segmento específico. Então, começando talvez com projetos menores e expandindo para projetos cada vez maiores, buscar um modelo de garantias que faça sentido para você também conseguir atrair o privado. E nos projetos de concessão florestal, é um projeto que eu tenho uma atuação bem próxima, que nem eu comentei com vocês no no começo da nossa conversa. Eh, é um projeto ainda um um setor ainda pequeno, se você for olhar em muitos projetos. É, é bem embrionário. Eh, mas são projetos muito

legais, porque aqui a gente tá falando de um setor em que você faz projetos que o foco dele não é a remuneração do setor público com a extração de um item específico da floresta ou com a venda de crédito de carbono, mas sim a proteção dessas áreas de floresta no Brasil. Então, quando a gente fala em concessões florestais, a gente tem dois tipos. Uma que é concessão para manejo florestal sustentável e a outra que é concessão para restauração. O governo ele tem muitas unidades de conservação pelo Brasil inteiro. Sim. Tá. Essas unidades de conservação aqui a gente tá falando de 40% mais ou menos do território nacional. Brasil ele tem 850 milhões de hectares. Desses 850 milhões de hectares, os 340 são territórios dentro de unidades de conservação. E dentro dessas unidades de conservação, eh, o governo quer proteger essas áreas, quer fazer com que a área de floresta tropical que você tem ali dentro continue de pé. E para isso ele precisa de diferentes mecanismos de proteção. E o estado ele não tem capacidade para conseguir proteger toda essa quantidade.

Olha isso. É, são 340 milhões de hectares para eh áreas específicas do governo, às vezes do do ICMB que tá ali para proteger uma unidade gigante. E como que você faz isso? Então, as concessões, eu vejo que são um modelo bem interessante para conseguir proteger áreas de floresta. Mas aí, se vocês quiserem a gente entra um pouco mais. É, eu queria que você entrasse realmente nos detalhes. Quando a gente olha os números que você mandou, são mais ou menos 280 projetos no total, se eu não me engano, são 26 que estão perto de de leilão, né, de licitação. Eh, você falou que existem dois tipos hoje, principalmente olhando para esses projetos que estão mais próximos eh de licitação, qual que é o modelo da maioria, né? E também uma coisa que o que o Maurício trouxe é a questão da contrapartida, né? Você falou que a concessionária, no caso, ela não vai extrair nada daquilo, ela precisa proteger. E como tornar isso viável e como atrair os players para esse projeto, para esse tipo de projeto também. Legal. São dois modelos bem diferentes, tá? E ela extrai sim, só que de forma sustentável. Então, quais que são os modelos de concessão florestal que existem hoje? Em 2004 você teve a lei de gestão de florestas

públicas que permitiu a partir de então a o governo conceder áreas de floresta para iniciativa privada, tá? 2006 novamente. E o que que acontece? Desde desde então o governo pode conceder áreas dentro de florestas nacionais para que seja feito o manejo florestal sustentável. Então esse é uma modalidade de concessão florestal. Manejo florestal sustentável é o que que é? É como se fosse eh um sistema de rodízio em que a empresa que assume aquela área, ela pode retirar madeira da floresta, só que num formato sustentável, que nem pesca sustentável. Você só pode pegar um peixe de determinado tamanho, determinada espécie, num período do ano. Aqui é a mesma coisa. você só vai poder retirar uma quantidade específica, é, de um tamanho, né, de uma, de um diâmetro específico. E você tem que fazer isso num sistema de rodío. Então, só para vocês terem uma ideia, hoje 1 haar ele é mais ou menos o tamanho de um campo de futebol, um Maracanã ali, tá? Quando você pega esse 1 haar, ele tem cerca de 1000 árvores dentro desse 1 haar. E dessas 1000 árvores, 200 são árvores adultas. Aí dessas 1000 árvores, quantas vocês

acham que um concessionário pode tirar nesse formato de manejo florestal sustentável? 10% menos cinco árvores. Então ele vai tirar de cinco a seis árvores dessas 1000 e ele só vai voltar naquela mesma naquele mesmo hectar que ele retirou essas cinco ou seis árvores depois de 31 anos. Então ele vai fazer todo um ciclo para que aonde ele retirou a árvore, a outra a árvore que tá debaixo que começa a receber a luminosidade solar, ela começa a crescer, ela se regenera ali, aquela área da floresta regenera e quando ele voltar lá depois de 31 anos, você tem a mesma quantidade de madeira para ser novamente explorada. Só que aí o que que acontece? em contrapartida, essa empresa que entrou ali naquela área, ela vai ter que contratar uma brigada de incêndio para proteger a floresta. ela vai ter que fazer um monitoramento remoto com eh análise de imagem satélite para ver se tem algum local onde a área que ela tá atuando tá com algum tipo de degradação que não deveria estar acontecendo. Então ela tem uma série de obrigações de proteção daquela área que faz com que um projeto de manejo florestal sustentável, que é uma das modalidades de contratação paraa concessão florestal, ele acaba acaba protegendo as áreas de floresta nativa ao invés de deixar ela num formato que aconteceu com várias

unidades de conservação, que elas não tinham uma uma um projeto ali dentro e aos poucos foram entrando e degradando com mineração. eh desmatamento, agropecuária dentro de unidade de conservação. E aí que surgiram os projetos de restauração de áreas degradadas. Então, áreas que hoje estão dentro de unidade de conservação, que por algum motivo o estado não conseguiu proteger e ela foi degradada. Desde 2023 teve uma alteração na na legislação que permitiu que as empresas que ganham essas concessões de área de floresta possam fazer a venda de crédito carbono. Então, o primeiro modelo, ele extrai a madeira, vende a madeira numa quantidade super pequenininha, porque ele vai ter uma área de 100.000 ha para proteger e ele vai fazer um rodízio desses 100.000 ha em 30 anos. Então, ele vai dividir esses 100.000 em 130 avos e a cada a cada ano ele vai passar em uma dessas unidades de produção anual que são UPAs. E no outro modelo é um modelo em que o licitante que ganha área, ele vai ter que realizar plantil de mudas, vai ter que corrigir o solo, vai ter que acompanhar a restauração, proteger a área para regenerar e recuperar uma área de

floresta que foi degradada, que virou um pasto, que virou uma área ali que tá com uma capoeira, né, que é uma vegetação meio rasteira que começou a regenerar. E ele precisa ir lá e restaurar essa área. E aí a remuneração dele é com base na venda dos créditos de carbono, porque é algo bem bem diferente, né? À medida que a árvore vai crescendo, ela vai absorvendo um gás carbônico, né, da atmosfera, eh, e ela converte isso em carbono na madeira. E aí esse carbono na madeira que vai sendo acumulado, é o que a gente contabiliza ali para ver o quanto que aquela restauração específica gerou de crédito de carbono, de toneladas de crédito de carbono para ele vender pro mercado. Ô Bruno, esses contratos ou esses projetos aí, curiosidade, né? Já tiveram alguns que foram a leilão, né? Qual, como tá a questão de players, né, de interessados? E ainda me surge uma dúvida assim em grandes números, né? Eh, pelo que eu entendi, quando tem replantil deve ser um pouco intensivo em Capex nesse início e depois vira só OPEX. Em termos de grandes números, né? Em termos de quanto de investimento um player interessado precisa fazer inicial

e como que seria esse OPEX ao longo do projeto e quantos anos normalmente é esse tempo de exploração ou enfim de eh de manutenção dessa floresta? Legal. Então, pensando aqui nos dois modelos, eu vou começar pelo de restauração, que eu acho que é o mais complexo, porque para restaurar a gente tá falando de um investimento alto no início, em que ele não vai ter quase retorno durante um bom período de tempo, porque você vai plantar, vamos dizer que você tem 10.000 ha para plantar, que é o caso, por exemplo, da floresta nacional de Bom Futuro, que foi uma licitação recente que aconteceu, que foi inclusive na B3 há bem pouco tempo atrás e tinham duas unidades de maneira florestal, uma delas você teve licitante vencedor e a outra não teve licitante. Então aí já tá um ponto relativo à atração do mercado com relação a esse tipo de projeto. É algo muito novo. Só tiveram dois projetos até hoje, desde 2023, que foram licitados, licitados no modelo para restauração. Um foi a APA Triunfo do Xingu, que foi o o Munir da Sistêmica que ganhou essa listação. São 10.000 ha de área degradada para serem restauradas. E o outro projeto é que foi licitado ao de Bom Futuro, né, que é uma floresta em Rondônia que tem quase 100.000 ha e

desses 100.000 ha cerca de 15.000 estão degradados. Quando a gente pega esse esse montante de de área degradada, a empresa que vai restaurar, ou pelo menos na modelagem financeira que a gente constrói, ela vai fazer de forma faseada isso, né? Então ela não vai conseguir restaurar 10.000 ha de largada, né? No ano um ela vai ter que fazer isso no ano 1 2 3 4 5. E aí a receita dela depende do crescimento das espécies das árvores que ela plantou. Então, à medida que aquela árvore vai crescendo, ela vai fazer um inventário florestal mostral, ver o quanto de volume que aquela árvore ganhou e o quanto que ela conseguiu acumular, né, de carbono na madeira e retirar, então, gás carbônico da atmosfera para fazer a venda desse crédito carbono. É um projeto que ele leva bastante tempo, né, para você conseguir ter de fato os primeiros retornos. Então é um modelo de contratação um pouco mais complexo mesmo, eh, e ainda muito incipiente. A gente não tem tantos players para atuar em áreas tão grandes. Não existe nada de contraprestação. Não tem nenhuma contraprestação. É só no equilíbrio de exploração eh da própria floresta com base é no que o concessionário consegue gerar de retorno em cima da floresta com a venda da madeira nos de concessões forestais para manejo e com a

venda dos créditos de carbono. E o investimento que você comentou, a gente tá falando ali por hectar, em algo em torno de R$ 30 a R$ 40.000 por hectar, para você conseguir fazer a restauração de cada um desses hectares. Então, esses projetos eh de bom futuro, que a gente tá falando de uns 7.000 ha, se não me engano, o capex estimado tava em torno de 200 milhões, tá? Só só para entender, você falou que um dos projetos que já foi pra licitação eram mais de 100.000 ha, mas 10, 15, 10 a 15.000 estavam degradados. O que que a empresa pode fazer com o restante? Ela pode fazer o o v ter dentro daquela regra que você explicou, extrair, vender a madeira ou não? Nesse caso, a gente não permitiu porque são públicos muito diferentes. Entendi. O público que vai fazer a restauração é uma empresa que geralmente vai vender esses créditos para players internacionais, Microsoft, Amazon, Toyota. Eh, e ela não tá geralmente tão interessada em realizar extração de madeira. Então, dentro desse projeto, a gente concedeu, né, a área como um todo. Mas essa área que não tá degradada hoje, a empresa que tá ganhando a licitação, ela vai ser responsável por proteger. Então, ela vai ter que fazer monitoramento remoto, colocar a brigada de incêndio e proteger aquela área de floresta que tem um risco expressivo de

ser degradada, porque ela tá próxima de áreas que já foram desmatadas. né? Então ali é é um projeto em que você tem que ter um contato muito próximo com comunidades do entorno, eh, para conseguir conscientizar as pessoas de que a aquele projeto ali que vai trazer, né, a restauração da área também vai trazer benefícios. A gente colocou dentro dos projetos algumas linhas aqui específicas de encargos, acessórios. Eles já é algo que já existe em projetos de parques e é super legal para desenvolver o entorno. Então são valores específicos que essa concessionária que licitação vai ter que depositar uma conta e esses valores vão ter que ser destinados para proteção da floresta, desenvolvimento de comunidades do entorno, recursos específicos para comunidades indígenas que estão no entorno. Então, por exemplo, do lado de Bom Futuro tem a a comunidade indígena caritiana. E aí você tem uma série de recursos que vão ser destinados para essa comunidade para poder desenvolver eh itens relativos a a saneamento, a educação, saúde. Então, por exemplo, ah, aquela comunidade precisa de um posto artesiano, precisa de uma de um posto de saúde, precisa de itens específicos, por

exemplo, para odontologia. Então a gente vai utilizar esses recursos para auxiliar comunidades que estão no entorno e são recursos que saem do próprio projeto. Então são bem legais, projetos bem interessantes. Dentro desse pipeline de projetos florestais, quantos tem para para sair? Já tem data para esses editais e esses leilões? Não tem uma data específica, mas tem alguns muito próximos. A gente acabou de licitar Bom Futurum. Teve a licitação de Jatuarana também no ano passado, que mais de 400.000 1000 haar de área concedida. É legal mostrar que de 2006 até hoje a União tinha 1,3 milhões de hectares concedidos. Então uma quantidade pequena se você for olhar o tanto de áreas que ela tem disponível para ser concedida. Em uma licitação que a gente fez que foi de Jatoarana foram mais de 450.000 ha. Então isso já aumentou para caramba a área concedida. Tem castanho que tá em licitação e a licitação vai acontecer em julho, tá? Então é uma outra área em uma gleba, inclusive é algo bem bem interessante. Tem florestas como eh Balata e Kiri que estão em fases finais de estruturação do projeto e devem ser licitadas nos próximos meses.

É, e tem um pipeline grande de projetos que inclusive o BNDS e o BID estão incentivando e estão apoiando na estruturação tanto de restauração quanto de manejo florestal sustentável. Então, se a gente pegar aqui em termos de de hectares, acho que somando deve ter mais de 10 milhões de hectares em áreas sendo estruturadas. Só a radar a gente tem um um projeto específico que são sete unidades de conservação para serem restauradas, que as sete unidades somam mais de 5 milhões de hectares e essas são específicas para serem eh restauradas. E aí a gente ficar naquele ponto, né? a gente tá num num mercado ainda muito ainda embrionário e a gente precisa conseguir desenvolver players para atuarem nesse setor. Então, a nossa ideia agora é tentar lançar vários projetos de diferentes tamanhos, menores, maiores, médios, para conseguir começar a fomentar empresas novas entrarem nesse segmento para atuarem. E a gente, que nem hoje acontece com rodovias que você lança uma licitação e tem vários players interessados, fazer com que isso aconteça também nos projetos de concessão florestal para restauração, que é algo que ainda tá muito embrionário e a gente precisa desenvolver. E a ideia do BNDS, inclusive, é fazer um arco de proteção

no norte do Brasil para conter o avanço do desmatamento. Então são vários projetos de concessão no norte do Brasil para proteger uma uma faixa específica aqui de área de floresta pro desmatamento não avançar desse ponto em diante. Então é um setor que eu acho muito legal, muito legal. A gente tá caminhando pro final e aí tem algumas últimas perguntas. Claro. Eh, o a questão do desafio, né? Você falou um pouquinho dos players, né? A questão do desafio para essa modalidade que é tão embrionária é realmente a atração desses players. E que tipo de players em outras áreas de de concessões e PPPs você acha que tem uma sinergia que poderia atuar dentro desse mercado, seja de manejo, seja de restauração, tá? Eh, para pro mercado de restauração ainda é bem embrionário, porque é algo recente, né, das empresas poderem eh realizar a venda dos créditos de carbão que são gerados dentro de um projeto de restauração e uma concessão florestal. Pros projetos de manejo florestal ocidental, você já tem um um leque maior de players que já atuam no mercado, que inclusive é um um setor mais voltado para parte madeireira, serrarias, né? Então você já tem um leque maior de

players eh nos projetos de restauração. Aí sim é algo que a gente tá começando a desenvolver esses players. E o que eu acho que daria para linkcar com outros tipos de projetos, talvez não o mesmo player, porque é algo muito específico, a restauração, né? Mas pode ser que você tenha projetos eh específicos de rodovias ou outros projetos em que você faz algum tipo de supressão, né, de vegetação nativa e que precisa recompor aquela área. E esses players estão sendo desenvolvidos aqui podem também participar e compensar eh essa essa restauração dentro desses outros projetos maiores que estão sendo feitos em outros segmentos. Uma outra coisa que eu acho que é legal a gente trazer para cá desse dessa visão de um mercado ainda embrionário é aplicar essa mesma lógica para outros segmentos, segmentos que hoje não tem tantos projetos de concessão ao PPP, mas que precisam ser desenvolvidos e que é um modelo muito legal de contratação que faz total sentido. A gente também começar a pensar em formatos para fomentar e desenvolver novos players dentro desses segmentos. Muito bom. O Bruno, só pra gente encerrar a minha última pergunta, eh, na

sua visão, um mito sobre PPPs, um mito sobre PPPs, eu acho que o aquele aquele principal que o pessoal sempre confunde quando a gente vai conversar sobre PPPs e concessões em diferentes locais, eh, não é uma privatização, né, gente? uma PPP não é uma privatização, é uma uma concessão de algo que é do setor público, que vai ficar por um determinado período com o privado. Ele vai utilizar aquela área específica, aquele recurso, aquela infraestrutura e devolver pro setor público quando acabar o prazo contratual. Em condições melhores. Em condições melhores. Exatamente. Em condições melhores. É isso aí. E Bruno, a minha última agora, eh, você falou de 10 milhões de hectares que que devem ser licitados aí nos próximos anos, né? Tem um valor de investimento, se a radar conseguiu e eh mensurar o quanto, olhando para tudo que já tá mapeado hoje, né? O quanto que esse mercado pode movimentar? Olha, eu não tenho um valor específico pros 10 milhões, mas eu consigo dizer que é algo pequeno, tá? Porque quando a gente olha em termos de de investimento,

projetos de rodovias, eh abastecimento de água, esgotamento sanitário, ferrovia, ferrovias, eles têm a maioria dos projetos, a gente tá falando na casa do bilhão, então 5 B, 6 B, 7 B, 8 B. Aqui a gente pega um projeto de floresta, ele varia de 30 milhões, 40 milhões, 50 milhões, até no máximo 100, 120 milhões. Então são projetos pequenos. Então, se a gente colocar tudo isso, né, todos esses 10 milhões somados, ele não vai dar. Eu acredito que um projeto, por exemplo, de abastecimento de águasamento sanitário do Piauí, por exemplo, foi recentemente, tá? Então, em termos de número de projetos, bastante projetos, eu acho que que devem sair, não tanto quanto iluminação pública ou resíduos sólidos, mas eh o valor de investimento geralmente mais baixo, tá? capex, um capex menor quando comparado com rodovias, ferrovias, água e esgoto. Mas ainda assim é um segmento muito importante, super importante. É porque querendo ou não, a gente tá falando de projetos que vão ajudar a proteger a área de floresta nativa no Brasil, conter o avanço do desmatamento. Então, apesar do investimento ser pequeno, eu acho que a gente tem que dar um foco para esse tipo de projeto, porque são projetos que vão ajudar para clima no futuro, para eh

disponibilidade de água, né? Então, uma série de itens que você tem de serviços e e itens relacionados à manutenção de floresta nativa que que com capex baixo que a gente tá vendo, a gente consegue proteger e eu acho que faz total sentido desenvolver e avançar com essa agenda de projetos florestais. Ótimo, Maurício. Agradecer mais uma vez a condição sempre excelente da entrevista. Eu que agradeço, André. Companhia faz diferença. Exato. E agradecer o Bruno pela participação, agradecer a Radar. Parce de longa data aqui da Exame. Muito obrigado, Bruno, por ter disponibilizado seu tempo para conversar com a gente. Obrigado a vocês, André Maurício. Um prazer tá aqui conversando com vocês nesse bate-papo. Muito bom. Legal, pessoal. E agradecer você que nos acompanhou até agora. Siga o canal da Exame no YouTube, se inscreva nossa nossas redes sociais e também acesse o site da Exame, nossa editoria dedicada à notícia sobre infraestrutura. Até a próxima. Oh. Oh. [música]

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